sexta-feira, março 24, 2017

Vou lá (miniconto)


 
 
por Rafael Belo

“Envolve o plano com o fundo e o desejo é se entender...” Há quantos anos esta frase anônima está pichada na parede da frente de casa? Qual o motivo de nunca terem pintado por cima? Até parece! Não vou fazer isso mais uma preocupação inútil... Mas, aquele contorno no final é a assinatura do anônimo. Só hoje entendi, é a silhueta de uma borboleta. Ainda não sei o significado... Às vezes, nem existe... Uma borboleta está sempre envolvida com algo, principalmente ela mesma... Além da beleza natural...

Naturalmente, eu me separo de mim. Fico assim como todo mundo: perdida, carente... Agora fico imaginando o quão mal me relaciono comigo, o quanto abusei de mim sem me permitir ser... Meus planos nunca foram meus e meus desejos nem sei quais são de verdade... Fico pensando sobre a quantidade de desejos direcionados a Deus e o número incontável de pessoas afirmando com intensidade merecerem... Rá! Este tal de “EU MEREÇO”... Eu mereço, viu! Devo ter ficado pronta só hoje para enxergar de verdade nestas palavras ali de aviso! Agora elas me causam um impacto... Apenas neste exato instante elas realmente mexem comigo!

Choro, sim! E daí?! Sempre achei me envolver totalmente por aí e não era nada assim porque se começa com achei... Já está tudo perdido! Cara! É tão fácil ser cega e seguir batendo, trombando, apanhando e justificando como se não merecêssemos o melhor, como se não houvesse pessoas capazes de sempre melhorar por aí, mas queremos consertar quem não quer conserto, conquistar quem só quer conquistas, prender quem só quer liberdade e... Envolver-se é se libertar, se libertar é Amar e... É isso! Amar é se envolver antes de tudo com cada defeito próprio e não se envergonhar!

Quem diria... Realmente está nos detalhes ou... Em uma frase! Seria a mesma coisa mexendo com a gente, nos cutucando, puxando aquele sentido para o qual nos fazemos surdo e eu aqui, disposta a me ouvir, a me tocar, a me enxergar...! É Bélia, faz sentido todo o despojamento dele, a paciência, a alegria e eu querendo um reflexo de mim. Eu me sirvo assim e nem preciso de espelho para me ver mais. Quanta satisfação não cabe em mim mais. Eu me amo e me aceito, menos nos meus três dias de ápice menstrual e isso não é problema nenhum. Será possível recuperar o celular dele sem ter de pedir novamente... Ah, que se f...! Vou lá na casa dele!

quinta-feira, março 23, 2017

Regando o éter



abraçam-se as pétalas das brancas rosas novas mais uma vez
reis entregam as coroas para as rainhas floridas envolvidas com a vida da desfaçatez
tez contando as marcas expressas no rosto exposto na galeria do dia
via de mão dupla invertendo a contramão ao avesso do sentido de união


preenchem-se os vãos com abraços sinceros sorrindo evoluindo as flores se entregam
regam o éter com a Alma fluindo atraindo o bem o bom magnéticas
poética forma contendo a libertação cibernética na genética das estrelas do humano divino
destino menino de tantos séculos nos dando crédito de o domar demoradamente de mansinho
passarinho toca o violino sem mexer o bico quando rompemos o comportamento bovino
pastamos um ruminante instante até ele ser eternidade engolida na Palavra investida Verbo para nos enlaçar na declamação em ação.

+às 10h10, Rafael Belo, quinta-feira, 23 de março de 2017+

quarta-feira, março 22, 2017

partindo e caindo (miniconto)





por Rafael Belo

Alia para onde você vai? Chega de ficar falando sozinha, vagando invisível por aí. Ninguém me vê porque eu não me vejo. Mas, não é mais assim. Eu me enxergo, eu me envolvo comigo... Preciso falar no presente e estar presente. Ainda não sei aonde vim parar. Andei tanto tentando me livrar das ruas, das violências e hoje sou silêncio... Não quero mais este calar, preciso me soltar e expressar esta dor concentrada em tantas partes de mim.

Este tremor... De onde vem? Espere! Terremoto no Centro-Oeste? No Brasil? Só pode ser meu corpo entrando em colapso depois deste lapso mental. Surtei e daí?! Quem nunca surtou ainda vai surtar ou desenvolver uma doença descoberta tarde demais. Tarde demais? Tarde demais já é daqui a pouco... Eu admito – só para mim – ter abusado dos meus pensamentos, dos meus sentimentos, desta tal superação... PELO AMOR DE DEUS?! Eu comecei isso porque queria paz, nada mais. Mas, me perdi nos relacionamentos ruins... Envolvi-me e não me conseguia de volta. Vai embora! Não estou falando com você!!

Hei! Estou aqui! Não encare meus seios homenzinho!! Isto não cansa de ser abusivo... Mas eu nasci pronta e ninguém tem nada a ver com minha vida. Preciso tentar sozinha e para isto precisei ficar comigo mesma para ouvir, me permitir... Agora a necessidade maior é me localizar, sobreviver... Escolher me envolver e deixar o controle de lado. É impossível prever certezas, mesmo nas possibilidades visíveis nada sairá exatamente como imaginado, às vezes a realidade superar muito a imaginação.


É difícil me envolver com alguém... Alguém longe da minha lista de gostos e exigências, mas eu preciso gostar muito de mim, me envolver com meu agora, com cada hora... Voltar? Para onde? Estou voltando para mim. Apreciando minha companhia e a desnecessidade de dar satisfação. Posso fazer exatamente isso envolvida com outra pessoa, sei disso... Mas, não há desespero nem quando o tempo acaba. Meu tempo é outro e é só meu. É! Só importa para aonde vou... Ouviu? São minhas correntes partindo e caindo no chão!!

terça-feira, março 21, 2017

Eram quem fomos



envolvem-se as asas do inseto com o branco teto iluminado
emaranhado de ideias soltas loucas para realizar seu espalhar
pelos pêlos felinos entorpecido de sonhos do próprio adotar
ar rarefeito feito de vazamentos de sinônimos anônimos do tempo acabado

não há nada além do agora enrolado no nosso pescoço tentando nos pendurar
no gosto da vida dissolvido na boca enquanto a lesma faz da zebra presa da hora
folhas caem no chão com demora simultaneamente tão veloz à sós

cós do barulho do outono sozinho esperando apertado a mão do destino
sino soltando som de badaladas na balada da noite calada nos vendo nos abusar

roupas se rasgam eram quem fomos envolvidos zumbis capturando apagados vagalumes iluminando nossos resgatados laços ainda em março.


+ às 22h46, Rafael Belo, segunda-feira, 20 de março de 2017+

segunda-feira, março 20, 2017

Autoabusivos






por Rafael Belo

Os laços estão guardados, protegidos de qualquer enlaçamento, ou melhor, envolvimento. Não queremos nos envolver e criamos mecanismos mentais, corporais e sentimentais para evitar “sofrer”, quer dizer, viver. Nunca estaremos prontos se assim pensarmos. Queremos nos defender de nós mesmos e não do outro e colocamos em mente termos o tempo todo do mundo. Não é verdade. Temos somente o agora. O momento de autoajuda escapando efusivamente das nossas mãos. É pura ilusão achar no passar do tempo uma cura. A cura para nós somos nós e a doença também.

Mas, é preciso resolver como lidamos com a situação. Precisamos de tempo e luto. Enfiar a cabeça no escuro e evitar o acontecimento das possibilidades só nos deixa no mesmo lugar. Não há regra para avançar, parar e recuar para enxergar melhor, para sentir com confiança e pensar com clareza. Vamos lá e tentamos uma vez, falhamos. Começamos a segunda tentativa para não conseguirmos mais uma vez. A terceira pode seguir os padrões, porém quem define os padrões não somos nós? Quem estica as noções de certo e errado? Somos tão clichês como sempre fomos... A única diferença é a roupa, às vezes nem isso...

Apegamos-nos ao nosso eu passado, morto, talvez por isso adquirimos um gosto tão especial por filme de zumbis... Chame Yung, Freud, nossos pais... O figurinista não vai resolver se ainda usamos as mesmas roupas e chamamos de vintage, se relacionamentos chegam ao fim e o nomeamos erros, se usamos um quantidade incontável de “ses” para decidirmos não decidir porque é mais seguro não se envolver. Seguir os impulsos e não pensar é um movimento libertador surpreendente matando nosso tempo particular fingindo um parar repentino deste quando quem para somos nós. Por que estamos presos neste ciclo falso de “é melhor esperar”?


Quando vamos estar prontos? Vivemos um relacionamento abusivo com nós mesmos nos privando das nossas responsabilidades de procurar a felicidade. Fragmentamo-nos em tantas rachaduras no espelho só para juntar tudo, grudar com fita adesiva, unir com cola quente, colar com superbonde, apenas encaixar como se ainda fôssemos os mesmos e no final nos dividimos. Estamos divididos em trincheiras de uma guerra desnecessária travada com nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossas vontades e nossas necessidades. Lutar tantas guerras simultaneamente desgasta nosso resgate deste naufrágio no qual insistimos em nos afogar. Para andarmos sobre as águas precisamos nos envolver com cada parte de nós, assim acabamos com a guerra e bem conosco nos envolvemos bem com o mundo.

sexta-feira, março 17, 2017

Alerta borboleta amarela (miniconto)





Por Rafael Belo

Do outro lado do pensamento Delira via os efeitos apontados pela atenção da borboleta amarela. Ela batia as asas e toda vez os efeitos mudavam mesmo com a causa sendo igual. Os danos faziam parte dos ganhos e as perdas também vinham com benefícios. Nada é como já foi, assim pensava Delira. Há tantos efeitos por aí. Eu só enxergo defeitos. Faço a única escolha coerente na minha mente e a repito diariamente até ela estar tão gasta, mas tão gasta... Parecendo não haver nada mais e com minha opção respeitada, não, não há mais nenhuma. Se não mudamos e crescemos juntos algo fica para trás, alguém para no tempo... Mas! Esta borboleta eu já matei!

Matei! Com certeza não é a mesma! Sinto ser, mas nego. Não pode ser. Não há lógica. Há sempre conseqüências, não é? Onde estou? Ah, ai está a borboleta amarela... Ela está me encarando? Mexe as asas como se manipulasse todas as opções e escolhas...! Ela nunca apareceu em Efeito Borboleta, sabe? O filme! Toda mudança tem conseqüência. O universo não deixa nada impune. É isso! Não? Há varias formas para se chegar ao mesmo resultado ou há vários resultados para a mesma forma? Há livre-arbítrio ou o resultado é sempre o igual? O destino está sempre nos esperando, então... A sina faz parte? Este lado negativo do destino...

Está tudo apagado há escuridão e branco. Não tenho idade para pensar em fugir do Alemão atingindo tantos idosos hoje ou só penso não ter? Esqueço normalmente como todo mundo... Não! Não pode ser assim. Recuso-me a acreditar ser sempre uma coisa ou outra. Devo estar no passado, mas não quero me lembrar para não viver de recordações. Escolho o agora. Você me ouve borboleta amarela? Com este nada de brisa você cria tempestade em lugares em mim tão extintos quanto a Pangeia. Eu sou plateia insatisfeita e ingrata só de arremessos e vaias de mim para mim...

Eu não tenho fim? Pode me tirar de mim, borboleta amarela? Voe! Vamos, pare de me encarar. Leve-me para algum lugar. Já me sinto leve... Vamos? Nossa! Você parece os fantasmas dos natais passado, presente e futuro... Por que me faz intruso das minhas escolhas? Há tantas opções e tantos eus possíveis. Somos todos passíveis de quaisquer coisas, mas não sem optarmos por isso. Fale comigo, borboleta amarela? São mundos paralelos? Multiuniversos? Somos reais ou representações das nossas escolhas? Quem me representa quando não estou em mim? Seu amarelo, borboleta amarela, não tem nada de alegre é só um alerta de quanta loucura podemos escolher ser se não sairmos do lugar.

quinta-feira, março 16, 2017

maçãs no ar



maçã mordida mordisca nossa língua nos morde de volta
há uma reviravolta na origem da virgem ideia de ideal
pecado parasita patrocina nossa mania de ser item de série opcional
bem mal habita o mesmo pensamento desejo devora dúvidas e silêncios

um fechamento faz você tentação emoção da adrenalina em combustão
fogo fácil foco pelo corpo torto se contendo contorcido de lábios  intensos
penso não querer manter o original habitando desproporcional em mim o animal

solto sozinho saí em disparada na própria revoada de nadas deitados de costas
notas nascem nas nascentes das frutas caídas envolvidas anônimas enxurradas

brota uma escada no deserto dos grãos de areia escolhidos há pedras atiradas na subida rochas infinitas na descida e no ar uma semente esperando ser pomar de macieira de uma só mordida do começo.


+ às 23h48, Rafael Belo, terça-feira, 15 de março de 2017+

quarta-feira, março 15, 2017

Desrrobotizar (miniconto)




por Rafael Belo

Há dias Lela acordava faminta, mas não comia nada. Saia do esconderijo e se imaginava comendo todos os seus desejos, todas aquelas opções e não fazia escolha alguma. Iria morrer no dia seguinte. Enquanto isso, imaginava todos os seus relacionamentos intimamente amorosos se enfileirarem diante dela para a pressionarem a escolher de uma vez por todas. De formas tão distantes da realidade a ponto de ser comparado ao ex-planeta Plutão. Mas, não havia a mínima razão ali.

Toda aquelas representações seriam alocadas por Freud e seria ceci n’ est pas une pipe. O famoso isto não é um cachimbo de René Magritte. Isto não era uma vida, era representação de uma parte ínfima, pequeníssima da possibilidade de sobreviver. Lela estava longe sem nem sequer cogitar contar a alguém sobre o próprio fim. Sentia-se pela primeira vez sobre controle sem estar realmente porque agora precisava ficar descontrolada. Todo o controle era só imaginação diante de escolhas parciais feitas por Lela.

Nunca abriu mão de nada e colecionava somente as partes vazias dos copos meio cheios. Olhava em desespero pela primeira vez para si e via, não se encontrava. Não sabia onde estava. Havia tantas opções de quem era e ela, em espera, escolhia incertezas. Saia de cada relacionamento antes de desandarem. Previa, seriam como os anteriores. Então, quando sentia os sintomas espreitarem, não permitia nem se aproximarem. Terminava para não sentir dor e sentia toda ela.

Olhava pela janela tão pequena da própria cela diminuindo e não se responsabilizava. Não se sentia responsável por nada. Agora vagava uma gota d’água no oceano… Ainda assim não se importava e queria entender o motivo da desimportância. Entendia, Lela, estar desconectada por opção. Na verdade tinha medo do turbilhão de sentimentos juntar a gota isolada com todo o oceano acenando ela porque era ela toda aquela imensidão. Com a compreensão buscou e encontrou todas as lágrimas a desrrobotizando.

terça-feira, março 14, 2017

pendurados



podemos ser oceanos mesmo quando gotas evaporando por aí
caí na maré pela fé nos grãos de areia em tantas praias para boiar
salinos temperando a terra contando as opções pelas escolhas fazendo ondas
prontas para invadir conquistando a tentação permitida pelo desejo de ser tentado

quando se acerta o ditado o pecado já mora em nós
deixamos entrar nosso próprio algoz o carrasco nos destrói
fizemos nossa própria opção constrói simultaneamente corrói

rói traumas comparações ideais conspirados nos ouvidos
tiros sussurrados nos buracos atirados no nosso peito aberto

certo chamo culpa calando relações com ideias estúpidas penduradas ao passado.


+ às 00h48, Rafael Belo, terça-feira, 14 de março de 2017+

segunda-feira, março 13, 2017

Terceirizar as responsabilidades



por Rafael Belo

Estamos em um oceano cada vez mais amplo e ainda assim o mundo é uma gota d’água. Há tantas opções nas distâncias agora inexistentes e, ao invés, de facilitar nossas escolhas, complica. Mas, complica pela nossa covardia diante de tanto perder para um ganhar. Isso porque, os valores dados a perder e ganhar podem ser invertidos pela forma da aquisição da nossa experiência e, sempre, diante da nossa interpretação. Somos nós os responsáveis por quem está em nossa vida.

Ainda vale mais uma pássaro na mão a dois voando, mas continuamos nos enganando querendo qualificar e pontuar a abstração do outro como se fosse concreto, como se as situações não exigissem posições diferentes e pensamentos e sentimentos não entrassem em conflito. Somos fracos em manter nossas escolhas diariamente e fortes ao mudar para a grama mais verde sem nem saber se há essência nesta aparência. Só há tentação se nos permitimos ser tentados.

Para o ego ter muitas possibilidades é uma massagem. É óbvio, nos sentimos bem.  Mas é muito melhor conquistar de novo o mesmo depois de conhecer mais profundamente todos os tijolos e o cimento unindo, permitindo a construção se manter. Não vejo escolhas erradas nas nossas vidas, mas formas erradas de lidar com cada uma delas. Vivemos de comparações e traumas cheios de ideias de conspiração aumentando as discussões sobre a relação.


A ideia é compartilhar a felicidade, confiar e não deixar uma relação onde projetamos pesos e expectativas seja a sombra de todas as outras relações. Preferimos ser gota d'água a oceano indo na incerteza de tantas possibilidades a incerteza do conquistado. Somos incertezas, estamos em construção e precisamos viver na certeza de tentar melhorar nós mesmos diariamente. Estendermos-nos ao outro, o qual escolhemos dividir nossa vida e quem somos, é não escolher quaisquer outras opções e só nós podemos ser responsáveis. Por isso, escolho apostar tudo para ter certeza de estar inteiro e no meu melhor.

sexta-feira, março 10, 2017

O mais Buscado (miniconto)





por Rafael Belo

Estava se debatendo o coração no chão. Pelo menos em partes, pois, estava espalhado por toda parte. Pulsava resistente criando cada pedaço seu próprio inteiro até ficar sem proporções. As emoções compartilhavam em empatia renascendo o incondicional ligando os dados da web no atual sistema onde o Wi-Fi ainda não é democrático. Faz-se um ruído estático e toca uma ligação.

Sensações arrepiam quem está do outro lado da ligação confirmando o sétimo sentido conectando a alma direto a outras conexões. O acidente não parou outros veículos, só deixou vários indivíduos curiosos. Conheço o casal caído? Então, passavam se sentindo aliviados sabendo de alguma forma não haver morte ali. Parecia mais vida. No meio daquilo tudo havia Amor.

Passava de uma rápida sensação ruim para de esperança, felicidade, alegria e dúvida. Como era possível haver Amor ali. Mas, era uma pergunta com resposta. O Amor não é uma aposta. É certeza quando se sabe ser único na encarnação do infinito, da paz de um indivíduo capaz de ser coletivo e muito mais. Está inteiro mesmo ao se partir, doar o possível para outros também estarem no evoluir.


O milagre visto por ali no fim da madrugada, na rodovia cortando todo o país, espalhou como meme nas redes sociais. Em poucos instantes o mundo todo se admirava. E se estava viralizado na rede mundial com menções e citações ultrapassando a Lava Jato e a Odebrecht, só podia ser real. Agora toda vez ao abrir o Google apareciam hashtags: o Amor não acaba, O Amor não morre, e seus derivados. O Amor voltou a ser o mais buscando.

quinta-feira, março 09, 2017

a razão é outra





arrancados olhos cavidades escuras expostas enquanto glóbulos explodem
dois universos vazios buracos negros do corpo sugando nos engolem
mastigam nossa cegueira sem sentir nada danada devoção contra a solidão
vão valendo valas de sentimentos enterrados sobre restos totalizados fragmentos

coração em vão repete o refrão da imaginação do sentir
extorquir a cegueira assombrando a escuridão
doam-se córneas na morte da dor sofreguidão

as sensações sentem a pele pela primeira vez
emoções tamanhas apanham da insensatez

a razão é outra arrasando quando sabe partir surgir verdadeiramente Amando ser Amor.
+ às 00h58, Rafael Belo, quinta-feira, 09 de março de 2017+

quarta-feira, março 08, 2017

Não sei lidar (miniconto)




por Rafael Belo

Escandalizados estão os corações neste momento de orfandade. Foi-lhes dito: o amor morreu. Mas, confusos, cada coração o matou do seu jeito e deixou para a posteridade a dor atribuída a este diminutivo derivado de fragmentos. Só poderiam despedaçar em uma automutilação lenta e selvagem. Uma gritaria convulsiva postada em todas as redes sociais saturadas de exposição recebeu curtidas para constar: eu presto atenção!

Eu ali, um pouco em cada pedaço, fazia estardalhaço com pequenos dramas na lama das plateias íntimas. Há uma descrença, uma falta de fé dolorida, mas a comitiva ateia acredita no sofrimento, na pobreza de sentimento chamada na superfície da poeira de qualquer nome. Porém, toda a preferência é para chamar de Amor. Chamando assim também, o outro no próximo relacionamento em um desmembramento de desejos repetidos e continuados neste quebra- cabeças tumultuado.

Vendo-me a preço de banana… Não, me perdoe a descontração. Estou todo contraído aqui me vendo esquartejado no meu suicídio. Nesta projeção querendo velocidade nas expectativas rabiscadas no rascunho dos papéis amassados já no lixo. Como um bicho, mexo, remexo… Sou prolixo. Reaproveito restos de celas para formar novas prisões em outras versões disfarçadas de projetos de entrega, ali só para o esfrega-esfrega na minha cara fingindo não perceber o novo no velho não querendo morrer.


Conto as decepções as remoendo, me doendo de mim novamente, vítima dependente do vitimismo. Arranco um olho para ver se viro rei.Mas, ei! Que rei sou eu? Arrogante e egoísta, machista em um mundo de mulheres. Ainda sou mulher usando do outro gênero para me negar rainha. Vivo das migalhas do que fizeram do amor porque se tiver O Amor serei livre de verdade e com a liberdade de verdade, não sei lidar.

terça-feira, março 07, 2017

sempre inteiro



fragmentos de Amor lampejam a Luz no túnel dos sentimentos
onde derivados do amor são devorados vorazmente
impunemente o fim não acaba encarna acontecimentos

completos no drama pós-almoço dispostos a ser disponíveis
inesquecíveis para si mesmos brinquedos prontos para não repartir
discretos quando as expectativas não param de rugir e ruir

animal humano digladiando narciso impreciso quando o maior preciso é não fugir
partir a si em falsas liberdades voando na redes das inverdades feitas para reais borboletas
espetadas nas cortadas asas das admiráveis vitrines dos valores desiguais

há um preço no apreço pela prisão de ser a mesma estação quando há outono inverno primavera verão onde o Amor está inteiro sempre primeiro multiplicação.


+ às 00h40, Rafael Belo, terça-feira, 07 de março de 2017+

segunda-feira, março 06, 2017

Pequenas luzes refletidas do Amor



por Rafael Belo

Há tantas formas de se relacionar nesta extensão virtual de nós. Tornamo-nos trocadores de likes, interpretadores de indiretas, avaliadores de hahaha, desculpe é haha só, uau, amei e grr. Na hora do diálogo aparecem centenas de páginas em branco e sorrisos amarelos. Naturalmente é possível ir para os ditos finalmentes sem antes, durante e depois. Mas, nosso coração está distante dos nossos pensamentos e mesmo assim eles estão em conflito. Ao mesmo tempo do querer, há o medo de sofrer e de se machucar de novo. Quando vamos em fragmentos para onde deveríamos estar inteiros nada acontece de verdade, é só um trailer bem editado.

O filme na verdade é bem ruim nem valeria à pena assistir porque a vida não é um filme, porém, precisamos praticar para aprender e nos permitir. Somos protagonistas mesmo em plena amnésia alucinatória do nosso amador coadjuvante, escrevemos nossa história. Óbvio. Existe o medo, a insegurança e todos os obstáculos para vencermos. Demoramos para entender e, às vezes, nem entendemos qual é o nosso caminho, mas temos uma necessidade imensa de compartilhar, torcer por alguém, ter alguém ao nosso lado, mas quase a totalidade dos nossos relacionamentos estão longe do Amor. Cobramos presença, reciprocidade, satisfação, atenção, carinho... Amar é espontâneo, é soma, é liberdade, leveza e totalmente de graça.

Se precisarmos cobrar, já tem algo errado fazendo ruídos de correntes arrastando no chão. Não nascemos para sofrer, nem perder, é uma questão de ângulos do olhar. Estamos evoluindo – ou pelo menos deveríamos. Honestidade e sinceridade são os melhores guias e olhar pela visão da outra pessoa também. Não somos donos de nada nem ninguém. No entanto, jogamos expectativas para toda parte e deixamos de somar para dividir, diminuir... Vejo anulação, acúmulos, parcialidades e submissão por toda parte, presentes em relações nada saudáveis. O Amor não é cego. Cegos somos nós com nossa arrogância e egoísmo pintados na aparência, peso, conhecimento e tão pouco discernimento quanto à pequenez da alma. É fácil matar a palavra amor e seus derivados, mas o verbo, a encarnação Amor não acaba, não morre.


Somos fortalecidos por Ele. Os relacionamentos vividos por mim e aqueles do meu conhecimento não me deixaram hoje só, pelo contrário, me esvaziaram de preconceitos e clichês para um novo eu crescer. Precisamos estar bem e saber sermos inteiros para abrirmos a mais tenra intimidade para o outro. Não aquele a nos completar, mas a caminhar conosco. Somos completos. Somos inteiros. Quando formamos casais de qualquer gênero só precisamos estar dispostos e disponíveis a sermos mais livres, além de entender o caminhar juntos, mas individualmente nós mesmos. Até lá, viveremos fragmentos, lampejos, pequenas luzes refletidas do Amor.