segunda-feira, setembro 05, 2016

Não é Amor!



Um turbilhão de sentimentos varre os corações da cidade em um jogo de idade parado em alguma competição de repetição e adivinhação. Opiniões secretas circulam atrás de um disfarçado sorriso, mas na verdade as pessoas pensam sobre o que é preciso para ser amado... Os solteiros estão desesperados para conquistar anunciando publicidade gratuita em qualquer lugar, mas estar sozinho também é necessário. Pensar sem interferências nem influências na total independência possível é estar ainda mais disponível para o caminho à frente, mas diferente do que somos forçados a acreditar, a felicidade fica em dois lugares: nos momentos e em nós.

Estamos dispostos a começar e recomeçar sempre compartilhando nossa felicidade, mas se formos procurá-la, ou melhor, transferir a responsabilidade para o outro, não há relacionamento algum. É como confundir namoro com casamento e disponível com disposto. Para namorar você precisa estar disponível e ser disposto a ceder. No casamento a vida é a dois e vocês precisam ser dispostos para enfrentar juntos tudo que vier e ser comprometidos um com o outro. Não há como não ser disponível para a parceira. Está subentendido que arrumarás tempo livre para o ser amado e para isso é obrigatória a manutenção do seu tempo. Ser disposto também vem da conversa. Estar disposto a fazer dar certo é um exercício diário de Amor.

Sim! Amar não é só um verbo incondicional e profundo. Vai muito além disso. É um exercício para todos os dias a ser feito em dupla (no caso de casais). Não é possível Amar por dois, ou se exercitar sozinho. Se uma pessoa só do casal alimentar o fogo, ele diminui, pode não apagar – porque dificilmente o para sempre acaba – mas sua intensidade muda de sentido e um pássaro de voo torto só se endireita quando aprende a voar de novo. Ou seja, Amar é libertar, é aquele querer continuamente o bem do outro, independente do que aconteça, porém, é também Amor próprio.


Paradoxo? Ironia? Não! Amor! Se estiver machucando, ferindo, doendo, magoando, afastando, criando dúvidas... A certeza é ser qualquer outro sentimento menos nobre. Nada somos sem Amor e precisamos Amar a nós mesmos, a nossa família, os nossos amigos, os desconhecidos, para poder compartilhar, comprometer e ser companheiro de outro alguém com entrega total. Realmente é questão de tudo ou nada e, principalmente, de pensarmos: se não nos amamos, os nossos pais e parentes, os nossos amigos e próximos, os desconhecidos, como é possível entregar corpo e alma para outra pessoa? Você diz que sim, é possível. Eu digo que não, não é Amor!

4 comentários:

Maria Belo disse...

Muito bom,reflexivo...de verdade o amor é compartilhar,dialogar,querer o bem do outro...mas principalmente ter amor próprio!

Unknown disse...

Isso aí, acredito que o amor seja algo parecido com construção diária, tijolinho após tijolinho, sem cansar do outro, sem desistir. Mas claro, vai muito além disso tudo também...

Paulo Reis disse...

Adorei. Amar é tudo isso. Complexo e simples sem ser paradoxal!

Rafael Belo disse...

obrigado mãe. Muito agradecido Lele!! É isso aí Paulo, valeu!!