
(foto do last show The Doors, tirei esta do Brett o vocalista substituto, mas bom)
por Rafael Belo
Veio a letra com a melodia enquanto assistia Mandela, beirando a madrugada. A cantava muito, mas nunca analisei a letra. É uma ironia aos supostos cidadãos que somos. “Pacato Cidadão”. Ô Pacato Cidadão!,é o Pacato da civilização, Pacato Cidadão!, é o Pacato da civilização...” Agora me lembrei do He-Man, mas deixa pra outro texto.
“Pra que tanta TV, Tanto tempo pra perder, Qualquer coisa que se queira, Saber querer. Oh! Pacato Cidadão!, Eu te chamei a atenção, Não foi à toa, não, C'est fini la utopia,Mas a guerra todo dia, Dia a dia, não...” Creio ter feito a conexão com Mandela pela guerra diária que enfretava e todo dia há uma guerra dentro e fora de nós. Faz sentindo estar nele e lutar nela. Porque o princípio básico –nascer livre- não cai do céu (ou cai?).
Tirar vidas não é uma opção, acaba por ser uma escolha e assim nasce uma guerra –ou continua. Ficar em casa, ir diariamente ao trabalho, depois fazer os sociais não é o bastante. Me incomoda. Quero lutar pela minha liberdade, ter minha própria utopia. Não sou guerrilheiro, não quero portar armas -não as usuais. Fico muito incomodado ao pensar ser um pacato cidadão. Então, vem a velha história –estória?- de direitos. Certo. Vamos exigir.... E os deveres? O Quê fazemos? “Eu” tenho o dever de tornar as “coisas” melhores. A outra velha história de cuidar do próprio jardim –ao menos ao meu redor- e lá vem as borboletas. Agir? Não, obrigado! Apenas “crescer, multiplicar, envelhecer e morrer” como uma árvore... Ah, não! Árvores “limpam” nosso ar.
“Pra que tanta sujeira, Nas ruas e nos rios, Qualquer coisa que se suje, Tem que limpar, Se você não gosta dele, Diga logo a verdade, Sem perder a cabeça, Sem perder a amizade...” Mandela ficou quase três décadas preso pela liberdade do seu povo. Mohandas Gandhi, mais conhecido com Mahatma (do sânscrito “a grande alma”) Gandhi espalhou os protestos de não-agressão como um meio de revolução, pedindo ao mundo o mesmo com a paz, sem tocar em armas. Há ainda os biblícos como Moisés vagando quatro décadas pelo deserto, tirando o povo da escravidão do Egito e Jesus, pela PALAVRA, libertou nossa alma e a morte dos nossos medos.
“Consertar o rádio, E o casamento é, Corre a felicidade, No asfalto cinzento, Se abolir a escravidão,Do caboclo brasileiro, Numa mão educação,Na outra dinheiro...” Estávamos muito bem no ventre presos, aquecidos e nos soltaram para a vida: choramos. Depois saimos do ventre dos pais, e “hemos de sair”, outro parto. Mas, sempre procuramos um ventre pacato para nos aquecer e esconder. Ah, pacato cidadão “não foi a toa não...”