domingo, novembro 23, 2008

Abastecer

Fome, minha amiga de hora em hora. Foi ela quem me levou há dois dias a ir ao supermercado e gastar, economicamente, quase quarenta reais para o mês. A ida e a volta que não foram as melhores. Por quê? Primeiro fui a pé – certo não ligo muito pra isso. Segundo o sol estava saárico e nenhum supermercado fica sequer distante daqui. Terceiro, finalmente, a volta foi com sacolas minúsculas e pesadas com apenas subida abaixo do sol citado. Supermercado vazando pessoas, eu de bermuda jeans (marrom) rasgada, tênis preto e prata com, também, fome, mas, de meias e camiseta regata vermelha – fora os óculos escuros.

O prelúdio de tudo foi o cancelamento de uma reunião. Achei o máximo... Havia dormido às duas da matina, escrevendo. Acordei às sete e fui comer. Tomei banho, escovei os dentes, comecei a vestir roupas quando o celular vibra em cima do microondas. Não queria nenhum som cedo... “Imprevisto de última hora (redundante para ocasião)”. Fecho o celular, olho para um lado para outro, só trabalharia à noite. Esqueço os palavrões também de ocasião...

Então conectado ao virtual, respondi perguntei, postei, conversei, teclei, teclei, teclei, escrevi, salvei várias vezes... Que horas são ein? Onze horas... Havia esvaziado meus alimentos da “despensa” e geladeira cedo, vesti a camiseta regata vermelha e fui. Poucos carros respeitam pedestres, cortei duas praças cheguei ao destino engoli seco a multidão consumidora e fui direto atrás do que queria. Pessoas idosas e gentis sorriam pediam desculpas passavam. Estava com uma cesta azul pedindo arrego. Não cabia nem o vento mais.

Na fila um senhor estava com um carrinho imenso com três “compras” minúsculas... O caixa preferencial para idosos e gestantes estava fechado e os caixas rápidos para dez ”compras” lentos, muito lentos. Foi o comentário de uma idosa “para mim” neste caixa para muitas coisas... O senhor reclamava do que eu estava observando: o tamanho mínimo das sacolas. Não faltaram ironias envolvendo a crise financeira mundial...

As malditas sacolas são metades das “originais”. Foi uma tragicomédia ver idosos e mulheres saírem com caixas pela tristeza das sacolas... Como não sou nenhum aracnídeo separei oito sacolas nas duas mãos que me restavam e enfrentei sol, subida e olhares o tempo todo. Se abastecer para a fome dá uma fome...

2 comentários:

Webeatriz disse...

Muito bom o texto e as imagens. As fotos são de sua autoria?

Rafael Belo disse...

Olá Beatriz... Bom só as que eu digo e faço, digamos, um prelúdio. esta não. Obrigado