segunda-feira, maio 28, 2018

Liberdade de algemas



por Rafael Belo

Queremos mesmo ser livres ou só o dizemos pela beleza da liberdade? Amamos a nós mesmos ou vivemos em uma crise de identidade feita de carência e dependência da exaltação de nós mesmos? Só o eu mesmo para dizer. Não é possível julgar o outro a não ser se formos um júri, um juiz ou responsáveis pela segurança pública ou particular. Eu nos vejo aprisionados na rotina, nas intrigas, nas defesas de posicionamentos, na tentativa de convencimento e nos alimentos. Eu não consigo enxergar esta tal gordice e dia do lixo… Faço cara de paisagem e nem entro no assunto o qual não faço ideia do significado, não entendo o conceito. Não entro nesta prisão. Mas percebi algo: lutar pela ausência de grades, algemas e encarceramento de quaisquer tipos diariamente é uma ofensa.

Liberdade ofende. A covardia mata o eu diariamente junto com todas as estigmas na pele, no coração e a emoção do outro, egoísta, só se pergunta “Por Que Não Eu?” confundindo o amor-próprio com uma frieza indiferente ao que é ser livre. A gente pensa ser livre, mas é mesmo? Só falamos, fingimos, atuamos, nos abastecemos de desnecessidades e só nos adaptamos para sobreviver,  para nos manter ocupados para não pensarmos o quanto nos enganamos, o quanto nos enganaram e o quanto nos aprisionamos com medo desta solidão ser permanente.

Temendo ficarmos sozinhos, mesmo solitários, nos perdemos em um labirinto de torturas e incoerências nas nossas posturas e ações amarrados a um sentido de dever a quem nos ajudou sem qualquer sentido. Assim, deixamos de fazer o que gostamos, o que queremos, de dizer o que pensamos para sermos queridos em toda  parte, agradar todo mundo, para nos sentirmos parte de algo, inseridos em algum grupo, para continuar uma relação qualquer, “simplesmente” para não passar por todo o processo novamente de criar confiança, de conhecer melhor e fazemos o seu? Criamos dependência e procuramos independência. Neste paradoxo chegamos ao Capital Inicial cantando: “procuramos independência, acreditamos na distância entre nós”.

Alimentamos-nos desta distância acreditando que é independência, liberdade… O que é esta tal Liberdade, afinal? Para mim começa na primeira coisa que faço ao chegar em casa. Libertar-me do que visto. A roupa em casa pra mim é uma prisão só um pouco menor que os calçados. Eu chego tiro e respiro. Fico um tempo sem falar com ninguém, sem responder nenhuma mensagem em aplicativos e vou fazer algo aleatório que gosto da minha escolha. Vou criar algo ou construir algum detalhe passando batido por aí em algo desfoque. Aliás, está tudo desfocado a não ser o que não vejo. Isto é liberdade ou um aprisionamento do que fica distante da minha visão. Eu, particularmente, sendo redundante, me Amo tanto que distribuo livremente este estado de espírito e quem não soma nem faz conta comigo, nem permito tentar perturbar quem sou. Sou um espírito livre só querendo libertar. Você é livre?

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