terça-feira, setembro 10, 2013

Descabelando o controle aos poucos



Descabelando o controle aos poucos
por Rafael Belo

Olhando pela janela, a cerca de seis metros do chão. Todos parecem ter o mesmo tamanho e seus passos ímpares. Poucos pares passam pela minha paisagem diária e de fato não me lembro de vê-los, mas existem. São casais, amigos, amantes, familiares e estes nos preocupam e se preocupam por nós (ou assim deveriam). Então, olhando por outras janelas umas foscas outras luminosas, vemos/lemos “genoínas” aposentadorias por invalidez, facilidades, desvios, enganos, desenganos enquanto o que mais nos afeta são notícias e a falta delas. Esta é nossa angústia, não termos ação diante de um fato inusitado com quem queremos bem.

Está perto, ao nosso alcance ou de uma ligação/mensagem/redes digitais, mas não temos o “controle”, o conhecimento ou a habilidade para resolver aquela situação. Aí, então, a angústia se divide e concentra. São guerras, inflação, dívidas, mortes, acidentes, feridas, atrasos, sinais vermelhos, congestionamento, manipulações... E tantas distorções invertidas, do avesso, porém, o mais apertado no nosso coração é a saúde de quem amamos. Uma falha de comunicação e já basta para a apreensão apertar nossas gargantas.

São tantas futilidades e situações de indignação ao nosso redor que nos tiram da nossa área de conforto que agimos de tanto incômodo. Sem contar com as constantes já marcadas manias de perseguição existentes entre nós, tantas vítimas, tão vítima... Quantos absurdos... Que até o granizo fechando o tempo em um domingo fervente pode ser pedras de gelo atiradas para acertar cabeça premiada. Mas, basta não ser atendido, não ter qualquer retorno neste nosso mundo “conectado” para todas as possibilidades passarem pela mente acelerada... O coração se aperta e espanca a milhão de batimentos por segundo. O estômago vira e revira em nós impossíveis e no final não está em nossas mãos. Está em nossa cabeça.

Pode ser egoísmo e é, mas todo o resto fica para depois se algo acontece ou imaginamos que tenha acontecido, com os nossos. Isso porque precisamos estar no mínimo estáveis conosco para ter uma reação ao restante do mundo. Porém, no fundo (?) ainda nos achamos deuses capazes de controlar ações, reações, emoções, sentimentos como se a vida fosse um filme e nós tivéssemos o controle universal. Tudo isso é resultado do tamanho da importância que nos damos e a falta de espaço para a humildade. Para tanto cabe os Paralamas do Sucesso em “Ska”: A vida não é um filme, você não entendeu/De todos os seus sonhos não restou nenhum/E só você não viu, não era filme algum. Só nos controlamos e não tudo nem totalmente, o resto já vira passado aos poucos.

6 comentários:

Cristina disse...

El mundo gira tan rápido que cada vez perdemos más el control de muchas situaciones... seguro que la vida no es una película!
Gracias por tu encantadora vista, excelente relato, abrazos miles!

Rafael Belo disse...

Resulta hilado hilado y el control nunca ha sido. Gracias Cris . Su visita perfumes siempre se ve al revés. muchos besos.

José María Souza Costa disse...

Estimado, Rafael Belo.

Nesse tecer de vida. Parece que cada um corre por uma trilha, e, essa trilha, não chega a lugar nenhum, por que na verdade, não é uma trilha. É simplesmente trilha.
O tempo parece passar tão rápido, que até o cabelo do Neymar, por exemplo, é assunto na mídia nacioneira. O beijo, do Emerson, serve de paliativos para alimentar o ódio, patrocinado pela mesma imprensa, brejeira, que escreve apoiar o pensamento plural. E assim, vamos sobrevivendo, no País das piscinas oculares, onde, cada vaidade, mergulha-se, em seu umbigo, e ainda acreditamos que sorrir, seja sinônimo de felicidade. Ponto final.

Rafael Belo disse...

Sorrir, parece mais ironia... Tudo passa tão rápido que escapa das garras das nossas mãos, e haja manipulação. Grato amigo. Abraços.

Celsina disse...

Ei, Rafa!

Seus textos sempre me fazem lembrar algo/alguém, ou "na maioria das vezes" eu mesma. rsr.
A "preocupação/o medo" só está em nossas cabeças... até que se torne verdade, e é então que custamos a acreditar. Mas como tudo na vida passa, e temos que seguir jundo, não dá para ficar pra trás.

Beijos, querido Rafa :)

Rafael Belo disse...

Que bom querida Cel. Feliz de tê-lá novamente por aqui. Fingimos não saber que a vida passa como tudo, então acabamos sofrendo. Obrigado linda. Bjs