segunda-feira, setembro 12, 2016

Quem sabe assim...



Andando por aí em qualquer transporte, inclusive nossos exclusivos pés - porque sem eles não vamos a lugar algum – há uma introspecção tão imensa a ponto de dificilmente vermos os olhos das pessoas. Há uma falha no nosso sistema... A principal é termos o mecanizado a uma exposição tecnológica solitária, fria e com tantos holofotes que não precisamos mais esperar as máquinas tomarem conta da gente e do mundo, nós somos os robôs. Não sabemos conversar sem uma lógica matemática complicada sem explicação, sem uma publicação nas redes digitais, sem um contato real e sincero porque acumulamos obstáculos e problemas, mas não conversamos nada além do superficial.

Queremos nos envolver, mas nos esquecemos como fazer isso. Vivemos, assim, uma relação autodestrutiva como posicionamentos vazios ou remexidos para encaixar com nossa vontade. Então, tememos levantar uma bandeira e não saber sacudi-la adequadamente porque nossos argumentos para defendê-la são escassos quando existem e, então, agimos desembestadamente sem pensar no efeito dominó, na quantidade de consequências de uma mera imprudência ou simplesmente chegamos ao futuro robótico tão rápido que nossos fusos-horários estão desajustados nos levando a uma incapacidade crônica de sentir.

Há uma desconexão com os outros. Somos “eu” 24 horas por dia e quando vem o outro para somar, o diminuímos. Queremos dominá-lo para nos agradar, mesmo que ironicamente nos agradar seja agradar o outro. Parece confuso, mas estamos pensando em retribuição. Isso nos faz viver em conflito com nós mesmo e ainda quer entrar em conflito com os outros o tempo todo. Sempre oferecemos problemas, obstáculos, impedimentos, reclamações,  julgamentos, porque não com soluções? Por que não abrimos nossos ouvidos para receber corações e angústias? A proteção excessiva levou nossos corpos a não criar anticorpos e gerar tantas alergias... Nossos corações têm este tratamento... Nossas mentes também sofreram o mesmo processo.


Autodefesa nos retrai, nos faz estar de um jeito tão irreconhecível para o espelho que parecemos dissociados do mundo, do outro... Parecemos distantes porque fomos protegidos da simples verdade. Amenizamos, distorcemos, ocultamos, mentimos... Porque sempre sabemos usar a melhor fórmula semipronta nas prateleiras da autoajuda dizendo copiadas obviedades: “Ela não está pronta”, “Ela não vai agüentar”, “Ela não precisa saber disso”, “Não é o momento”...  Estamos tão presos na nossa própria mente porque temos absoluta certeza: o outro não nos entende. Mas nós entendemos o outro? Nem tentamos! Vamos com fôrmas enlatadas de tipos e classes definidas e julgamos saber o pensamento alheio... Ao invés de querer saber o pensamento do outro, vamos estar no lugar dele. Quem sabe assim mergulhamos, ao invés de sentir a temperatura da água com a ponta do dedão do pé.

Um comentário:

Maria Belo disse...

"Quem sabe assim mergulhamos,ao invés de sentir a temperatura dos pés!" muito bom!