quinta-feira, maio 17, 2018

regras inexistentes







estamos aqui novamente coração fervendo mãos suadas beijos quentes
 universo dando spoilers do não acontecido do futuro escondido no tempo
emotivos na coerência de ser emoção o sentimento pedido no momento
mente desentende desaprende quando o surpreendente entra no salão

contagiante diferente reverente retirando àquele peso da gente
sonhadores contentes em voar em abraçar apertado com as almas rentes
às estrelas nos seguindo partindo o ritmo para devagar inspirar o ar

neste respirar os riscos passam cadentes no céu
espalhando nosso incêndio repleto de arriscar

um transbordar sem pensar retirando regras inexistentes de se apaixonar.

+ Rafael Belo, às 20h54, quarta-feira, 16 de maio de 2018+

quarta-feira, maio 16, 2018

sem surpresas (miniconto)






por Rafael Belo

Uma ponte se forma no céu. Eu paro. Eu sempre paro quando algo surpreendente me atinge de repente. Um arco-íris faz as ligações celestes e fico pensando quem atende... Mas sigo em seguida com aquela bela imagem na mente. Chove em algum lugar enquanto outro lugar oposto, do avesso, só assiste, só passa vontade e calor. Falando assim eu pareço a mulher à favor ou a do contra. Não. Surpresas me apavoram. Eu ando pensando só em mim e é assim que vou me curar, passar a pensar no outro nos momentos certos e em mim full time. Neste tempo todo...

Passei a buscar o cotidiano. Passei a gostar do monótono... Mas, chegar ao fim do dia com este espetáculo não aplaudido, não reconhecido, dói... Por isso, prefiro não pensar e tento não sentir. Tento esquecer esta dor e a imagem do arco-íris simplesmente brota na minha mente como se ao invés de íris, meus olhos fossem estas cores originais. Também desejo chuva em mim e fico na imaginação. É quando começo a desintegrar em uma desassociarão total das partes do meu corpo. É o físico indo, a alma expandindo e a solidão chorando em arrepios.

Quando percebi já não sabia mais se perseguia a chuva ou o arco-íris ou vice-versa. Sei ter anoitecido e eu nem amanheci direito ainda. Estou andando em círculos e eu nunca fui de rodar. É muita felicidade ficar girando à toa e eu não sou exibida. Nem feliz a este ponto. Gosto de efemeridades. Coisas constantes me incomodam. É preciso acontecer e acabar entre dois pontos definidos ou nada feito, eu desapareço, mas neste momento me esqueço de quem sou e dirijo procurando a Beleza no céu.

Não quero me surpreender, mas ficar desatenta ao tráfego gera surpresas gerais e nada educadas. Recuso-me a estas diárias coisas surpreendentes ao meu redor. Queria ser deixada em paz, mas como negar a natureza? Como negar minha própria natureza? É uma explosão constante de tentativas intermináveis de me tirar da mediocridade, do comodismo, deste modismo de afirmar não ser comigo... Quero o fácil. Escolhi o fácil e todas as consequências podem vir, mas escolher ter amnésia, viver em um autismo opcional acaba em reações frustrantes... Negar a mim mesma é um conformismo cortante me desafiando a resistir! Preciso descobrir qual lado da resistência é para ceder ou manter... Ah, estou surpre... Nãooo!

terça-feira, maio 15, 2018

universol







nos universos do meu universo
há um verso universal repleto de sóis
cada sol buquês de girassóis direto no campo
antro colossal do banal ciclo reverso deste atol

à toa só seguindo o previsível até nada mais fazer sentido
no emotivo jeito dramático do indefinido formol
preservar a forma cômoda de continuar no mesmo lugar

nenhuma surpresa neste campo esquecido no terçol
ninguém vê direito com a contaminação recorrente

ficamos doentes na unidade coletiva universol.

+às 00h12, Rafael Belo, terça-feira, 15 de maio de 2018+

segunda-feira, maio 14, 2018

Vamos nos surpreender






por Rafael Belo

Não há nenhuma certeza. Nenhuma. Quem garante que a morte é definitiva se atrela a esta necessidade física da lógica e do palpável. Eu me apego ao desapego, ao impalpável e o que sinto pensa mais que minha mente. Então, por mais spoiler vindo do etéreo, do invisível, desta minha conexão com o universal (também sua) fico flutuando no tal de nada saber. Eu sinto e assim existo completo pronto para me surpreender. Esta surpresa pode ser pelo silêncio, pela visão das estrelas, dos cometas, meteoros, planetas, da lua, pela amplitude do céu noturno, pela esperada reunião de pessoas ou tantas coisas passíveis de serem o motivo.

À noite o surpreendente acontece (no meu caso pelo menos) com quase absoluta frequência. Gosto quando o bom inesperado acontece até porque do mau inesperado ninguém gosta. Uma luz que junto a sua luz se torna o sol, tem um sabor infinito dissolvido na saliva e até a um instante era apenas mais uma meia-noite. Mais do mesmo é um ciclo fechado e precisamos estar abertos para reconhecer as surpresas e, no mesmo tom, as surpresas nos reconhecerem para o nosso mundo evoluir seguindo girando. Giros como a certeza de gostar de forró sumir e aparecer em um me chamar, em um chama-me e um chamamé marcado com o ritmo a dançar a gente.

Neste ritmo corporal flutuamos, nos permitimos e... Não é surpreendente quando boas coisas nos acontecem aparentemente de repente? É aparência clara. Há sinais em nós por toda parte nos indicando da surpresa por vir. Este porvir vem sim com spoiler, mas não é todo nosso ao vivo. Não importam os calos, as feridas, toda experiência adquirida, não podemos controlar nada além de nós mesmos. Ainda assim planejamos, ensaiamos, treinamos e há surpresas. Eventualmente vai acontecer para aquele sabor de infinito dissolvido na saliva vir em explosão de sabores. Aí, não há disfarces possíveis.

Quando amanhece e a gente ainda está acordado pulsando, sendo único com a própria surpresa, já podemos ceder a falta de necessidade de entender. A gente precisa viver. É o que faço. Não contenho o sorriso, me desfaço se preciso e reviso o que foi dito. A gente precisa sentir. Assimilando a sempre inspiradora Alice Ruiz: não sentir nada é a preocupação, é a verdade da existência. Só reagir e não refletir é ser fake news diária só sujeita a manipulação. Por isso, prefiro arriscar sempre e deixar o surpreendente conversar comigo. O que você prefere?

sexta-feira, maio 11, 2018

O não lugar (miniconto)





por Rafael Belo


O espaço é preenchido como se um ápice emotivo fosse o baque no final. Os braços se abrem em uma espontaneidade risonha. Então, nem percebo o reflexo de todo meu corpo. Abri o braços também. Eu até sabia das possibilidades das pausas, mas este devagar no intraduzível slow motion não parece real. Realmente o tempo se arrasta em outro tempo. Nada passa. A gente se abraça como se só houvesse um ali. Respiramos juntos…

É um alívio sem motivos. Chega de ficar chafurdando razões. A gente se abraça. Tudo passa.  Não há palavra. Absolutamente só se move o natural e o silêncio. Ninguém sabe mais nada do tempo quando nossa bolha estoura. Mas, de novo nossa pele roça para que a gente possa continuar um só respirar. Nem consigo lembrar o porquê deste separar tão longínquo agora… De hoje em diante guardo unicamente boas memórias porque até àquelas consideradas ruins me trouxeram até este abraço.

Não há espaço vago mais. Estamos transbordando. Estou falando por nós sem pensar e você nada disse. Se consigo imaginar algo, planejar qualquer coisa sempre termina com nossos abraços. Mas é mais um constante começar. Abraçar é um vício que prefiro chamar de cura. Desarmar… Eu estava armada do instrumento certo, cada palavrinha vinha com algum dissabor e depois o entendimento. Porém, não queria fingimento em momento algum. Permissões e desculpas eram um instante de cinzas ainda queimando nas brasas desta exatidão de nós.

Quem diria que as loucas estariam vivasQuem diria algo sobre este tamanho sucesso? Não só diria como disse. Tanto você quanto eu. Zeramos a vida bem aqui. A partir de então o tempo deixou de ser linear e eu falo como se estivesse no ontem e tu vai e vem sem gênero no amanhã com todo este abraço acontecendo agora e se repetindo igual no geral, outro nos detalhes até este Amar - só existindo no agir - na conjugação associada, mostre para nós uma amostra do infinito tão bonito de apreciar e criar. Assim, preenchemos todos o lugares. Respeitando ainda o vazio e o não lugar fazendo o tempo nunca mais voar.

quinta-feira, maio 10, 2018

instantezinho







dentro de um abraço
espaços infinitos atos bonitos
labirinto de lembranças de amados de amigos
um lugar habitado pelo espontâneo evoluído

moído tomado como café canalizado
energizado pelas boas vibrações do carinho
ninho de todos os pássaros de asas ao vento
do intensamente aos pouquinhos

instantezinho  

tempo parado no afeto teto de todas as estrelas
esteiras imparáveis do aconchego

abrigo incondicional perpétuo até durar o Verbo intransitivo direto do Amar.

+Rafael Belo, às 01h47, quinta-feira, 10 de maio de 2018+

quarta-feira, maio 09, 2018

Só não quero abraços (miniconto)



por Rafael Belo

Talvez seja louca mesmo como a Alice... Que país é uma maravilha, afinal?! Que país é esse? Quais maravilhas podem ser possuídas quando no final até  a carne fica. Não tem nada a ver com Legião Urbana. Sou mais um Falange da Periferia. Mas, periferia dos reboques dos meus sentimentos, seriam retoques ou uma make mesmo, mas não sou tão princesinha assim. Só não quero que me toquem. Já cheguei em um rolê em pleno carnaval e não queria que encostassem em mim. Escandalizei. A louca do rolê. Se manicômios fossem ainda permitidos ou aquele eufemismo hoje chamando ala psiquiátrica...

O ser humano é um monstro: te abraça, diz que ama, que cuida, que quer bem e você pensa que são flores, mas não! Não senhora! É um esfaqueamento lento com anestesia no fio das facas, mas as navalhas cortam cegas mesmos para gangrenar, infectar, infeccionar, pelo gosto do tétano ou seria do antigo vil metal? Se eu já não tinha noção do tempo sem medicação, agora já me chamo tarja preta porque já desconheço até meu nome. Tem algo estranho acontecendo. Ninguém abraça mais. Era meu sonho, mas isso parece mais um pesadelo ou filme de terror… Aposto que sou parte de Resident Evil. Zumbi não tem cérebro… Serei eu mesma pensando?

Toc! Toc! Toc! Toc! Toc! Toc! Transtorno Obsessivo-compulsivo? Não! Sou maluca mesmo! Quem é? Este silêncio me arrepia toda. Travei!  Estou tão dissociativa! Sou eu! Eu mesma estou me batendo! Não tenho controle mais! Por que parei com os remédios se não melhorei ou substitui por algo? Mas se não gosto de ser tocada nem sequer abraçada, não posso ser um disco? O que é um disco?! Risco?! É isso! Eu não sou um risco?! Eita! Eu sou não um risco só! Eu sou um monte de riscos! Um rabisco completo… Um rascunho…

Perigo?! Ah, sim! Não! Potencialmente falando … Né?! Porque todo mundo notou eu falando comigo mesma… Veja você quantas… Estou me sentindo a Dory! Perdi pensamento, personalidade, paladar, plateia, público, passagem, pirofagia, pirotecnia, parcialidade… Prática. Prática o abraço faz gostar… Praticar espontaneamente e Para! Pelo amor heim?!  Será que se eu ceder ser abraçada e abraçar desenlouqueço? Posso vender insanidade como sanidade e abraços como cura? Não vou conseguir. Abraço é muito. Está lá nas regras do meu jogo “só não quero abraços". Mas, alguém em mim não segue regras só preciso saber para onde este meu eu alguém fugiu..

terça-feira, maio 08, 2018

sem mais




Buffet de abraços buquê de beijos
depois fome boca seca
vontade na sarjeta
vazio no portão

nenhum carinho zero afeto
um teto aberto tempo nublado
chuva torrencial no destelhado

a gente encharcado cada um de um lado
ninguém deixou abraço esqueceram de alimentar

acomodados no silêncio era melhor nem voltar
a gente nem quis mais… Se tocar.

+Rafael Belo, às 22h05, segunda-feira, 07 de.maio de 2018+

segunda-feira, maio 07, 2018

abraçar é viver



por Rafael Belo

Nada custa um abraço. Um abraço não custa nada. Só abrace. Há tantas formas de se abraçar e é totalmente grátis. Esta gratuidade muda humores, muda dias, muda vidas... E tantas boas coisas nascem daí, inclusive o brotar de um sorriso. É tão gostoso um bom abraço, mas às vezes nem cumprimentamos as pessoas ou mal encostamos nelas. Criamos um distanciamento e dizemos nos contentar com nosso próprio abraço. Nós nos bastamos? É isso? Ou nos abraçamos?

Eu não me basto hoje, não me  bastei ontem nem me bastarei amanhã. Eu me abraço e procuro abraçar por aí. Eu vejo o quanto tememos, às vezes, um simples abraço. Precisamos nos relacionar ou enlouqueceremos de vez. Guardamos tantas coisas desnecessárias, tantos sentimentos prejudiciais, tanto passado nos acompanhando que adoecemos. A mente adoece, o corpo adoece, o coração adoece… Adoecidos os abraços parecem ou necessários ou um lembrete da nossa carência e fragilidade. Então, criamos esta realidade em falência múltiplas dos órgãos e sentimentos tão voláteis que tudo é confusão, depressão e explosão nesta variação diagnosticada como ausência de carinho.

Há abraços tímidos, abraços de um braço, abraços de lado, de cabeça, e um lista estranha  de abraços, mas li em algum lugar de origem perdida na minha desmemória que um simples bater de palmas é sinal de apreço pelo outro, de que você está abraçando uma pessoa e vice-versa. É uma energia total, indisfarçável trocada ali, nas palmas, no brilho do olhar, naquele momento guardado pela pele, pelo corpo, na memória cinestésica associativa e sinestésica fundindo até o mundo em sentimentos. Mas, é claro que aceitar e retribuir o abraço faz parte da troca porque alguém pode estar com a energia negativa totalmente pesada naquele momento…

Eu digo abrace. Com palavras, na ausência delas… Em certa época de mim, evitava até cumprimentar as pessoas ou em certo momento do dia… Mas aprendi que sair de si é tão essencial quanto o processo inverso. Torna tudo mais leve. Gratuitamente. Ok. Pode custar algo. Pode custar orgulho, vaidade, a autorretirada da zona de conforto, um incômodo… Porém, vale à pena pagar. Pode ser à vista ou à perder de vista… O carinho, o afeto, o abraço precisam estar presentes porque sem eles o porquê de nos sentirmos de determinada maneira é guardado e deixamos de nos expressar. Expresse-se! Venha cá e me dê um abraço!

sexta-feira, maio 04, 2018

Aluguéis mentais (miniconto)






por Rafael Belo
Eu escuto a claquete o tempo todo. Ouço o som da diretora gritar e estou pronta. É ação! Aí quando estão valendo eu paro tudo e me observo! Não importa o que diziam os Paralamas do Sucesso: eu entendi sim! Minha vida é uma filme! Eu rodo - isso quer dizer que sou a diretora -, eu sou coadjuvante, eu sou a atriz principal, sou a produtora também. Quer dizer, se o Jackie Chan fosse uma mulher seria eu. - Ninguém conhece estas referências mais ou sequer o significado de paralamas... A palavra sucesso foi abolida por provocar alguns impulsos repulsivos e - mudei de assunto para variar. Eu também não preciso de dublês. Minhas cenas eu produzo, dirijo e atuo tranquilamente... Bem próximo disso se quiser dizer apavorada. Eu me conheço bem. Cada músculo meu grita e trava.

Aí viro uma draga e como todo carboidrato, proteína... Tomo toda a cafeína e repasso todas minhas cenas de novo. Quando termino minhas cenas garanto estar aí sim pago. Então, algo estranho acontece... Sempre acontece algo estranho! Enfim, eu volto tudo. Vivo no meu labirinto sem fim de insatisfação. Eu me conheço bem, sei que não sou uma ilusão até pintar a dúvida, aquela crise existencial e caio na pira Matrix... Será que alguém da minha geração já assistiu esse filme? Porém só o primeiro! Cara! Eu piro e... Mudei de assunto, para variar!  Já não sei se existo ou quanto tempo vai durar desta vez...

Está realidade é tão irreal, tão ingrata... Tem gente que mata e lá vem a claquete inconsciente de novo. É fato ter tanta coisa possível de refazer, de refilmar, de reviver e, enquanto eu não me resolver, nada adianta. Eu sei! Eu me conheço! Eu avanço tão rápido quanto recuo e acho ser a única, mas no fundo eu nego ser só mais uma assim. Perdendo a chance de viver por temer doer... Cara! Eu sou hipócrita! Eu posso dizer este palavrão esta hora? Não! Nenhuma! Nossa que autocensura ferrenha! Todos têm os meus problemas e eu tenho os mesmos problemas de todos... Só não admito nem reconheço... Nesta redundância... Quantos vícios eu tenho?

Eu faria todo o possível para sobreviver? Hum! Já fiz esta cena antes ou foi depois? Agora duvido da minha dúvida... Os Paralamas do Sucesso podem ter razão: A vida não é um filme e eu não entendi. Ninguém vai vir aqui e eu preciso sair. As pessoas só reclamam do meu labirinto porque não sabem do delas. Eu me conheço! Sei que acho que elas não sabe e só eu sei! Este set só funciona no escuro ou à noite. Esta locação mental é efêmera... Quis dizer: É temporária. Preciso devolver. Talvez na próxima eu pego uma que se conheça e seja bem sucedida. Ei! Vocês têm dessas para emprestar? Como assim tem fila para quantos anos? E só a partir de um ano contando agora começa a lista de espera? É! Eu sei! Elas não se deixariam pegar, não se venderiam nem emprestariam...Estariam aqui e fariam algo e ok?! Pode me avisar quando estiver disponível???!!

quinta-feira, maio 03, 2018

adiante







passos firmes tocam música no chão
percussão de ecos batidas imersão
infusão da sensação de poder ser você
um constante acontecer confiante

um minucioso conhecer a si
sem dó nem ré só o acréscimo de Sol
rendendo o cotidiano retirando os panos nos dentes

em pêlo o zelo dos olhos vai em alma invade mentes
em de repentes elaborados nos planos calados

serenados na silenciosa noite alongada onde somos o tom e o som do ritmo do adiante.
+Rafael Belo, às 23h49, quarta-feira, 02 de maio de 2018+

quarta-feira, maio 02, 2018

Desconhecidos (miniconto)









por Rafael Belo

Não sei como vim parar neste esconderijo com uma desconhecida e... Ei! Eu sou a desconhecida! Como pode ser!? Isso não é possível Eu achando ser a única por aqui que se conhecia, principalmente do avesso. Agora estamos todas presas aqui. Não posso acreditar! Vocês podem me olhar, por favor! Caraca! Não me façam ser a tiazona chata do sermão no rolê! Não vou ficar de blábláblá. Vocês não vêem meninas? Somos lindas, maravilhosas e... Você vão ficar mesmo no “chama no probleminha”? Não me mandem whats. Falem? Não, não, não... Sem áudio! Nossa Senhora da Senha do Wi-fi me ajude, me contenha!

Olha meninas, eu sei que nos conhecemos, mas não lembro nem o meu nome. O mundo agora é um lugar de Desconhecidos. Está tudo bem acima da superfície de tão efêmero e factual, então vejam aí nestes celulares? Isso, mesmo! Nada de notícias. Só fake news! Como assim e vocês com isso?! Cara! Bem... Quem é você, afinal? É! Você não sabe! Eu também não sei!  Será que somos fruto da imaginação? Tenho certeza estar citando uma música... Vamos ver se é seguro sair daqui. Esta deve ser a epidemia mais estranha de todas. É tão desconexo sentir conhecer estas meninas e não me sentir, não saber nada sobre mim...

Será que viemos por nós mesmas até aqui ou fomos raptadas? Será que a vida toda eu culpei alguém pelo que fiz e me tornei? Será que eu alegava conhecer a mim mesmo e aos outros? Meu! Para! Quem eu penso que sou! Não faço ideia! Eu achava que a tal Epidemia Desconhecida era só porque não sabiam o que era... Agora sei! Ela nos torna Desconhecidos! Se sabemos de algo é superficial, se sentimos algo é mais sobre mim do que pelo outro... Eita! O Que eu estou fazendo heim! Vocês estão me chamando há muito tempo? Oi?! Eu visualizei e dei vácuo?

Vocês pode chegar perto e me sacudir. Podem me tocar, gritar comigo... Bem, podem desde que aguentem as consequências. Saiam deste aplicativo , pelo menos quando puderem falar ao vivo comigo... Quer saber? Deixa quieto! Vou ficar caladinha aqui no meu esconderijo. Vocês? Sou só responsável por mim. Se vocês não sabem quem são estão, na mesma situação que eu. Vá se descobrir, vá se encontrar, me deixe aqui no meu esconderijo... Vocês não precisam de mim, precisam de si mesmos... Respirem, fechem os olhos... Sei Lá se virem e não volte. Eu vou lutar para chegar a me conhecer. Eu valho à pena, quer dizer... Devo valer, não é?!

terça-feira, maio 01, 2018

virose que tomo






nem tudo é sem razão
quase nada é por coisa alguma
mas às vezes chove sem molhar
o controle está quebrado em algum lugar

com conhecimento caro perdido na língua
enquanto está tudo seco apesar do som da chuva
as coisas continuam caindo constantemente

algumas quedas são a gente com aquele sono atrasado nunca recuperado em outono
fazendo os olhos fecharem pesados por alguma nova virose que tomo

em um tombo onde falar do desconhecido e ser desconhecido em um diálogo consigo deveria ser autoconhecimento mas é desentendimento.

+às 16h04, Rafael Belo, Primeiro de maio de 2018, terça-feira+

segunda-feira, abril 30, 2018

Podemos nos esforçar







por Rafael Belo

Quando vejo a lua gosto de pensar que é a primeira vez. Cheia então, é algo mais intenso como se me reconhecesse nesta fase. Olho a vastidão do universo e me sinto ao mesmo tempo uma minúscula parte dele e ele todo. É a hora da partida de quaisquer vestígios de arrogância. Eles insistem em grudarem ao longo do dia pelo ego, pelas palavras e na hora da consciência - certa hora da noite - a vida deixa de ser um quê de escrava desta rotina estética.

Somos pessoas céticas até precisarmos acreditar e a caminhada começa acreditando em nós mesmos. Conhecendo quem somos desde o íntimo até o motivo do músculo do dedo mindinho do pé direito dar espasmos. Procuro me libertar destas correntes pesadas e barulhentas do estereótipo da Beleza e é neste momento que as pessoas começam a ficar realmente belas. A sinceridade e o sorriso iluminam mais que a loteria geométrica do modelo midiático da banalização do ser humano.

Medidas externas não mostram o tamanho de ninguém. Eu meço as pessoas no dia-a-dia as ouvindo, não julgando, então vejo o tamanho possível para a expansão destas almas e no início do outro dia já joguei até estas medidas fora. Eu preciso da minha calma e cada vez mais ela me possibilita uma nova visão, um prisma de dimensões para eu me conhecer. Como é possível conhecer o outro se eu não me conhecer? Como vou crescer, somar, se só me diminuo e fico preso nas feridas passadas guardando tanto entulho, acabando com o espaço que está aqui, dentro de mim?

Acredito na necessidade de uma limpeza diária de nós e é sempre noite lá fora, acima deste céu azul. Aliás, de eu’s, do eu acumulando outros eu’s de outros dias, que por algum motivo sórdido, de apego ou saudosista, não quis deixar e – ao contrário do que pensamos – é aí que a insegurança e o medo nos fazem repetir os erros e impedir nos conhecermos realmente. Podemos ao menos nos esforçar para seguir neste cotidiano do autoconhecimento, não podemos?

sexta-feira, abril 27, 2018

Coletivo de almas (miniconto)







por Rafael Belo

Meu corpo não tem pai, não tem mãe... Só vai. Sem dono não se permite limites. Usa todos os sentidos e enxerga melhor de olhos fechados. Não dá palpites, sequer usa palavras. Ele dança sem pensar, sem razão, sem pressão, sem amanhã... Às vezes, pareço sair dele, ver a felicidade ali e todos os silêncios vão debandando do corpo feito pássaros feridos desaprendidos de voar. Nas penas vão sentindo como um Tango Argentino esquisito procurando um lugar para pousar... Onde? Me pego perguntando e logo saio dançando porque passa.

Passado não tem vez. Aqui é libertação. Cada passo me conduz e eu conduzo o passo. Sou condutora, conduzida na caminhada, conduzindo no gancho e toda cruzada é o verso de um corte cheio de voleios e meias voltas. Impulsos para seguir adiante e no meu semblante a expressão do instante confiante da responsabilidade do poder. É um querer não querer presente tão eloquente e independente contagiando pessoas e lugar. Quem anda para, quem para dança, quem dança sorri, vive também o que vivo e vivi. A música acaba e a gravidade retorna.

Então, se pausa, outra começa naquele lugar. Enquanto um passarinho adorna meus ombros, outros olham obliquamente e vêm como maré serenar, encher até transbordar com a noite caindo e a gente desexistindo para ser aquela onda universal brisada indo ao avesso, mar adentro. Dançando com o vento vou mulher, dona de mim e até assim a me libertar. Evaporando nuvens, formando chuvas caindo catarse formando uma frase com o ínfimo do corpo e livros infinitos com meu particular eu sem fim. Assim, em muda de fases, em muda de roupas, em mudas de pele...

Aderi a algo universal que me adere. Nada me fere quando estou a dançar. Sou água doce, água salgada, o tempero pessoal no meu coletivo amar, não vejo nada estranho em nenhum lugar no momento que sou a dança, já não sou nenhum dos segundos antecedidos com o futuro acabando a cada novo tango, em todo passar... Transfiro gratuitamente o peso e o preço a se pagar é se entregar e defender a chance diária de ser quem sou. Já O Sentir não tem preço é o próprio Amor concentrado em se espalhar. Por isso, meu corpo é história, é vida, é o lugar, é Mulher, não objeto ou sequer algo menor a um coletivo de almas. Deixa eu dançar!

quinta-feira, abril 26, 2018

muda de fase




a realidade tira a imaginação para dançar
o ar parece chão móvel nada fica imóvel
a conexão suspira um contínuo transbordar
um par fica a par de um no bloco memorável

as peles correspondem ao instável
no corpo flutuante todo maleável
há um palpável gostoso entregar

nenhuma estranheza está no ar
tudo responde em tempo adaptável

o som é instrumento inflamável e a gente se alastra em unidade fogo brasa muda de fase... Chove catarse.
+às 14h38, Rafael Belo, quinta-feira, 26 de abril de 2017+

quarta-feira, abril 25, 2018

Bulêmica culpa (miniconto)






por Rafael Belo
Estou aqui rodando com outro ser humano. Já troquei tanto de par que não me lembro rostos nem nomes, gêneros tanto faz, mas não esqueço como aquele corpo interage com o meu. Cada um deles tem a própria leveza… Só estranho mesmo as pessoas não se permitirem. Bom, estranho agora. Eu… ainda estranho como antes, mas bem menos. Ok. Médio. Quando não penso, beleza. Quando começo a pensar, bem… Deveria ser ao contrário. Uma mulher não deveria pensar assim. Nossa! Como sou machista. Sisters se envergonham de mim agora…

Perdoem-me, mas gosto de ser dominada. Ainda mais no tango, mas já me peguei dançando o tango Queer, realmente foi estranho… Mas, nem tanto né?! Não posso ser tão hipócrita. É mais comum nós dançarmos com outra mulher a dançar com um homem. Não é preconceito meu, mas ficar coladinha assim, respiração com respiração… Você entende? Mexe comigo… Meus sentimentos ficam aflorados e sou levada a outro lugar. Fico tão intensa e quando abro os olhos…

Fico tensa! Constrangida Sinto a opressão da sociedade do meu peito. Vou sufocando. Parecem que todos me observam, estão livres como a música, como a dança e… Eu… Eu pareço me alimentar da mesma coisa mas… Quando percebo o quanto comi, sou a própria bulemia. Enfio o dedo na garganta até perder minha alma no vômito outra vez. É uma confusão de sentimentos. Fico ali escolhendo o pior deles, a culpa. Vou me castigando por algo que deveria premiar.

CULPADA! Fico ali julgando meu comportamento e eu sei que nada fiz. Seguir meu coração, recuperar minha alma e depois… Obrigá-los a me deixar… É tão bom dançar? Já dançou de olhos fechados? Já dançou TANGO de olhos fechados ? É um flutuar e ao mesmo tempo arrastar no chão sem parar. A respiração manda. Ela comanda tudo até o não pensar. É suave, é intensa, é liberta, é uma imersão assustadoramente boa deixando todos os sentimentos na pele, no olhar, no outro ser humano e… Droga!! COMI demais de novo. ATÉ QUANDO VOU DEIXAR ISSO ME DOMINAR?!

terça-feira, abril 24, 2018

fazendo magia




um verso dança com outro verso
nem sempre a rima é óbvia
ou audível a sonoridade do reverso
as obviedades não interessam

então versam simplicidade gêneros protestam
valsam e não tropeçam na hipocrisia
sequer se envenenam com a língua fria

dançam como se nada mais houvesse
ovelhas negras do rebanho somos nós não são caos são harmonia e nada há de estranho

se banham e mais negras ficam em imensurável tamanho com liberdade e conhecimento sintonia conectando ritmo com disritmia onde conduzem são conduzidas mostrando como se faz magia.

+Rafael Belo, às 13h03, terça-feira, 24 de abril de 2018+

segunda-feira, abril 23, 2018

Estranho é a falta de respeito





por Rafael Belo

Não acredito em quem diz não gostar de dançar. Se fecharmos os olhos o corpo começa a se movimentar quando toca algum som. É a expressão da emoção e a libertação de nós. É um casal se entregando a música em passos e sensações contando a história que ouvem com o movimento rítmico. Com casal eu digo duas pessoas, nada de gênero. Diz a História, que a origem de umas das danças mais famosas do mundo, o tango, é em um casal de homens como desafio, domínio,  um parceiro contra o outro. Faltavam homens e parece assim continuar.

De Buenos Aires a Paris,  a popularização do tango foi assombrosa, mas logo se perdeu e foi proibida a dança entre casais do mesmo sexo. A bajulação, a sedução , o exibicionismo não podia mais ser pública se praticada entre o mesmo sexo. Há um tempo surgiu o movimento Tango Queer e foi na Alemanha. O objetivo não era só resgatar as origens, mas interagir com a música, se inserir na canção ouvida sem intuitos sexuais como ainda hoje, 17 anos depois da criação do movimento, muitas pessoas se censuram e censuram os outros com este preconceito taxativo.

Se tirarmos as vendas, veremos a quantidade de mulheres que estão querendo dançar e a pessoa com ela não. A minha ex era uma. Eu até dançava, mas quando eu não queria ficava bravo por ela dançar com outra pessoa. Eu era um idiota nesse sentido. Ainda bem que a gente evolui e já se foram muitos anos.  normalmente, uma dança é uma dança apenas com a intenção de aproveitar o que está tocando. Queer significa estranho. Mas, não vejo nada de estranho com pessoas dançando e sendo felizes. Estranho é a violência, a doutrinação do certo e errado para vidas de outros. Estranho é a sexualização de tudo. Estranho é justificar julgamentos, ameaças, terrorismo, preconceito, fobias e guerras com religião.  Estranho é a falta de respeito.

A ideia do homem ser o guia e a mulher guiada terminou este foi o passo do movimento Tango Queer: dançar independente do gênero ou orientação sexual. Os condutores, condutoras ou conduzidos, conduzidas podem propor os passos durante a dança e mudar esta “regra” durante a música sem nenhum problema. A igualdade está aí quando o papel principal desaparece  e qualquer um pode assumir um papel. Então, a gente dança para aproveitar o momento porque até para o corpo aquela música pede uma interpretação física. Pede o coração e não o julgamento. Um ser humano contando uma história com outro ser humano. Por isso, digo: prefiro ser estranho e liberto a desencaixado para sempre nas regras do que dizem ser normal. Vamos lá. É fechar os olhos e sentir para dançar.

sábado, abril 21, 2018

Daqui a pouco (miniconto)






por Rafael Belo
Não procuro versões de ontem ou de um amanhã que nunca existirá porque ou será novo ou repetição. Esta é uma guerra perdida, como todas… É nesse limbo que a identidade permanece em greve. É aí que tudo vira loopings e enjôos.  Eu sou minha porta. Sou o portal, a porta e a passagem. Caminhei até aqui. Não corri, nem parei…. Vim porque descobri há muito tempo a necessidade de deixar para trás o que pertence ao passado. Era isso ou ficar parada na porta observando …

Eu quero participar. Fazer parte. Fazer do meu jeito o melhor. Este tal mundo melhor sempre precisou de clareza, de delicadeza como a minha sqn… Não sei nada sobre delicadezas, nunca foi minha especialidade… Prefiro esperar um pouco mais a ser delicadeza porque não sei como ser. Também não tenho interesse de sê-lo. Mas não sou referência. Sai fora. Prefiro agir do que está falatório todo de agora. Eu sei como cheguei até aqui. Valorizo, mas agora é pra frente. Não vou ficar contando meus passos como especiais, miraculosos, fodásticos… Sou drástica como uma bomba.

Esta onda de carregar o passado, desculpar a personalidade culpando o signo é preguiça de evolução. Não é fácil seguir adiante, mas, cara, é muito mais difícil se manter nesta tentativa de zona de conforto. Estamos todos tortos. Olha só! Carregando sentimentos imundos… Precisamos de limpeza. Cada um tem a sua natureza, mas está umbigologia me irrita. Tá! Faz mal só pra mim eu sei, mas estou tentando não me irritar, passar por mim, até me levar e parar quando precisar respirar.

Quer saber?! Chega. Vou fechar estas portas e profissionalizar a versão oficial… Não! espera! Qual a validade disso, afinal? Melhor pensar direito… Eu caibo onde eu me propor a caber. Sou além. Sou portais para onde eu quiser ir e portas para ficar aberta, às vezes desatenta, mas alerta… Humm pensando bem vou derrubar estas minhas portas… Nunca fui fechada e a ideia delas é para proteção, tirar e dar acesso. Os muros vão cair também. Não quero divisões. Quero diversões e liberdades. Minha personalidade deixa de ser promíscua para me agradar e a outrém. Vou entrar agora, mas veja bem: daqui a pouco tudo isso pode mudar. Você fechar a porta e… Opa! Me perdi!

quinta-feira, abril 19, 2018

daquele vento derramado




todas as portas se escancararam
as identidades subitamente voltaram
as versões das guerras se calaram
ganharam a hipocrisia dos bastidores

os de repentes se revelaram demorados
vieram de tratores de uma construção sem fim
agora só havia um eu em mim desagrilhoado

todos as minhas paredes viraram aberto camarim
aqui estou exposto como Arlequim da vida embriagado

tão lúcido quanto o despertar gelado daquele vento derramado pela porta aberta passando pelo labirinto insensato fácil alerta de passar pela percepção e libertar a emoção.

+às 11h30, Rafael Belo, quinta-feira, 19 de abril de 2018+