quinta-feira, julho 27, 2017

deixar paz



todo o mundo molha os meus pés no caos das ondas tentando me puxar para o profundo
sou do tamanho do infinito violento me atingindo quando estou ainda mais fundo
seco ao vento caminhando na praia de ninguém
o som das águas chama um frenesi em vai e vem

a luminosidade foi engolida pelas brumas do horizonte
amanhã hoje neste momento cada movimento se comporta como ontem
não há desatar neste nós a nos atar no confinamento de um diferente mar minguante

falam da lua cheia do feito agora pouco pelas sereias
tudo conto destas mulheres-anfíbio em seu canto para nos carregar em uma iludida deixar paz

vultos passam correndo iluminam meu silêncio com seus incômodos trazem as brumas para dentro de mim e já não me deixam mais em paz.

+Rafael Belo, às 11h30, quinta-feira, 27 de julho de 2017+

Um comentário:

Maria Belo disse...

...vultos passam correndo....! Perfeito