terça-feira, agosto 23, 2016

Quando nós





Chuva corre corrente na vertical vem ventando veloz
violentas vertigens vingadoras vazando vários véus
no som do rasgar do céu chacoalhando curtamente
cada mente mantida mecanicamente refém rindo regularmente
do mesmo trem trilhando trilhas repetidas até descarrilar no ar

perdendo perspectivas perpétuas pela paulatina particular efemeridade
enganando campo-grandenses e paulistas geograficamente gerando grunhidos
gemidos sobre ser sobretudo questão de lugar lentamente libertar maturidade

questão de idade no tempo cíclico causando contato místico mastigando milimetricamente o demorado círculo perfeito soltando o jeito da pressa que apressa a noção do agora quando o tempo do relógio somos nós.

(às 01h01, Rafael Belo, terça-feira, 23 de agosto de 2016)

segunda-feira, agosto 22, 2016

No agora


Uma tempestade com hora marcada e 97% de chance de acontecer parece sinônimo de ficar em casa, mas não. Ela é tão pontual a ponto de chegar antes do previsto para não correr o risco de se atrasar, mas vem a quase 60 km/h ventando tudo pelo caminho. Voam cadeiras, caem árvores, acaba a energia, telhados viram folhas de papel, caixas d’água perdem suas tampas, tampas são encontradas nos quintais de vizinhos, tentamos nos proteger, nos abrigar, mas diante da natureza só nos resta esperar. Então, nos perguntamos: quanto tempo mais?

Esperar não é nossa melhor qualidade e não somos exatamente fenômenos naturais, mas como o clima, podemos sair do calor e da calmaria para tempestade e o frio sem nem percebermos. O céu azul e firme pode nublar e despencar em um piscar de olhos para culparmos a temperatura nos isolando em fantasias distorcidas nos buracos dos nossos caminhos. Só nos juntando iremos controlar o tempo, fazer chover e abrir o sol necessário para cada passo dado por nós. E se esse passo for uma dança... Se pudermos dançar, por que não dançamos?

Isso mesmo! Por que não damos ritmo e empolgação para tudo? Por que não tentamos acreditar de verdade? Quando vemos as tempestades se aproximando e sabemos à hora exata do despencar delas, nos preparamos... Temos todo tempo do mundo, mas preferimos fazer outras coisas a nos preparar para o porvir. O que virá senão frutos daquelas sementes plantadas por estas nossas mãos? Estes frutos não darão sementes? Estas sementes não precisam ser plantadas? O vento não semeia?


O vento pode nos levar para toda parte, mas há outras possibilidades para seguirmos. Se não somos resistentes, precisamos nos tornar ou, então, nos resta realmente esperar e teimosamente reerguer a mesma estrutura adivinha onde... No mesmo lugar. Mas não podemos controlar outro tempo se não o nosso, não podemos soprar outro vento se não com nossas bocas por meio dos nossos pulmões, se o fizermos por mais que aconteça os 97% os três por cento de esperança serão mais fortes porque a perspectiva do relógio é sempre um ciclo em um perfeito círculo que demora ou se apressa, apenas diante da nossa noção deste nosso tempo acontecendo apenas de uma maneira: no agora.

domingo, agosto 21, 2016

Clássico Tesouro (resenha)



Mais uma vez revivi a amizade, a união, a inocência, a aventura, a liberdade, o sonho de toda criança de mostrar do que é capaz... Em Os Goonies, criado por Steven Spielberg e escrito por James Kahn edição de 30 anos, a Darkside não deixou por menos nossa nostalgia com uma fantástica capa encadernada e esta viagem da memória só faz bem a cada página. Não lembro se foram Os Goonies ou a Coleção Vaga-lume a vir primeiro, mas com certeza influenciaram toda minha adolescência.

Andy, Stef, Dado, Bocão e Gordo foram criados há 32 anos em um lançamento simultâneo na literatura e no cinema, desde então, acompanhamos e vivenciamos a história do narrador em primeira pessoa Mikey, que leva toda esta sua turma em busca da lenda do tesouro de Willy Caolho. Será que podemos ser adolescentes outra vez querendo salvar todo o bairro de ser vendido e assim sermos levados à sério e voltarmos a crescer.

Controlar o portão destino já passou pela cabeça de todos, mas imagine como fazer acontecer com um Sloth contigo? Se você já leu e/ou assistiu sabe do que escrevo... Será que conseguiríamos salvar nosso bairro e nossas casas? Fugir do perigo? Com certeza não assisti a estreia do filme, mas alguma das reprises na década seguinte quando já era um clássico (pelo menos da sessão da tarde na época) e todas as vezes que passa desde então. É o tipo de filme que se você não assistiu podemos alegar que você não teve infância...


São 240 páginas, mais um mapa do tesouro, um epílogo do destino dos personagens feitos para nos fazer reviver as armadilhas e artimanhas do pirata de mais de três centenas de anos: Willy Caolho. Quantos tesouros e cavernas não procurei e ainda me despertam os sentidos da aventura por causa deste filme e esta edição especial faz o mesmo. Quem topa (re)assistir esta viagem no tempo?

Está fazendo o quê?! Vai ler agora e garantir que novas gerações o façam também.
*
Tradução Cecilia Giannetti 2012. Original 1985 warner books edition

sexta-feira, agosto 12, 2016

Perdida (miniconto)



Pérola estava perdida há horas naquelas ruas escuras. Ela nem sabia mais se estava no mesmo bairro, na mesma cidade, seria o mesmo planeta? Não, ela não é uma má motorista, pelo contrário Pérola é piloto de testes da Fórmula 1, enfim achava ser uma chance muito remota do mundo machista abrir espaço para ela disputar os Grandes Prêmios já que apenas cinco mulheres o fizeram de fato e só Leila Lombardi chegou a pontuar... Bom, Pérola estava cansada, a vista focava coisas diferentes...

Tenho que admitir: Estou perdida. Dói, mas ainda bem... Estou sozinha! Isto é realmente bom? Homens se perdem o tempo todo e beleza, mas mulheres se perdem uma vez e são barbeiras, blábláblá, um perigo e blábláblá... Preguiça de conversar até comigo mesma sobre esta besteirada ainda mais agora... Bem poderia ter sido antes... Beeemmm antes!  Anos de noivado, moramos juntos, casamos e aquele desgraçado! Uma mensagem no whats! UMA MENSAGEM NO MALDITO WHATS...

A palavra mais clichê do universo odiada por 20 em cada 10 mulheres: “tenha calma”... Hum... “Ele merecia” pode desbancar “tenha calma” a qualquer momento e a bandeira da “ódiolândia” vai subir quando a medalha de ouro for conquistada por mérito... Qual seria a música? Claro Ódio da banda Luxúria... É realmente meu castelo caiu, eu cai e estou aqui, mas não vou mais alimentar este ódio, nãonãonãonãonão... Meu estômago dói só de pensar na medalha de bronze “foi melhor assim”...


Por que todo mundo sabe o “melhor” pra gente e a gente não? Quando vou ter coragem de contar para todo mundo, heim? Já não basta minha dor ainda tenho que aguentar a opinião dos outros, a fofocaiada pelas costas, as perguntas... “Sério?!” ou a pior “tem certeza?!”... Aiai quando minha irmã souber... E meus irmãos... Pior vai ser quando meu pai souber... Hum... E minha mãe que gostava mais dele que... Ah, que vontade de gritar todos estes palavrões que você aí conhece... Quanto tempo isso vai durar? Se soubesse seguir só em frente não me perderia nestas ruas escuras... Meu celular acabou a bateria... Droga! Estou perdida!

quinta-feira, agosto 11, 2016

Brinquedo parado



passageiras pessoas pedem perdão para permanecer
partem partes pelo perigo pairando por perecer
em um minuto muito morreu sem ninguém perceber
a vida vai viajando em nuvens em cada entardecer

anoitecem as alianças presas nos dedos sem amanhecer
o tempo é um brinquedo parado sem nos permitir o conhecer

o certo estava errado o errado estava certo tudo pode acontecer

certezas e incertezas são do avesso quando o muro balança ao vento
caem sentimentos no balanço e o coração arruinou todo batimento no chão

abaladas baladas badalam bastante até o instante de derrubar o destino delinquente e se encarar de frente.


(Às 01h12, Rafael Belo, quinta-feira, 11 de agosto de 2016)

quarta-feira, agosto 10, 2016

Abelhas rainhas (miniconto)




Leire estava envergonhada de ouvir. As amigas estavam além do horizonte e ela não queria cortar o efeito do anticoncepcional, então... Enfim... Leire estava tomando diuréticos e isto já cortava os efeitos da pílula, mas a lógica aqui é que ela ficaria bêbada na segunda cerveja, mas como tinha tomado o anticoncepcional o primeiro copo seria o suficiente para ela se declarar bêbada. Queria estar consciente contar a “novidade” para as amigas, mas elas estavam se divertindo tanto que...

Um longo casamento tinha acabado e Leire não queria acabar com a festa também. Mas precisava muito conversar. Não queria um monte de consolos, um monte de opiniões, culpar o outro, não, não e não. Não queria que falassem mal dele. Seu marido tinha sido excelente. Claro que aconteceram discussões, desentendimentos, brigas, coisas normais... Era ela quem tinha decidido seguir, mas nunca tinha falado sobre os problemas com elas, não todos. Ele era o confidente dela também.

Ele foi egoísta, covarde, não quis lutar por nós... Por que estou sorrindo enquanto estou mal e querendo chorar mais do que já chorei. Já chorei demais. Mas por quanto tempo mais vai doer... Não é dor. Já tinha terminado tudo antes de acabar. É esta ausência, este vazio e o orgulho dele. Orgulho, hipocrisia, a ditadura de dizer com quem conversar, o que vestir e mentir, mentir, mentir... Elas estão me encarando... O que disseram? Já lembrei. “Você está estranha... Brigou como marido”... Ah, nossa! Por que eu disse que não queria falar sobre isso? Só cutuquei a colmeia... Agora aguenta as abelhas rainhas...


Aquela noite não terminava... Aquele zumbindo falando de tudo desde o começo com detalhes não contados antes... Por que só confiava totalmente nele? Mas foi um alívio todas estarem pensando em mim. Ninguém disse para eu esperar, recuar, contornar, dar a volta ou passar por cima e parar, não ninguém disse nada disso. Elas me apoiaram para seguir adiante. Vou em frente... Meu celular... Preciso trocar o nome e a música! Por que ele está ligando?! Ah, é mensagem “estou...”  NÃO!! Ele está na porta...

terça-feira, agosto 09, 2016

Vestígios dos destinos



erros barram o caminho um ninho de cobras criadas
sangram picadas mágoas destiladas no tropeço da relação
gelos derretidos no coração antes da jornada terminada
a solidão escolhe muitas estradas não sabemos de nada

caem ciladas celestes como cometas competindo cansados
encolhem encontros enquanto enchem egos estourados
conflitos ditos mitos silenciosamente se calam

as rosam também emudecem raivas falam

devolvendo uma só direção medindo o peso do tempo
quando um só quer sentimento vestígios dos destinos matam.


(às 22h50, Rafael Belo, 08 de agosto de 2016, segunda-feira)

segunda-feira, agosto 08, 2016

Única direção





Retornamos, damos a volta, passamos por cima, recuamos, paramos, mas a única direção para nós é em frente. Vejo as pessoas nas ruas vivendo a mesma rejeição dia-a-dia, a mesma busca e juntos, na ignorância, cometemos os mesmos erros à espera de um resultado diferente. Nossos relacionamentos são assim e, caprichosos que somos, magoamos, transformamos afeto em ódio, mas dificilmente houve Amor realmente. Podemos negar, seguir nos iludindo, porém, no fundo sabemos: Amor se doa, soma, alimenta, incentiva, segue em frente, quer sempre o melhor para o outro e nunca é outra coisa além de Luz. É O verbo transformador.

Adjetivamos os vínculos e as pessoas com a palavra amor como uma imposição, feito uma obrigação para o outro se corresponder. Somos egoístas profissionais prontos a ditar regras e estabelecer ditaduras para prendermos aquela chamada por nós de ser amado. São tantos nãos colecionáveis misturados a uma quantidade de machismo a ponto de obscurecer uma aliança eterna, no entanto, nosso maior erro é exaltarmos nossa ignorância suprema achando ter sido em vão uma relação.

Não há momentos perfeitos feitos de perfeição. Pelo contrário eles são feitos de imperfeições, de recordações, de retribuição e de muita relevância, mas somos extremamente orgulhosos e queremos revanche, justificativas extensas como uma tese de pós-doutorado, um laudo de um perito (vários deles) comprovando a culpa exclusiva do outro e tentamos apagar qualquer vestígios da outra pessoa em nossa vida... É sério mesmo?! Não aprendemos nada em uma relação? Ficantes, enrolados, namorados, noivos, quem mora junta, os das uniões estáveis, casados e os ex para todos...


É muita hipocrisia. Os erros são nossos! Inclusive, este deve ser o principal motivo de ter chegado ao fim este ciclo... O comprometimento e a presença de duas pessoas em um casal é o único motivo do Amor evoluir, permanecer, ser eterno e ter a humildade de ceder, de se desculpar, de ser uma luta diária a dois... O desequilíbrio alimenta o silêncio, a raiva, a mágoa, o afastamento, o desamor e estes sentimentos matam. Escrevi ciclo há algumas palavras porque somos ciclos. Tudo precisa de introdução, vírgulas, pontos finais, mas nem sempre de entendimento, apenas respeito. Nem sempre vamos compreender o tempo...  Início, meio e fim são constantes nas nossas vidas e só podemos seguir em uma direção existente: em frente!

domingo, agosto 07, 2016

A jornada da dúvida (resenha)




Uma viagem histórica pelo início do Cristianismo nos envolvendo nas dúvidas e divisões de maneira forte e incisiva, do monge Hipa. Ele, atormentado pelo demônio Azazel, acaba direcionado por este de Alexandria até a Síria provando das tentações que envergam a retidão e integridade deste religioso médico. A dualidade na personalidade de Hipa faz nossa capacidade de entendimento e reconhecimento neste personagem tenha um elevado grau de envolvimento na história.

Escrita de forma elegantemente simples, Youssef Ziedan, nos leva a percorrer 384 páginas de uma densa questão ainda mais no Egito. Com esta obra o autor premiado venceu o prêmio internacional de ficção árabe e preciso de coragem para introduzir a questão da fraqueza na carne na rígida sociedade egípcia. A busca de conhecimento de Hipa nos leva ao ímpeto de segui-lo e querer saber sempre o que vem em seguida. As interpretações de sinais divinos e as conseqüências.

Há coisas hediondas acontecendo e as amizades poderosas que Hipa faz, assim como os posicionamentos de todas as peças deste tabuleiro destas divisões e dúvidas ainda mais intensas, mais expostas e o que fazer quando depende de si mesmo e de uma resposta clara de Deus? A aventura não é só da mente, do corpo, mas principalmente da alma. Será Azazel mesmo o demônio ou uma criação de Hipa? Talvez seja apenas o confidente esperado pelo monge...

O poder da religião na forma dos bispos, o poder da mulher com os contornos de Martha nas loucuras possível e passível de surgir com ela, além das conseqüências da “liberdade” das mulheres em um tempo tão remoto. Claro, falo de Otávia e cada detalhe da relação a envolvendo com Hipa. O que é fanatismo? O que é puro? O que é maculado? O que é preciso fazer para sobreviver? Quantos segredos fazem o novo pilar do mundo se sustentar?  As vidas tiradas e as tentações nos fazem torcer e chorar pelos magníficos personagens se levantando e caindo ao lado do protagonista desta instigante história que penetra exatamente nos pontos chaves da mente, da alma e do coração. Dê uma oportunidade para esta incrível jornada.
*
Editora Record, Copyright @2009, Título original: Azazeel . Brasil 2015,  tradução: Safa A-C Jubran.

sexta-feira, agosto 05, 2016

A fome (miniconto)




Foi aquele barulho seco de tirar o fôlego e um apagão de dias. Como ainda doíam as costas e era difícil respirar, para Oliva nem um minuto se passara. Ela tentara não pensar o quanto procurou alguém naquele lugar. E qual lugar seria mesmo?Até subir nesta árvore e...  Bem... Oliva estava com medo de se mexer e acabar, bem, sei lá, paraplégica! É este o resultado de incontáveis horas de tantas séries policiais e médicas! Não mexa na vítima... Não Mexa na vítima... Não mexa Na vítima... Não mexa na Vítima!

Respire devagar pela boca. Lentamente. Se acalme pelo amor de Deus. Bom, estou sendo paranóica, mas posso continuar assim... É, vou continuar assim mais um tempinho. Até que o vento nestas folhas acalma... Esta é uma bela árvore e este cheiro gostoso... Será eucalipto? Esta grama roçando em minhas mãos. Estou cheirando orvalho... É fofo este chão, mas já não sinto nenhuma vontade de me mexer. Céu azul com boas nuvens! Esse azul, esse branco, esse verde... Tudo se mistura.

Qual...? Qual a altura certa para cair? Não sei... Não sei mais... Não sei mais sentir... Quem caiu foi meu coração eu... Eu apenas me deixei ir junto. Eu cedi. Justo eu. Oliva Partem. Hum... Fuuuu... Diz-me o motivo de um pós-doutorado agora? Heim!? Cuidar de um monte de mentes sem propósito, sem saber ao menos quem são? Cultivando sofrimentos, bebendo todas... É assim que eles dizem, não é? É, tenho certeza... Parece óbvio, psicológico, natural... É isso...! A palavra é natural...


Natural e lógico. Deitados nos revelamos! É quase possível sentir a verdade disso! Estou me arrepiando toda, estou sorrindo... Rá! Se alguém visse isso agora. Libertador,  Libertador... Deixe eu tomar fôlego desta crise de riso... Quantas eu tive na vida afinal? Se meus pacientes soubessem que eu penso “rá”... Será preciso mesmo descobrir onde estamos ou só para onde queremos ir?Estou sentindo esta grama fresca... Ééééé o corpo todo pode sentir. Posso tirar toda esta... Escuridão...

Nãoo, piegas demais, melhor tirar toda esta importância da realidade. Vou ficar aqui até não aguentar mais de fome...Espere um minuto! Não vai passar ninguém aqui?! Por que eles não estão me procurando?! Onde estou mesmo?! Vou voltar a dar importância à realidade e...Ah,reação física, sentimentos... Como estou faminta! Com isto eu posso me conectar!

quinta-feira, agosto 04, 2016

Sinais juvenis



labaredas lambem loucamente frios corações
congelados cinzas lentamente letais
latejando ainda senis sentimentalidades surradas
amarradas amargamente apertadas em sinais juvenis do esquecimento

foge o momento no sopro de agosto

emoções fabricadas não adiantam mais
substitutos se disfarçam de principais
línguas mordidas imitam sorrisos fatais
lábios umedecidos vendidos por desejo sangram nos jornais

está tão escuro nestes dias sem fim eles se misturam e tudo acaba no jamais assim.


(Rafael Belo, às 19h, quarta-feira, 04 de agosto de 2015)

quarta-feira, agosto 03, 2016

Só cinzas (miniconto)



Estava vazio lá fora. A casa também não tinha nada e não deveria ter ninguém.  Os silêncios se cruzavam dentro, fora, tropeçavam uns nos outros em todas suas incontáveis formas. Dava vontade de tapar os ouvidos e sair correndo sem rumo, esquecer tudo, começar de novo... Ciana se sentia um pêndulo balançando em um ritmo irritante do sol do meio-dia para um eclipse total sem estrelas, do sol do meio-dia para um eclipse total sem estrelas, do sol do meio-dia para um eclipse total...

Ela sentia calor e frio, mas suas emoções estavam condenadas como esta casa. Se houvesse alguém na rua não perceberia nada. Parecia nova, bela e um ótimo lugar para morar, mas havia uma opressão por dentro, sabe? Como se caíssemos em buraco e uma pedra de 50 kg caísse também. Ficamos sustentando e pequenas pedras menores, menos pesadas, vão se acumulando em cima, até... Vamos cansando, porém, se nos entregarmos morremos... Está faltando o ar. Por que vim parar aqui?! Só há cinzas neste lugar agora.

Consigo ver cada móvel imóvel onde deveria estar... Ali... Qual o motivo de um espelho ter sobrevivido intacto a esta destruição? Só posso rir desta aparência, mas não vou quebrar este silêncio nem tocá-lo. Engraçado é ele não preencher este vazio e estar por toda parte. Quem sabe está com meu coração perdido e calado. É! Foi isso. Esta casa sou eu. Isso me atraiu até aqui. Não era o que eu esperava quando sai procurando sons e significados pela manhã muda. Serei eu surda?

Mais uma vez Ciana, mais uma vez... Não resisto a esta atração no horizonte. A este chamado para a vida. Escute, você não está surda... Nunca direi nada disso em voz alta. Vou continuar a evitar o inevitável e ficar olhando para fora. Há um lindo incêndio terminando no céu... Quem sabe eu queime e dê boas-vindas ao fim... Será possível existir doações de sentimentos? Será difícil sorrir? Não deve ser impossível morrer e nascer todo o dia como uma fênix cruzando o céu.

 Estou toda amassada. Sou um rascunho errado à mão e jogado no lixo. Hey! Talvez eu seja uma fagulha esquecida deste fim de dia, esta fênix da encruzilhada ou uma lâmpada queimada. Estou apagada. Vou sair pela janela e quem sabe mudar ou acender. Mas seu puder sentir... Que eu comece a sentir agora! Desculpem... Ciana foi engolida pelo silêncio que já havia devorado todos nós. Ela saiu em direção ao horizonte e olhou para trás tentando enxergar a casa... Então, finalmente tudo estava vazio. Só havia cinzas.

terça-feira, agosto 02, 2016

O avesso do sentimento



espalham as cinzas com o sopro de fogo da fênix
só sobrou seu silêncio solitário na encruzilhada
a emoção equivocada se manifesta na expressão errada
chorar na hora de rir misturar o que fez com o que fiz
bem-vindos ao fim da nova realidade da Matrix

enchendo o vazio com o tecnológico na errata
o tempo lógico inverte os cronológicos  juvenis
os sete erros do espelhos não nos diz nada
sai sempre substituindo sentimentos senis
por ser feliz em  mais uma metáfora  quebrada.


(Rafael Belo, às 22h15, segunda-feira, 1º de agosto de 2016)

segunda-feira, agosto 01, 2016

Anúncios imperiais diários


La fora os anúncios são tantos. Ainda vende-se de tudo... Dia desses, parado ali na Rua 13 de maio com a Avenida Fernando Corrêa da Costa, aliás, a data é uma das mais importantes mesmo com o Brasil sendo o último país americano a criá-la e um dos últimos do mundo, a Abolição da Escravatura é a famosa Lei Áurea, mas o real nome da Lei de Ouro é Lei João Alfredo (este que foi, entre diversos cargos políticos, primeiro-ministro imperial, e um dos responsáveis pelo registro civil brasileiro e todas as leis que libertaram os negros)... Enfim, o dia histórico se encontra ali com Fernando.

 Fernando foi médico e político antes de Mato Grosso do Sul se separar de Mato Grosso e morreu dez anos depois aos 84 anos. Ele foi prefeito de Campo Grande por cinco anos, depois foi governador e senador, mas o que o fez ser o nome desta avenida foi seu trabalho como o cirurgião que era. Em 1927, quando se mudou para Campo Grande, pegava seu Ford Bigode para atender os campo-grandenses a qualquer hora e lugar sem distinção social, tratava todos igualmente... Parece que temos um histórico de médicos prefeitos por aqui, mas sem todas as qualidades deste. Para juntar esta avenida com aquela rua, precisamos falar da regente temporária, princesa Isabel e seus 11 nomes. Ela enviou uma carta para Europa onde o imperador Dom Pedro I, tratava da saúde.

“Papai, libertei os escravos, mas acho que vão depor a gente mesmo assim.” A inocência da princesa em achar serem os escravos independentes o suficiente (conhecimento intelectual, político, assalariado, escolaridade, saber o que fazer com a liberdade...) para reconhecerem a força da união e influenciarem na continuidade do imperialismo e ser inocente o bastante para pensar não serem os títulos, cargos e dinheiro donos dos rumos do país. Cheguei até aquele cruzamento pensando sobre estes fatos históricos durante a espera do verde no sinal de três tempos, recebi seis panfletos e um bem-humorado “enchemos você de papel, né?!” da última.

Calor infernal era eufemismo para aquele dia. Mas, eles se divertiam mesmo sendo mais um trabalho escravo. Mais um? Você me pergunta, claro! Como sinhorzinhos e escravos de nós mesmos ajudamos a criar os anúncios imperiais diários ignorando a história e a vida das pessoas ou apenas dando importância enquanto não aparece um fato novo para mudar o foco “do importante”... Opa! Estão tentando me vender água, ainda bem que o motorista de trás comprou.


Voltando, o que quero dizer é: somos escravos da tecnologia, da tentativa de ser eternamente jovens, agradáveis com padrões de beleza e aceitos por toda parte, por todo mundo só para acabarmos anunciando “Necessita-se de emoção urgente”, “Precisa-se de quem é capaz de se preocupar mais com os outros”, “Procura-se respeitar a si mesmo e tratar os outros de igual forma” e “Perdi a inocência. Quem achá-la, favor trazê-la com a receita da verdadeira liberdade e alguma forma de dar a mesma oportunidade para todos”. Vê? Não são os panfletos que nos enchem, somos nós que esvaziamos nossa alma e nos achamos cheios das coisas erradas.

domingo, julho 31, 2016

Trazer de volta (resenha)


Se detalhes podem fazer toda a diferença, imagina a essência toda morrendo. Quando a fé é testada no representante dela precisando superar um acidente horrível, a vida inteira muda atingindo a comunidade de uma maneira possível apenas na narrativa de Stephen King. Mais uma vez este mestre consegue me levar do início ao fim do livro me enchendo de expectativas e mostrando novamente o motivo de King ser o rei de qualquer gênero que decida se dedicar.

Revival já traz na capa o mistério, a força da natureza e um quê de Frankenstein capaz de mudar nossas perspectivas sobre as formas de viver. A história kingana nos carrega a um mergulho profundo na vida de dois personagens cheios de reviravoltas, repletos de possibilidades e marcados de formas diferentes até o fim da vida. Passear por tantos detalhes de universos diversos é o melhor de King ainda se divertindo com cada palavra que escreve e assim continua a nos surpreender.

A ciência substituindo a fé, amenizando os males, tentando reverter a dor e reviver a felicidade deturpando totalmente uma em nome da outra, em nome de um tipo de loucura em constante teste vemos uma moeda jogada para cima tantas vezes a ponto de virar um dado de doze lados em cada momento. Este dodecaedro vai se dobrando em si mesmo constantemente até perdermos o fôlego. Mergulhados, vamos mudando de lado sem perceber o quando afogados já estamos na história.

Crer em tantas coisas sem se dar conta da origem e a forma terem sido a mesma, pode dar um tipo de poder onde a manipulação da fé leva as pessoas ao irracional, ao impensável e até a perder a fé. Os mistérios da vida são tratados com tanta simplicidade neste livro que já é um clássico para mim. Há um segredo que nos prende até o fim. Uma fatalidade, uma levada para o lado pessoal, adaptação, genialidade, loucura, cobaias da vida, todos os meios para um fim. Mesmo sem qualquer conforto existe alguma coisa e a morte ronda o tempo todo porque algumas portas devem permanecer fechadas... Há algo sempre a espreita arrepiando nossa pele a permitindo enxergar as consequências da ação porque toda ação tem conseqüências e reação é a lei mais dura do mundo.
*
Este é daqueles livros que você quer saber o fim, mas não quer que acabe! Está esperando o quê para começar a ler agora mesmo? VÁ!

Stephen King, Revival, 2014, Suma de Letras. Ficção americana. Tradução: Michel Teixeira em 376 pag.

sexta-feira, julho 29, 2016

Guardião da noite (miniconto)


Não e preocupe Não se preocupe Não se preocupe. NÂO! SE! PREOCUPE!  Não adianta! Estou preocupada. Ficar repetindo só prova isso. Com certeza ele vai perceber. Não controlo a respiração, não controlo meus batimentos... Não controlo mais nada! Droga! De onde eles tiraram estas lanternas. Eles? Droga droga droga... Como vim parar aqui? Claro, claro... Um único deslize e a mulher não presta enquanto meu marido... Ah, meu marido só não aguentou a neurótica aqui. Neurótica? Preciso sofrer calada ou sou histérica? Não posso me vingar porque estou na TPM... Não... Foi por pouco e ainda pisou no meu pé, maldito!!

Ele está voltando... Prende a respiração prende a respiração prende... UFA! Preciso me acalmar. Não gosto de ninguém me dizendo isso e agora vou dizer? Lembra lembra lembra.... Estava só tomando refrigerante e provando ainda ter muita gente interessada em mim, mas isso não explica porque ainda estou grogue... É estou grogue. Como não percebi antes?! Com esta escuridão também  como poderia ter percebido. Queria poder desistir, matar este meu instinto de sobrevivência...

Corre corre corre. Não vou olhar para trás. Não vou! Eles estão atirando. Nossa! Essas luzes... Parecem o fim do turno, de vários túneis na verdade. Isso só pode significar uma coisa... Quanta barulheira! Podiam usar silenciadores. Ai! Ai! AIIII! Queimaaaa! Espero ter sido só um tiro. Tomara! Meu Deus, tomara! Tomara. Isto está parecendo um filme bem ruim. A gente assiste só para ver se melhora, mas não... É a esperança acabou! Cadê este chão? Não chega nunca... Aiiiii! Pronto...!

Vou morrer agora e ainda vai pairar a maldita dúvida se eu não provoquei. Quem diz pairar? Eu não queria trair ninguém... Mas ... Lembrei! A raiva era tanta, mas tanta... Ah, seu eu tivesse uma arma seria a vadia louca ou a vaca calculista? É um miado? Será que eu consigo mexer a... Olha é mesmo um gato. Por que deitou e está me encarando? Ei, eu li em algum lugar... Gatos curam é isso. Não ouço mais nada. Será?  Eles foram embora... Ressuscita esperança. Será que eu morri?


- Kiri kiri kiri kiri kiri. Gatinho! Psiiiii, psiiiii psiiii! Você já está me olhando... Então, me cura! Cura meu coração, minha alma e se der a ferida também ou simplesmente leva minha alma daqui, antes que termine de amanhecer.

quinta-feira, julho 28, 2016

Termina o dia



nos dilatados olhos tudo está embaçado
desfocado no não pensar embaralhado
enfileirado em algum lugar tão intocado
bem distante do querer ir se acorrentar

abortos da falta de ar responsabilizando o corpo por não se entregar

morrem as borboletas no estomago acaba a adrenalina em sono
todo rasgado pano vira cama de cão tecido de chão e lá se acumulam senãos
fingindo ser senões nas insinuações dos últimos serem os verdadeiros primeiros
vagarosamente volta visão torta simulando ser Torre de Pisa

cisma a maioria  da vibrações pela pele permitida distraída no chuveiro
refresca um possível Eureka até o banheiro ser vapor
tentações estouram a lâmpada antes do sol terminar de se impor.


(Rafael Belo, às 00h23, quinta-feira, 28 de julho de 2016).

quarta-feira, julho 27, 2016

Pensando bem (miniconto)


Estrela tentava lembrar-se daquele sentimento francês... Sabe? Aquele cuja sensação é de um já visto, de “isso não me é estranho”, “é já fiz isso”... Por isso, mordia os lábios revezando em cima em baixo, mordiscava e fazia um malabarismo particular para todos os lados com a boca, insistindo em suspirar no meio de tudo isso. Mas, ela sabia que aquele... Aqueleee... ISSO! Aquele tal de déjà vu estava acontecendo. Não. Ela não acreditava nisso. Eram apenas as pessoas sendo os animais diários que são.

Onde está minha aliança?, pensava ela enquanto apalpava todos os bolsos e lugares possíveis de guardá-la. Eu sabia. Não posso ser simpática, olhar nem conversar... Sem fazer isso esses homens - Bom, e outras mulheres também - já ficam “se jogando” para cima de mim. Nada intimida estas pessoas, Meu Deus? Não posso ser quem sou nem escolher minhas roupas? Claro que posso, as pessoas tem que me respeitar e...

Eram estas as distrações de Estrela enquanto corria na esteira com um incrível equilíbrio e sequências recordistas de Snaps por minuto. Às vezes pensava nas garotas mais jovens por ali, media com o olhar e sentia o mesmo acontecer, então desviava a atenção para um rapaz ou outro tentando se exibir e, por poucos instantes, começava a se perguntar se não deveria ser solteira. Era uma vontade passageira e passava como um susto.

Sou jovem para ser velha e velha para ser jovem... Não, não, não, não, não... Não acredito que citei Sandy. Pensando em outra coisa, pensando em outra coisa... Isso... Não quero passar por todas as etapas até o casamento de novo, mas mesmo se fosse solteira e namorasse não iria estourar corações com traição...  Acredito ser como estourar os miolos e sobreviver sem boa parte do cérebro e ainda com a bala alojada bem no lugar que nos avisa da dor e das... Sensações!


É, devemos realmente ter uma bala na cabeça nos impedindo de raciocinar e sentir profundamente, então Estrela balançou a cabeça como quem chega a uma conclusão genial e sorriu antes de pegar a mochila, as chaves do carro e ir para casa deixando o rapaz, que olhou há um minuto, acreditando ter “uma chance agora” na certeza daquele sorriso ter sido só para ele.

terça-feira, julho 26, 2016

dilatados


Empoeirado cérebro sem mérito do rumo tomado
goles brutos escorrendo com incalável boca
solidões carentes do desespero indomado

Se vão as rédeas rentes tementes às tensões soltas
tudo é permitido nos impulsos deitados dos pecados
ditados em braile no contorno das peles sem roupas

poupas tua língua de queimar aos lábios molhar?

a fogueira estrala sem sentirmos a rasa vala louca
nos prendendo no labirinto imoral marcado
parado do lado avesso do abismo onde o coração traído estoura.


(Rafael Belo, às 20h33, segunda-feira, 25 de julho de 2016)

segunda-feira, julho 25, 2016

Meros animais guiados pelo instinto

Fico olhando futuros possíveis, mas só consigo imaginar o agora. Não consigo me ausentar. Podemos ver a solidão no ar, sentir, tocar e conversar com ela, porém, esta é mutante e em um instante perdido se transforma em carência. Essa dupla está no nosso desespero de formar casais, de ser um casal, de saciar o desejo em nós ou simplesmente disfarçar, nos misturar... Então, vamos cegos chamando um beijo de amor, prolongando coisas passageiras e pessoas de passagem. Vemos possibilidades em tudo, poucos respeitam a escolha feita por si mesmo e têm certeza da escolha errada do outro.

Não sei como agem todos porque ver não é saber e julgar é tão superficial quanto à poeira cerebral acumulada por nós. A não ser se a palavra é comprometimento. Se me comprometo com algo, com alguém, não há troca. Não é motivo trocar porque houve brigas, discordância, discussão... Ninguém mais corrige, conserta e perdoa? Não desistimos sem lutar, sem utilizar todo o possível, sem gastar cada pedacinho da nossa imaginação. Caso seja necessário seguir em frente precisamos terminar com detalhe por detalhe e, aí, só, então, não será desistência.

Sabemos os limites a nos separar de algo a mais com qualquer pessoa e só ultrapassamos porque queremos. Não negue. Como podemos negar o óbvio?! Sair sozinho não significa estar sozinho e muito menos estar à procura de alguém. Podemos nos divertir sozinhos, com nossos amigos, com nossa família, afinal sabemos nossos limites. No entanto, queremos bancar sedutores incorrigíveis, eternos insatisfeitos e flertarmos pela aventura, pelo só “para garantir”...

Ótimo! Somos covardes querendo acreditar estarmos sempre disponíveis. Pisamos no Amor, no Amar, no coração por falta de coragem... Não me venha com o “eu tenho medo de...” porque este temor é necessário para nos mantermos vivos, para fazermos mais do sermos meros animais guiados pelo instinto. Este instinto de comer, dormir e se saciar... Não pode bastar! Isto é trair antes do outro, o reflexo quando você olha sozinho para o espelho. Ser egoísta e traição são sinônimos levando a diversas formas de extinção. Só para ficar claro, além das nossas partes sexuais temos coração, alma e cérebro... Só precisamos ser e raciocinar!


domingo, julho 24, 2016

Impossivelmente branco (resenha)

Depois de seis tortuosos meses sem escrever neste meu reflexo, posso agradecer por finalmente voltar.


Quando vi aquele livro com capa branca, tons de azul e cinza nos destaques vermelhos nas formas de uma raposa, uma luva e um cachecol sabia que havia algo naquela história impressionante. E foi assim do início ao fim. A menina de neve é cativante e transportador. Nos  leva a um Alasca onde jamais pensamos em viver. Repleto de belezas naturais, nos faz pensar que moramos em um dos lugares mais frios do planeta.

Estamos lá tocando a neve congelando e derretendo. Compartilhamos a dor, a solidão e a alegria de Mabel e Jack depois de Faina. Um lugar novo e totalmente diferente para o casal distante da família e ainda pensando no motivo de não terem filhos. Personagens acolhedores nos fazendo sorrir e pensar na possibilidade dos milagres acontecerem quando nos permitimos enxergar e conhecer o impossível.

No remoto extremo do mundo conhecemos George e Esther e seus filhos. Mas e Garrett que passa mais tempo com nosso fantasma ser mágico lendário: uma menina? O que é real? O que é delírio? O que é mentira? Existe o sobrenatural ou a fé é capaz de tudo? Se deixe levar por todas as sensações despertadas por esta obra capaz de nos fazer mergulhar e respirar debaixo da água, ou melhor, soterrados em neve.

Aproveite que já sonhou com neve, bonecos de neve, brincar de atirar bolas de neve e leia agora. Garanto que seu pensamento sobre o frio jamais será o mesmo. Vá agora que a finalista do prêmio Pulitzer, Eowyn Ivey vai te fazer sentir criança nesta obra de 351 pág e tradução de Paulo Polzonoff Junior com o casal de 50 anos lutando pra sobreviver em um Alasca de 1920 sem nenhuma experiência com o que se propõe a viver.
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Ribeirão Preto,SP. Editora Novo Conceito. 2015. Ficção norte-americana