terça-feira, maio 04, 2010

Derrete o verão as palavras vazias

8o tom das cordas vai no tom da verdade e quem alcança todas as notas? Tirei esta há muitos meses...


por Rafael Belo

Mais um verão ido. Terminaram as férias, mas o calor continuava fosse inverno ou outono. Não importavam as flores espalhando seus parcos perfumes ao meio de tantos cheiros sem autenticidade, a não ser para os animais. Não importavam as folhas caindo em um fluxo de tempo determinado pelas horas a se olhar para as árvores e delas para o chão. O autêntico não vinha com as estações. Era mais uma fuga, um segredo, uma mentira vestida para depois ser lavada e posta no guarda-roupa junto a tantas outras.

Era quem queria ser? A resposta era mais vaga ainda... Talvez. Pudera. A vida foi uma mentira, fugindo sabe-se lá por que. O nome era uma incógnita pela ausência do paradeiro da família ou um documento qualquer. Estes espalhados na fogueira? Todos falsos. Quem não pode sentir o cheiro de tanta mentira? Se um cachorro a fareja a irritante distância... Esta falta da verdade impregna como tecido vivo queimado em agonia no silêncio do grito das expressões malpassadas. É assim por trás das palavras daquela língua venenosa.

Tanta pestilência para proteger suas areias edificadas na beira do penhasco e um simples vento desconfiado abre um buraco no chão para simplesmente preenchê-lo com o proprietário da peste. Cada verão um personagem diferente, uma fronteira invadida e uma nova vida a espera de desmoronar. Quem sabe desta vez não dure mais... Quanto tempo até a mentira anterior se esbarrar com a nova?

Quem sabe este outono seja diferente e as folhas não caiam e o tempo não se prepare para o inverno inexistente em rigor por aqui... Disso eu sei. Não vai acontecer...! É mais fácil continuar me enganando e fingir saber quem eu sou a pretender dizer sobre as estações marcadas em quatro pela razão da natureza, pela sua definição variante. Fui ao topo das minhas mentiras como uma multidão feita de ninguém a ser passado constante.

Minha natureza era outra, era órfão de virtudes, de moral, de ideia da ética... Decidi entrar no guarda-roupa, me trancar e morrer aos poucos de outra maneira, ao lado do meu mundo de mentiras nuas e nu na minha escuridão... Tentei em vão deixar de ser de mentira.

domingo, maio 02, 2010

É tudo mentira!

8 a mentira é como estar preso com uma onça selvagem e a onça selvagem estar presa dentro de você. Ela te devora por dentro e por fora... Tirei na base aérea, ela é símbolo do esquadrão onça...

por Rafael Belo

Compulsivamente surge a mentira para aquele “autoengano” de um vício qualquer tão avassalador para o viciado seja em fugir do mundo ou de si mesmo, normalmente de ambos. Mas, há tantos vícios neste nosso mundo a desvirtuarmos com voracidade. É uma psicologia reversa tão palpável na clareza de uma certeza camuflada daquele nosso falso olhar entendedor da vida. Para ficar mais fácil usamos exatamente isso, a medida da facilidade. “É mais fácil para você, é mais fácil para fulano...” E sobe nosso dedinho podre apontando um julgamento insosso sobre o outro. Mas, serão estas linhas amontoados de mentiras para fugir de um assunto...? Não quando o assunto é mentir para o espelho.

Você já mentiu hoje? Pelo menos o sorriso do dia já fez esboço na boca... Mas, realmente parece uma compulsão por parte de quem o faz e culpa a sociedade pela pressão. Acaba tornando-se aquele em quem não acreditam... Fica marcado e fica fato consumado a pessoa ser apresentada como não confiável. Uuu! Pesado... Não. Quem mente torna-se... Exato. Mentiroso. É difícil desgrudar deste rótulo grudento e ninguém gosta de rótulos. Não diga mas é uma mentirinha só... Mentirinha, mentirão... É tudo mentira... certo...

Mas, mesmo assim é uma sociedade da mentira a qual somos vendidos. Ambição para ganhar mais e mais e trabalhar mais e mais para mais trabalhar, claro. Nada de usufruir do furto fruto de tanto trabalho, no futuro quem sabe... Não tem aquela frase clichê...? O futuro é agora...? Bom, daí devem vir as mentiras e o vazio formado entre as pessoas e entre o mundo por onde passamos. Estamos sempre nos preparando para o porvir e o agora? Este nosso automático consumismo, esta nossa fuga para as frustrações de algumas outras mentiras contadas a nos impedir de ver além das mentiras protegendo os seres falsamente frágeis por trás delas, nós. E nos dizemos tão inteligentes...

sexta-feira, abril 30, 2010

Combustão esquecida

8 não há ninguém apenas reflexos e os anexos de "extensões" chamados veículos e vazios... Dimensões de um copo pouco vazio... tirei esta antes do caminho da pauta...

Derrete o verão a mentira fria pintada de lareira
no romantismo a beira de um abismo claro
em um outono pálido caindo das árvores do preciosismo
feito o achismo arbitrário da cantada falha da permissão do trago
derramado no canto da boca dos olhares de esguelha
onde há quem se atreva a fugir a verdade camuflada na malha alheia

amarrada como um saco de estopa na cabeça soprada
feito areia de praia em dias secos,
onde os rostos do avesso mostram a carne cansada
e a alma distante entorpecida pela fumaça dos gravetos.

Às 19h11, Rafael Belo (Folha de Outono) 26 de abril de 2010.

quarta-feira, abril 28, 2010

Três estados permanentes no meu trailer

8Este, creio eu, é o mais exposto texto meu hehehe por isso coloquei um reflexo de imagem 100% autêntica... Sombra e Luz na janela...

Por Rafael Belo

Pelas minhas estadas pra e lá e pra cá, minhas melhores lembranças vêm itinerantes. A casa da minha memória é justamente esta onde estou, a da minha falecida avó. Porém, lembro de algumas em Ribeirão Preto (cidade natal), onde bons momentos em família aconteceram. Uma dela é a conquista de ir a pé e sozinho à escola, o equivalente a minha imaginação a muitos e muitos quilômetros e eram apenas poucas quadras de aventura diária. Começava meus 11, 12 anos... Em verdade são três casas permanentes na minha memória porque foram nelas onde vieram meus amigos.

A primeira em Rondônia. Lá em Vilhena, fortes laços permanecem unidos pela internet e pelos feitos por lá. Foram três anos perambulando entre os limites da cidade e minha casa fora deles. Uma dezena de amigos carregados em várias viagens de 18 km da cidade para casa em cada fim de semana esperado. Era o sempre presente violão, os nados no rio e o vôlei improvisado. Minha primeira carteira de motorista também é de lá, assim como minha reservista.

Depois vem a casa da minha irmã mais velha quase em Ribeirão, mas é Sertãozinho. Na medida do possível me encontro por lá, isso porque é minha única referência de lar permanente – praticamente – onde morei três anos também. Mesmo nesta minha última estada no lugar onde nasci, me controlava para não estar constantemente pegando menos de meia-hora de ônibus e surpreender o fim de semana na casa dela. Pela adolescência separando o meu tempo e das minhas irmãs, digo ser em Serãozinho onde tenho amigos desde as fraldas.

Para não transformar um prelúdio em livro, já chego onde estou, na casa da minha falecida avó. Por aqui me formei, trouxe todos os grupos de amigos reconhecidos, comecei a trabalhar na área e sempre estive por perto, aliás, morei aqui mais de cinco anos fato inédito das minhas estadas em lares. Muitos natais foram passados por aqui. Muitas traquinagens de infância. É uma casa de lembranças, é histórica por parte da família. é difícil enxergá-la como está agora, a vejo com os olhos da criança vindo visitar a avó querida.

Três Estados mais significativos passados tão presentes ainda digo ser de todo lugar... Não é a mais pura verdade, é mais um ironia com minha aparente falta de raízes, no entanto sou mais daqui de Campo Grande e se me perguntarem com qual casa me pareço. Diria o óbvio (?): um trailer.

segunda-feira, abril 26, 2010

Casa minha

8de uma "sessão" de luz e sombra de meus olhos, tirei há algum tempo só pra ilustrar a quase ficção desta poesia...

Cacei minha casa em cada perímetro do espelho quebrado
em meus castanhos olhos contornados de preto, um extremo quadrado
onde limitava minh’alma a uma falta de caminho espelhado
sem acesso ao corpo sem tocar o coração despedaçado com solidão

nada entrava nas paredes cadeadas de carentes formas de ilusão
levitando entre o leito e o jeito de encarar a derrubada dos muros
de um casa sem porta onde eu era a casa preso pra dentro e as batidas vocês
correndo uma sanguínea corrente ao fim doada

cerrada cada caída das portas terminava com minha caçada
e tudo entoava em poros meus, na alma sobre o corpo
plenos pulmões recuperados em voz.

às 13h20, Rafael Belo (folha de outono) 26 de abril de 2010.

domingo, abril 18, 2010

Casa aos pedaços

8 Qual é a chave embaçada para a sua prisão interna aos pedaços de uma casa corpórea? Tirei esta depois do conto concebido...
por Rafael Belo

Havia o medo da invasão. Por isso, o pavor tremia por entre os escuros daquela casa vazia... Apesar das dezenas de portas fechadas... Era tudo velho e inseguro. Lá no fundo a porta mais distante rangia, segredada. Da porta para a parede havia feixes de vidro permitindo enxergar lá fora. Pero caminhou até esta extremidade e olhou para a luz invasora, bem ali pelo buraco da fechadura.

A maçaneta foi forçada em um estrondo surdo para dentro. A porta chacoalhava. A luz cessara. Uma lima começou um vai-e-vem pelo buraco da fechadura. O barulho de fricção entre os sulcos do ferro da ferramenta e o metal do vão com o exterior povoavam os ares de esquecimento da morada. De joelhos pero arriscou ver pelo vão, sem, no entanto, encostar a vista. A meia-distância tudo em seu olhar era uma chave de um chumbo fosco a girar pelo lado de fora nas engrenagens da porta. Onde estava a luz? De onde surgiu a chave? Ele olhou através dos feixes, mas nem sombras haviam do outro lado. Mesmo assim, a porta era forçada, a lima se movimentava e a chave continuava lá no tom do impossível.

Um rangido brusco de um alívio sonoro de finalmente ser aberta, veio daquela porta. Mas, estava fechada... A contragosto, Pero vistoriou ao redor e a passos firmes, cansados, quase arrastados retornou ao seu quarto. Nada podia fazer. Deitou. Ouvia os barulhos da noite. Não sabia se era sonho ou se pela décima vez na semana ficara paranóico a ver de novo apenas sons na sua casa abandonada.

Com a sola dos pés sob os lençóis de domingo, desconhecia se tremia ou se sua cama começara a sacudi-lo unicamente na parte oposta a cabeceira. Com os olhos dilatados pela escuridão, o coração distante de tão disparado e o corpo rígido de arrepio, hesitou em acender o abajur até acendê-lo. Sua perna estava realçava levíssimos espasmos musculares. Nada capaz de balançar e a mover cama ao encontro da parede... Apesar do calor e das janelas fechadas, um vento fantasma soprava as cortinas e gelava o quarto. Pero ignorou tudo exausto, fechou os olhos e sonhou.

Pero era uma lembrança na casa. A casa certamente se lembrava dele quando ele não era um invólucro oco, seco... A casa foi abrindo suas lembranças pelas paredes e tetos. Os pisos e azulejos soltavam e as rachaduras viraram portas da noite. Pero era um ponto paralelo de algum parágrafo onde ele aparecia em todas as linhas, olhasse para cima olhasse para baixo. Parecia tudo estar sem “tempoespaço” e sombras nos corredores estreitos da casa de todas as portas fechadas bruxuleavam. Pero era as sombras de vários vácuos de épocas de sua vida. Ele havia se repartido e emparedado. Alimentava-se do estoque para alimentar a solidão.

Mas, as paredes cediam. Tudo viria a baixo. Pero precisava sair. Pero precisava se juntar e deixar de ser sua sombra. Ele se levantou de seu coma induzido e circulou sua cama hospitalar. Não atentaria mais contra a vida. Sua vida. Como das inúmeras vezes vestido do kafkaniano artista da fome ou da incorporação da obra balzaquiana sendo a “fidelidade” uma prisão onde se fingi estar para prender o outro, chegou ao limite de estar preso dentro de si, da sua casa conturbada de “fidelidade”. Não! Jamais fugiria de si novamente. Prometeu... E pela primeira vez em tempos se vestiu sozinho.

terça-feira, abril 13, 2010

Em cada pedra levantada, em cada galho lascado


8A avistei da estrada e as nuvens a cercava, procurei os angulos e captei a bela imagem...  Na lente, na alma...

Por Rafael Belo

Ela atravessou o tráfego fora da faixa de pedestre e foi o bastante para bater no topo das árvores centenárias, para logo cair em um som seco no momento da liberação do trânsito. Os veículos todos se encontraram em estrondos em angustia, na pura ânsia de chegar antes sob o efeito daquele corpo. Estava tudo parado em silêncio na cabeça de Reyvan, até quando girou, segundos antes. Sua cabeça parecia expandir e nada respondia, no entanto ela não sabia nada sobre estes instintos. Sua cabeça era um limbo gélido rumo a um buraco negro.

Reyvan via um turbilhão de movimentos perante seus olhos, mas era como captar compreensão sob um corpo em chamas. Levaram-na, falaram com ela e para Rey era tudo imagens sem qualquer significado. O cérebro dela nada processava, mas sua alma estava despertando, se expandindo feito um manto sagrado a aquecer o corpo, a sacudi-lo em delicadeza para voltar a tomar as rédeas... Mas, havia um pressentimento. Demorasse o tempo devido, se suas atitudes e faltas destas não viessem a... Não viessem a traçar um rumo significativo, mesmo com aparência insignificante, poderia encontrar outro corredor da morte.

Passaram-se dias, na cabeça de Rey. Lá fora a multidão aglomerada havia parado o trânsito da cidade. Não importava mais quem era o culpado nem o motivo de chegar a esta situação. Ali um pacto se formava. O medo de mais uma vida se esvair em atropelamentos sem lógica pulsava e podia ser ouvido por quem prestasse atenção em qualquer lugar imaginável. Eram segundos para eles.

Ela sorriu para as lágrimas, fechou os olhos e se lembrou da sua missão caída em anjo. Levantou como se agigantasse em ar de benevolência, abriu as asas invisíveis e em um abraço de esperança cálida fez todos fecharem os olhos e respirarem fundo, enquanto sumia da vista, da memória... Aprofundava-se na alma de todos feita semente, feita precisão. A multidão silenciosa demorou a abrir os olhos e procurar outros olhos mais próximos, para então abandonar os veículos e. quase compacta. seguir para adiante.

domingo, abril 11, 2010

Talvez o estresse

por Rafael Belo
8não é bem o trânsito convencional da cidade, mas a tireina BR
e achei conveniente hehe...
Mais vidas arriscadas no sinal vermelho. Não estava ficando vermelho nem rastro do amarelo havia mais, mas mesmo assim eles aceleraram e passaram após o sinal fechado. Ainda bem que desta vez nada aconteceu além da infração gravíssima não anotada. Nesta sexta-feira percorri aqui, esta cidade morena, e pelas lentes da câmera vi tanto desrespeito no trânsito quanto o visto como motorista. Veículos acelerando o tempo todo em uma competição insana para chegar sabe-se lá onde.

Contudo, nada coopera também com esta síndrome de fórmula-1 coletiva. O asfalto é todo recortado, os buracos brotam como erva daninha e claro, além da falta de educação monstruosa com exceções plausíveis, a quantidade de carros e motos não é mais suportada pela infraestrutura municipal já inadequada para a atualidade. Acerte-me a primeira pedra aquele qual nunca foi fechado ou presenciou aberrações no tráfego da sua cidade. Aqui entre nós, os motoristas fugiram todos (ok, nem todos) da autoescola.

Com a “facilidade” de se endividar mais e por um tempo maior comprando um transporte, o veículo é o objeto de desejo de dez entre dez pessoas e o mais “pacientemente” aguardado. Com o volante ou o guidão em mão os pés de uns parecem de chumbo assim como as mãos de outros. A paciência se perdeu em alguma curva ou em alguma parada obrigatória por aí. Olhar para o trânsito é como olhar para uma confusão sem fim, um caos sem solução. Alguns já devem ter se manifestado contra pedestres e apenas contra os lactobacilos vivos – como diz Marco Luque - os motociclistas. Bom, os pedestres costuram o tráfego como os domadores de duas rodas.

Não há faixa, corredor ou espaço onde estes não se enfiem. Bom, a sorte é os carros serem grandes demais... Vamos lá... Estamos dirigindo no centro da cidade quando um boçal faz o não devido e força aquela freada olhando para o outro lado na fingida “não é comigo”. Ainda bem, não estamos correndo. Além dos palavrões ditos ou poluindo a mente de alguns, desta vez nada aconteceu. Mas, metros depois aquele seu “colega” de volante dá sinal e já entra na sua frente, be-le-za e logo a frente outro faz uma conversão proibida com uma mão, pois a outra segura o celular, cer-tís-si-mo...

Ultimamente sou a favor de não dirigir ou simplesmente quero aderir à campanha “acorde cedo e evite o trânsito/saia depois e não fique preso no trânsito” porque posso começar a ficar levemente estressado. Enquanto isso, di-ri-jo e espero fazerem o mesmo (risos).

sexta-feira, abril 09, 2010

Avesso de ave

8esta foi para uma matéria jornalística e não a tinha em casa no tamanho original, mas tirei hoje diante de toda a imprudência dos motoristas



Atravessou a avenida com saudade do silêncio sepultado distante
apalpou a solidão bolinou a travessura e ficou no meio da rua
brincando de acordar motoristas incapazes de dirigir para o trânsito hesitante

sugador da calma, molestador da harmonia, tirador da razão...
nas batidas de corpos em engarrafamento da ficção na vida real
estirada entre as esquinas do centro preso ocasional

enquanto um sorriso esticado e uma mão entendida acenam
na vazão dos sentimentos precisados na direção contrária

contraída de traição na paciência atropelada pela manhã ordinária
onde as pessoas aceleradas e os veículos da inconsciência gorjeiam.


no vácuo de buraco negro, rafael belo(folha de outono).

terça-feira, abril 06, 2010

Deixa passar

8 quanto mais se partilha melhor o mundo se torna... Há a intensidade , há a força das palavras e a definição poética ler e sentir simultaneamente sem a interferência direta da razão. Tirei esta bem no quintal de casa hehe
Enxergo sob o sol intenso, vejo sob a escuridão profunda,
olho sob os punhos cerrados, tenho a visão do mundo somada ao fundo dos meus olhos
transparentes em mel escuro, livre escudo tomado de sentido onde todos sentidos sentem virem vastos sonhos valentes vociferarem imagens transcendentes daquele berro da alma subversiva aos domos domadores do insosso mundo estilhaçado em pedaços conhecidos como nós, como o nosso eu refletido nestas intricadas partes partidas em intrínsecos ares do pensamento preso em levadas ludibriações secas no avesso voo velado, pelos sonhadores lados a mais de uma mesma vista prevista no contexto do olhar jogado para o amanhã vindouro na sacada da própria mente vivendo os intensos segundos flamejantes anunciando o futuro terminado a cada instante... A se deixar passar.

Às 15h30, rafael belo (folha de outono), 06 de abril de 2010.

domingo, abril 04, 2010

Sonhadores perdidos

8 o sonho das cores fundidas no significado da união da passagem da liberdade, do nosso terceiro dia, ressurreição, novo êxodo, diáspora. Feliz Páscoa. (tirei esta no mesmo quintal renovado de sempre)

Por Rafael Belo

Sim, era um sonho. Falava em voz alta para o vazio. Savage, Solto Savage. Foi tudo o dito para uma dezena de pessoas a revezarem vigília ao redor dele nos últimos meses. Sua respiração e batimentos praticamente inexistiram neste período. Todos o olhavam. Solto tocou suas cicatrizes físicas, irreais para ele. Compreendia tudo ter sido um sonho. Sabia cada voz invisível ter seu rosto envolto da cama florida de esperança. Desconheciam, os mais queridos, Solto ter sonhado por todos. Estava vivo, enfim. Mas o sonho não acabava. Não iria acabar jamais.

A certeza vinha de ter se alimentado apenas da própria mente. Era a única explicação de ao invés de estar um modelo raquítico frágil, estar mais robusto e atlético. Nada de dúvidas naqueles olhos sonhadores, nos passos firmes saídos daquele cativeiro físico do quarto. Solto estava mudo há horas olhando seus amigos, sua família em cada olhar. Ao terminar contou ser aquarela para toda expressão ansiosa. Ninguém fez qualquer pergunta. “Sou a restauração das cores. Sou sonho do mundo. Sou sonho do espírito. Sou sonho da energia. Sou sonho da força. Sou sonho do infinito coletivo particular”. Um silêncio inovador, antes não ouvido, se ergueu. Os demais se sentaram vagarosamente.

Encararam seus espelhos profundamente sorrindo. Os sonhos refletiam nos cristalinos, faiscavam na ponta dos cílios chamuscando o ar de leveza. Nada de impedimentos. A ponte ligando a vida e os sonhadores perdidos caia no remexer da terra em suas profundezas de um terremoto sem vítimas. Sonhar e viver voltava a ser o mesmo. “Vida é sonhar e atravessar a grade dos nossos olhares”, falava sem dizer Solto. “Temam, mas sigam e sintam o medo ser dominado sem ser extinto”, revelava.

Neste momento, em paralelo a restauração, todos se lembravam de Solto antes dos meses de sono profundo. Não mentia, fazia o falado por ele. Não hesitaram um instante em o seguir e se liderarem logo, o tendo por perto. Ninguém possuía a dúvida expressa mais.

“Sonhadores perdidos... Revelem seus sonhos esquecidos. Salvem o mundo realizando seu ímpeto sonhador”. Solto despertou e sonhava mesmo assim, fazendo todos sonharem.

terça-feira, março 30, 2010

Sonhador

8 e no meio das folhas secas brota a vida no outono... Tirei do lado da minha janela.

Por Rafael Belo

Às vezes meus sonhos se afastam da minha memória como um deja vu qualquer. Mas, mesmo assim eles me percorrem até saírem na interrupção da manhã. Não gosto de dormir apenas pelo descanso, procuro acordar e continuar sonhando aquele sonho de todo o blecaute dos olhos abertos. Olho para o teto, mas na verdade estou olhando para meu interior tentando não deixar escapar as minúcias psicológicas da minha imaginação inconsciente consistente.

Sou sonhador invicto, admito, pois em nem um instante parei de sonhar. Sou convicto de ter meu tempo para espalhar sonhos e como é bom entender cada detalhe lembrado da noite dormida para acordar sorrindo mesmo se for de um pesadelo, pois afinal sei de onde veio, para onde vai e onde está. Dizemos-nos muito quando nos lembramos dos sonhos. Claro, há aqueles não lembrados, mas como sonhador continuo a sonhar, pois o “esquecido” há de ser sonhado de novo, saibamos disso ou não.

Quando acaba a madrugada já no novo dia e a manhã incide pela janela ou simplesmente fica lá batendo nos chamando, ela revela nosso ser sonhador. Este esquecido em muitos. Este de esquecimento, de quem somos realmente por baixo do trabalho, por dentro das palavras, por trás dos olhos, lá no subconsciente latente na consciência a sonhar todos os dias, enquanto por algum motivo egoísta esquecemos termos sonhado todas as noites.

Acordado ou desperto somos sim sonhadores. Quantos sonhos deixamos para trás e depois não “sabemos” o “motivo” de estar faltando algo? Sonhar parece ser o objetivo da vida, pois um sonho real não destrói o lugar no qual vivemos nem nos destrói. Quem nunca ouviu aquela famosa frase iniciada assim: “Eu tive um sonho...” Ainda era preto e branco e uns achavam ser raça definição de coloração enquanto outros viam a união, não como um arco-íris, mas raios solares de um único provedor de vida – o sol. Meu sonho é partilhar e expressar minha ação no mundo. Sonhas tu?

quinta-feira, março 25, 2010

Encontro com Liberdade

8 e há tempos quero tirar fotos das folhas de outono. e há folhas livres da seiva prontas para nutrirem o solo e fecundarem o mundo... tirei no meu quintal hehehe pra variar



Por Rafael Belo

A melhor roupa foi solicitada. E lá estava Simplício dos Santos de regata branca gasta, shorts branco com rasgos, chinelos havaianas sem cores e aquele sorriso rasgado de quem teve um encontro com Felicidade. Mas, o encontro era com Liberdade. Sim usava as vestes da vontade. Àquela na qual se sentia livre e fazia todo sentido esta ser sua melhor roupa. Levantou antes do despertador e por isso mesmo nem havia o programado para despertar. Tomou um elo banho de bom dia e vestiu a segunda pele.

Primeiro Liberdade estava uma grife. Armani, Pierre Cardin, Prada... Exatamente nesta sequencia dos olhos para os pés. No entanto, chamava mais atenção o exalado Chanel N° 5. Inebriante, estimulante e... hummm... Afrodisíaco! Havia um sabor de excitação naquele aroma suave e paliativo de uma textura sobressalente e um visual crepuscular ao som de uma incalculável queda d’água. Ela era a ninfa grega abraçada pela delicadeza de uma túnica com seu ombro esquerdo a mostra, os pés nus apoiados pelo solo e uma aura convidativa carnal de esquecimento.

Foi livre de qualquer olhar a visão de Sim ao ver Liberdade. Aquela primeira imagem se desmanchou ao toque dos olhares e uma aura áurea cintilou nos contornos melindrosos dela. Um oceano em chamas transbordava de toda Liberdade. Sim sentia o mesmo em si. As horas ou corriam demais ou se embriagavam no embrear de um convite subentendido.

Era Tempo. Era Felicidade. Era Liberdade. Era Sim... Os chinelos se foram e Liberdade rasgava a bobagem das vestes sem tirar os olhos daqueles outros olhos despidos. As respirações se trocavam, as bocas se testavam, as peles se tocavam, os corações vibravam um tremor bobo na boca derramada em sorrisos suspirados e a carne era toda alma sublime das sensações absurdas fumegadas por dentro das brasas a beira de incendiar as marcas acorrentadas no âmago dos seres. Livre lá Liberdade.

terça-feira, março 23, 2010

A liberdade e eu

8 comer jabuticaba em casa é disputar com a natureza... Tudo bem desde que eu consiga registrar e comê-las. Tirei esta foto hoje (23), na liberdade de comer uma fruta do pé...

por Rafael Belo


A liberdade e eu é algo como o Brasil e as notícias. Somos tão sinceros que não escondemos os podres e tão carentes que só os mostramos. Não que eu tenha algo a esconder, mas minha liberdade é melindrosa e muitas vezes espaçosa. Não, eu não invado os limites alheios. Mas, meu fora de casa, meu distante do lar é parte do todo, todo em parte... É dividido. Estou exposto quando estou longe dos amigos e da família e esta exposição me preenche de novidade de olhares somados a volta à amizade e familiaridade.

Melindrosa porque julgar explodir sem interagir é cercear minha liberdade, não minha, pois possessivos não me combinam. Planos não me agradam. É como alguém contar todo o filme, destrinchar um livro,... No entanto são necessários no trabalho. Melindrosa sim, no sentido de mudança repentina de comportamento no relacionamento seja qual for a relação. Enfim, a liberdade e eu, eu e a liberdade somos como o menisco e o joelho o sono e os sonho. Não caminho, na escrevo, não existo se não compartilhar o mesmo espaço com a liberdade.

Não é fugir de casa morando sozinho, morar longe da família, fazer novos amigos, ter independência financeira, ninguém para dar satisfação... É uma estrada de possibilidades de escolhas a marcar a ferro e fogo, mas com chances de recomeçar mesmo se parecer impossível. Gosto de ser liberto das correntes da nossa realidade insólita e burocrática, mesmo quando aparenta ao contrário. Aprendi a não falar qualquer coisa mesmo quando há de se dizer, quem disse que sabedoria é julgamento? A liberdade me ensinou a olhar as pessoas com a mente aberta e vazia para a possibilidade de quem ela se transforma com a própria personalidade.

O eu e a liberdade é algo além de uma relação mútua. É uma relação diária com o mundo e cada mundo. Uma atitude e personalidade de poder sorrir e o fazer, de poder chorar e salgar o rosto mais ainda. Não é uma cartilha e sim uma determinação. Também pode ser simplesmente abrir a janela e olhar, esvaziar a mente e relaxar. Sair sem se sentir pressionado por tantas pressões livremente impostas sobre eu, sobre você, sobre a liberdade. Essa tal!

segunda-feira, março 22, 2010

caídas em folhas

8 meio desfocada na sua intensidade de ser folha, orvalho chuva e intensidade esta é a liberdade; tirei no meu quintal


Salto sobre o abismo branco de braços abertos para voar
acima das peculiaridades das correntes forjadas para solucionar
libertos inglórios da filial desconhecida bastarda de fechar os olhos e não olhar
o vento contornando o corpo leve no ar a quilômetros de parar de sonhar

além do arrebentar destes grilhões abertos presos no meu limitar
acentuado pelo objetivo de lado acompanhando o limiar do precipício
principado pelo principiante filho de primeira viagem do reino de artifícios
a estourar os fogos brilhantes longe da espiral silenciosa do centro de qualquer planalto

a usar salto alto enquanto me dispo de qualquer preceito e revelo a nudez sincera,
da obliqua sinceridade das partículas caídas em folhas secas a flutuar sem espera.


às 18h59, Folha de Outono ( Rafael Belo), 14 de março de 2010.

sexta-feira, março 19, 2010

caso ocaso o acaso casar

 8 admirei-as até registrá-las e dividí-las do quintal de casa

Casa a casa com os moradores casando um lar
de quantos casamentos vivemos atores, tentando continuar?
troca-se alianças no emprego até o emprego passar
mas era de mentirinha, criança só deve brincar
passa o anel de mão em mão até o anel acabar
agora passa-se sua extensão sem sair do lugar

na brincadeirinha da vida uma hora um se torna dois
na bainha da hora da demora do tempo casado com a circunstância
não passar de clima e chover trovoadas depois de nublar
o claro dia contrariado com o casório da noite com o planeta

é claro, o dia Ama a noite separada dele pelo casamento das horas com o relógio passado
a moradores do momento lembrando seu lar casado com a memória genealógica...Da Árvore da Vida.

às 22h50, 15 de março de 2010, rafael belo (folha de outono).

quarta-feira, março 17, 2010

Casados pela solidão

*antes de esvaziar o vaso para vazar com a possibiliade de dengue, é sempre bom registrar... E tirei a foto

por Rafael Belo

Na verdade ele não queria ficar sozinho. Não, nunca esteve fisicamente só. Mas sua vida de galante colecionador de... Relações... O mantinha solitário. Praticamente uma compulsão sexual impossível onde apenas seu “órgão espérmico” se sentia confortavelmente seguro, acomodado e praticante de atividade física constante... Resolveu casar como quem resolve continuar dormindo em um domingo de manhã chuvoso. Deixou no ar como queria sua vida e esposa. Alguma solitária respirou profundamente na sua feitura para o casório e apenas para ele. É ainda existem criações assim nos anos 2000.

Pouco tempo se passara desde o encontro dos dois. Hélios das Alamedas e Iris dos Cantos eram um casal comum de efeito celebridade: Gostou, provou, casou...Casaram em uma quarta-feira e pareciam... Bem. Trocavam ligações diariamente supriam suas solidões. No entanto eram completos desconhecidos vivendo em uma casa alugada longe dos comentários dos amigos e familiares presentes no fast married. Porque pelo menos deu tempo de chamar família e os da amizade próxima.

Foi assim, até a casa um dia se encontrar vazia. Iris se irritara com as novas atividades caseiras e com a faculdade iniciada para ser algo além de... Bom, já Hélios fingia até suas relações sexuais. Ela havia tentado uma vez não voltar logo no primeiro mês, mas a coragem virou uma ligação e lágrimas não compreendidas pelo marido. Ele se consumia com suas escolhas bobas, apressadas e imaturas. Mas Hélios lá sabia que cada idade tem sua maturidade?!

Decisões tomadas como uma noite de ressaca pra tequila. Para solidão acabar. Mas, na real ela parecia maior. Na verdade eles não queriam ficar sozinhos, mas nunca viram propósito na união deles. Sabe? O Amor. Havia o sexo e o silêncio. Ah, sim! E a solidão. Nenhum nunca fora de conversar e nem sempre a simples presença basta. A não ser se amassem um ao outro. Não aprenderam também... Abandonaram a união, aparentemente seus nomes e as pessoas ainda os acham naquela vida abandonada.

segunda-feira, março 15, 2010

Reencontros de quem não se desencontra

8 Tirei esta hoje enquanto parava a chuva de uma manhã. É o tema em si, pois muita água doce forma um rio, mas como temos nossos temperos... Formamos um oceano.

por Rafael Belo

Casamentos! Uma boa pedida para encontrar, ou melhor, reencontrar aqueles dos quais não nos desencontramos. Explico. Estes são família e amigos com os quais mantemos contatos, porém nem sempre, dificilmente ah... Quase nunca nos encontramos para abraços apertados, lembranças públicas e conversas olho no olho. E concordando com as pesquisas e contrariando a maiorias dos pensamentos... Como tem gente se casando! Não encontrei dados do ano passado, mas de 2007 para 2008 houve um aumento de 4,5% se aproximando de 1 milhão de uniões civis.

No trocar das alianças isso “não vem ao caso”. O fato é a confraternização da família, amigos e novas amizades. Tios, tias, primos, primas, irmãos, irmãs e quem ainda se encontrar por entre a gente - mesmo os faltosos são lembrados. Falando em lembranças... Como escapar da partilha daquelas recordações com risadas das estripulias infantis e adolescentes? Impossível. O jeito é gargalhar e ter uma boa memória de contrapartida.

Um casamento de segunda. Não é trocadilho maldoso. Foi em plena segunda-feira início de mês e querem saber... Foi incrível. Porque até os “incasaveis” casam. Eu sou bem família também sabem, mas andava no time dos faltosos e o motivo é simples: não os visitava e pouco falava com meus primos e primas. Até dois anos... Bem, três... Eu ia à casa de todos praticamente. Boa parte da infância nos encontramos e eu dormia na casa deles e a gente dormia na casa do nosso avó. Até não ser mais assim. E lá estávamos no casamento de um de nós. Nervosismo e felicidade.

Enquanto não começava ou seria: enquanto a noiva não chegava e meu primo sorria congelado de nervoso, eu reconheci um rosto sem reconhecer já sentado na mesma das minhas primas trocando upgrades de dois anos. Me virei para um movimento à minha esquerda. Nos olhamos e ela já me sabia, mas eu desconhecia a saber até ela passar, sentar ao lado e “toim” meu sorriso se ampliou. Ela e a filha clone. Sim porque a personalidade era idêntica da qual eu me lembrava na nossa adolescência e a maioria dos traços menos os olhos azuis. Sentei perto dos meus pais em seguida para esperar a troca de alianças. Foram trocadas. Emoção inevitável ou quase...

Fomos para o salão, voltei para resgatá-la(s) e sentamos todos na mesma mesa a apresentando. Conversamos o resto do casamento e dá-lhe lembranças. Só não disse ainda da minha felicidade ao vê-la há 14 anos chegar à minha festa de despedida... No fim da noite – simplesmente porque terça a gente trabalha né!? - são mais boas lembranças e o fortalecimento de laços não necessariamente estremecidos ou esquecidos. E viva a união dos casais verdadeiros de uma instituição sacramentada imune da falência anunciada.

sábado, março 13, 2010

Um gole de absinto

8 este era os fundos do meu antigo emprego devedor, havia de se caminhar entre uma pauta e outra e claro tirar fotos como esta.

Guinados a trajetória de um roteiro coletivo há o grito do indivíduo
dividido entre sonhos e capitais guinchados da parada proibida
na garagem de um emprego qualquer espelhado do mal-me-quer
da manada silenciosa da multidão clicada na palavra embriagada de estabilidade,

instável mental do tremor das mãos calejadas de incoerências linchadas
pela insônia sonâmbula de um futuro melhor marcado pelo suor sangrado
do correr da veias diárias nas vias sedentárias entupidas de veículos a mais
engarrafados na bebida mágica social dos bares da vida inchados de palavras vagas
e silêncios ocupados gripados da virose dos relacionamentos de oi e tchau,

alterados pela sobriedade mórbida de conviver com a dor, até precisar deixá-la por um gole de raciocínio.

Às 14h36, rafael belo (folha de outono), 02 de março de 2010.

quinta-feira, março 11, 2010

Eterno novo

*esta tirei de bobeira pela luz e pela textura e pelo ócio do tempo
Sol brilhe intenso sobre os tensos rostos da manhã
de raiados poetas adormecidos entorpecidos pela vida
reconhecidos na manha sã pretensa de se descobrirem
na janela aberta admirada de ti a invadir um sorriso

versado na rima de diluir a pele transpassada de motivo
para ser arrepio preciso de deleite na beleza de enxergar
em sentidos os corações guardados da alma do mundo a fluir
nos nossos nós fluentes parentes da redenção latente a revelar

entre os crepúsculos da alvorada e do ocaso nosso caso exposto ao dia
nosso fato exposto à noite em nosso sonho de se rebelar a arrebentação do novo eterno de se entregar.


09h30, rafael belo (folha de outono) 02 de março de 2010.

terça-feira, março 09, 2010

De tão igual

*nada mais comum e diferente: "All stars" ainda mais sob a luz do entardecer... (tirei faz tempo e há tempos quero utilizá-la...)

E toca o vento o silêncio de estar presente ao volante sem precisar acelerar
moda estranha de querer chegar antes na competição psicológica do tempo
entre o templo sagrado de ser com intenso sentido da lógica de existir agora

na glória de sentir o fluxo do movimento em troca da parada dos ponteiros
de pensar no próximo minuto e esquecer ao qual se passa, na velocidade
máxima da queda da lágrima da gratidão de haver tempo para olhar ao redor

a maior contemplação de ver o mundo girando anti-horário lento a se alcançar
o Amor te Amar de graça na doação das graças concebidas ao se tocar frescor
na brisa da vida vinda vaga para nosso lugar entregar no olhar do coração sobressalente
crente em poder aprender a ver o mesmo Amando em cada gente diferente de tão... igual.

1º de março de 2010, às 15h28, Rafael Belo (Folha de Outono).

domingo, março 07, 2010

Perda e ganho

 *esta flor me conquistou pelo contexto lá nos fundos do serviço também, boas fotos por lá.

Miríades de picadas vieram das caudas dos escorpiões
como mergulho amargo nos mar de águas-vivas das ferroadas fatais
mais mortais a qualquer fatalidade no mundo, a dor do fundo de perder
o nunca encontrado atado aos espasmos das lágrimas afogadas afogando
chuvas salgadas na expressão do corpo em sete vidas aprofundadas em laços

enlaçados nos aracnídeos na extensão de seu veneno mantendo a couraça no cais
da tentativa em massa de Amar além da palavra na proximidade do verbo
conjugado em infinitesimais vozes mudas no olhar terno sem a cegueira
de não chorar, quando o coração ameaçar rasgar por anjos caídos
e não passar por papel picado na poeira será o achado pranto
para a criação de asas e o voar.

Rafael Belo (Folha de Outono), às 22h21 de 27 de fevereiro de 2010.

sexta-feira, março 05, 2010

Casa dos Escorpiões – um Roxo a mais

* esta foto tirei de bobeira nos fundos do serviço, afinal subir no telhado por estes degraus é querer ficar lá em cima.
Por Rafael Belo

Bávaro Baas não parecia sequer respirar. Remexia os olhos lentamente para não fazer qualquer barulho, tentava não suar. Seus olhos foram se acostumando com a escuridão e as nuances dos Roxos começavam a ganhar formas para ele. Era o dilema fatal. Seria Baas passivo da vida ou ativo da morte? Esta parecia ser a neblina a começar a se diluir neste momento. Como se fosse o fim, não importava se da vida da forma conhecida ou de uma angustia carregada... Era esse o peso do ar.

A Casa dos Escorpiões estava gélida feita uma caverna Antártida em processo de derretimento. Havia uma gotejar constante e parecia haver estalactites e estalagmites por toda parte. Baas estava incerto se tremia pelo frio, pelo medo ou pelas possibilidades. O som de laminas afiadas sendo afiadas o estava enlouquecendo e ele se lembrava do motivo de seu ser biólogo: a Sanguinária. Sua tese PhD. Pela sua teoria da inexistência do isolamento e pela ferocidade aflorada do pseudoisolamento acabou se deparando com os escorpiões.

Para ele havia sempre conexões impedindo o total isolamento, o completo rodear de águas salinas. Subitamente ele sentiu sua mente formar frases e direcionamentos rústicos como desenhar na areia. Direcionou os olhos calmamente para um palmo diante dos pés e lá estava um tremendo aracnídeo roxo balançando o ferrão na altura de seu pescoço ainda avançando com suas pinças para seus tornozelos. “Não resista. Não resista e tudo ficará bem!” eram palavras formadas nas areias da mente e dentro dos olhos. Ele cedeu.

Sua sina seguia passo a passo em revelação em um cinema particular dentro de sua cabeça. Parecia haver curiosidade em cada Roxo presente. Eles o circundavam o tocando gelados. Eram espirais bailarinas andando de grau em grau em frente. Seu medo dispersou e ficou tão maravilhado a perceber seus tensos músculos sorrirem por todos os poros. Não sabia se viveria, mas poderia morrer feliz. O mesmo Roxo a o conduzir revelava um caminho de justiça e predestinação. Esta era a parte da história desconhecida por todos... Até por Bávaro. Na parte interna da buchecha esquerda havia uma mancha roxa vista por ele pelos olhos do líder escorpião.

Bávaro Baas. Descendente do único humano a ver tanto Sanguinária quanto a Casa dos Escorpiões, agora a custo de sua vida dividiria a alma com os Roxos e guiá-los-ia rumo aos males para sempre tortos exalados pelos humanos. Não teria limite de existência, mas tão pouco existência teria.

Seu dever era o anonimato da Casa e o fim do apocalipse da crise da falta de escrúpulos e de consciência abalando a Terra. Roubaria a vida de ladrões. Mataria assassinos. Dilaceraria estupradores. Aniquilaria covardias. Bávaro Baas Roxo se encontrava agora com todos os ferrões deslizando cortes suaves na garganta, cada lâmina pincelada no corpo e uma tatuagem em veneno dilatava como uma couraça em sua pele. Era um Escorpião Roxo pela eternidade a lhe restar.

quarta-feira, março 03, 2010

Casa dos Escorpiões

* esta foto foi alterada para não ser identificada a casa da qual tirei foto e pertencente aos escorpiões (rs). Este abaixo da foto erapara ser miniconto, no entanto não sei ainda quando acaba mas vamos em frente ...
Por Rafael Belo

Olhos atentos e faiscantes vasculham o local cheirando a óleo rançoso se movimentando no ar. As mãos baixas na altura da cintura prontas para uma eventual proteção. O coração tamborilando na espreita de algo estar fazendo o mesmo. Milhares de olhos o medem em arrepios desencorajadores. Como bom biólogo, Bávaro Baas acabou nesta situação encurralado na Casa dos Escorpiões. Trêmulo a cada cadência de pinças atiçando seus ouvidos, sua tensão aumentava.

Pareciam recortes afiados de lâminas o perseguindo. Ameaçadores na escuridão aqueles seres aracnídeos amarelos alaranjados estavam sendo invadidos por uma pessoa “comum”, pensava Bávaro. Contudo toda história com escorpiões começa com uma maldição e sempre há um porém e Bávaro era o próprio. Na casa destes gladiadores de oito patas não havia um com as cores esperadas e transformadas em lendas urbanas na cidade de Caosina, em algum ponto onde em épocas distantes a Amazônia e o Pantanal se encontravam.

Nada podia ser mais úmido. Habitat ideal para o Roxium Intelectus Aracnidium. Sim... Eles são roxos, marrons e o mais inusitado neste espécime é a inteligência. Eles podem julgar uma pessoa boa ou ruim por meio de uma secreção escorrida com o suor e só então se defendem. Como os demais da espécie se alimentam de baratas, insetos, mas eles também gostam de ratos e morcegos. Medem pouco mais de uma palma e gostam de viver em grandes grupos isolados.

Bem, a história de Baas avança alguns milênios da criação desta espécie desconhecida. Uma tempestade de granizo devastadora havia destruído aquela habitação de onde jamais haviam saído os escorpiões roxos e em busca de nova morada entraram em uma mansão ilegal na beira de um rio imenso. No local, contrabandistas enraiveciam onças pintadas para elas devorarem gados e seus respectivos donos. Assim, afugentados os proprietários e com acesso livre às fazendas, utilizavam os lugares como cativeiros. Não se perguntaram sobre as consequencias de alterar e tentar controlar a natureza. Terminaram devorados eles.

As onças soltas passaram a caçar todos na região até a remota isolação total do local. Começaram a se alimentar umas das outras e por fim sobrou uma. Conhecida pelos sobreviventes locais como Sanguinária. Ela deixava inconsciente o abate e o arrastava para a Mansão Sem Vida. Os escorpiões chegaram à mansão e se depararam com o animal além de selvagem, com uma pessoa presa nas mandíbulas. Decidiram salvar aquela vida desprovida de medo e de pecados contra os seus. Em um grupo de centenas atacaram e despedaçaram Sanguinária. A partir deste momento o sangue alterou os hábitos dos roxos e a lenda urbana começou. (Continua na sexta e ...)

terça-feira, março 02, 2010

Aracnídeos “picantes”

Por Rafael Belo *o santo coqueiro do meu quintal - tirei há alguns dias.
Nesta época de chuvas torrenciais de verão e calor estalante - de tão escaldante, traz além do abafamento e mormaço ao qual nunca nos acostumamos (bem, a não ser cuiabanos e varzeagrandenses nativos ou por adoção) os “queridos” animaizinhos peçonhentos. Você dá falta das baratas assombrando sua casa em companhia dos ratos de forro e morcegos? Nãoo! Mas como não?! “Eles” sempre parecem familiares ladrões das madrugadas pulando no telhado, derrubando as coisas e as “baratinhas” sombras correndo pelo chão... De qualquer forma, de repente, eles não estão mais lá. Só nos damos conta quando aparece um arremedo de escorpião. Um filhotinho nada gracioso, a não ser para biólogos e amantes aracnídeos.

Então, ao tomar banho você acha um maiorzinho mais agressivo preso na banheira por pura incapacidade de escalar a superfície lisa, já que os banhos por lá são constantes. Há aquele anúncio de repetição vem uma pessoa da casa, vem outra e claro, na voz das mulheres, “mata!” “mata logo!” “Credo, este bicho é perigoso!” “Coloca fogo!” Olha só os requintes de crueldade feminina (brincadeira?). Quando se dá conta estão todos rodeados na varanda escura dos fundos jogando álcool na criatura “malévola”... Bem... Em vão! Nada queima mesmo fósforos após fósforos riscados.

Se pega as folhas secas mais próximas e nova tentativa e falha. Bem e agora?! Não importa o quanto ele foi esmagado pela pazinha de lixo pelo patriarca da casa fazendo barulho de pinças se debatendo e jogando a cauda venenosa e certeira até depois da morte, enfim tem que queimar, pois “o veneno ainda está lá?! “Pega o jornal lá” e você sai em mente com os últimos classificados do jornal de maior veiculação local. Fogo e nada de queimar o “tinhoso”. Enrola o aracnídeo mortinho da silva no pedaço mais longe da sua mão do jornal e o leva à churrasqueira mais próxima, assim bem ao lado. Lá dentro você dá início ao incêndio em diversas pontas do jornal e fica assistindo e sufocando até que finalmente... Finalmente... FINALMENTE... O escorpião é cremado e ficamos ali contemplando...!

Dias depois uma nova dupla aparece em rixa perto do vaso do banheiro maior. Consequentemente a paranóia justificável está instalada. Pânico. Como dedetizar os picantes escorpiões peçonhentos amarelos e alaranjados? Não há como?! Sim claro!?! Como assim??!! Só com armadilhas. Pelo menos não há mais ratos e baratas... Mas, enquanto isso evitemos levar uma picada tapando ralos e cada ligação com tubos e encanamentos, afastando camas e outros móveis das paredes, vasculhemos calçados, roupas e demais acessórios antes de tocá-los permanentemente e acabar surpresos com uma picada demaispordolorida durante as próximas 12h ou 24h.