terça-feira, março 02, 2010

Aracnídeos “picantes”

Por Rafael Belo *o santo coqueiro do meu quintal - tirei há alguns dias.
Nesta época de chuvas torrenciais de verão e calor estalante - de tão escaldante, traz além do abafamento e mormaço ao qual nunca nos acostumamos (bem, a não ser cuiabanos e varzeagrandenses nativos ou por adoção) os “queridos” animaizinhos peçonhentos. Você dá falta das baratas assombrando sua casa em companhia dos ratos de forro e morcegos? Nãoo! Mas como não?! “Eles” sempre parecem familiares ladrões das madrugadas pulando no telhado, derrubando as coisas e as “baratinhas” sombras correndo pelo chão... De qualquer forma, de repente, eles não estão mais lá. Só nos damos conta quando aparece um arremedo de escorpião. Um filhotinho nada gracioso, a não ser para biólogos e amantes aracnídeos.

Então, ao tomar banho você acha um maiorzinho mais agressivo preso na banheira por pura incapacidade de escalar a superfície lisa, já que os banhos por lá são constantes. Há aquele anúncio de repetição vem uma pessoa da casa, vem outra e claro, na voz das mulheres, “mata!” “mata logo!” “Credo, este bicho é perigoso!” “Coloca fogo!” Olha só os requintes de crueldade feminina (brincadeira?). Quando se dá conta estão todos rodeados na varanda escura dos fundos jogando álcool na criatura “malévola”... Bem... Em vão! Nada queima mesmo fósforos após fósforos riscados.

Se pega as folhas secas mais próximas e nova tentativa e falha. Bem e agora?! Não importa o quanto ele foi esmagado pela pazinha de lixo pelo patriarca da casa fazendo barulho de pinças se debatendo e jogando a cauda venenosa e certeira até depois da morte, enfim tem que queimar, pois “o veneno ainda está lá?! “Pega o jornal lá” e você sai em mente com os últimos classificados do jornal de maior veiculação local. Fogo e nada de queimar o “tinhoso”. Enrola o aracnídeo mortinho da silva no pedaço mais longe da sua mão do jornal e o leva à churrasqueira mais próxima, assim bem ao lado. Lá dentro você dá início ao incêndio em diversas pontas do jornal e fica assistindo e sufocando até que finalmente... Finalmente... FINALMENTE... O escorpião é cremado e ficamos ali contemplando...!

Dias depois uma nova dupla aparece em rixa perto do vaso do banheiro maior. Consequentemente a paranóia justificável está instalada. Pânico. Como dedetizar os picantes escorpiões peçonhentos amarelos e alaranjados? Não há como?! Sim claro!?! Como assim??!! Só com armadilhas. Pelo menos não há mais ratos e baratas... Mas, enquanto isso evitemos levar uma picada tapando ralos e cada ligação com tubos e encanamentos, afastando camas e outros móveis das paredes, vasculhemos calçados, roupas e demais acessórios antes de tocá-los permanentemente e acabar surpresos com uma picada demaispordolorida durante as próximas 12h ou 24h.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

harmônicas cadenciais

minha capela sussurrava vogais
estendidas no meu templo fechado
de cantos seguros de fluência rítmica elétrica de um eu cadenciado,
em melodias incorporadas de vozes corpóreas afinadas de alma,
na harmonia incompleta encorpada de peles arrepiadas em sintonia.

elevação respirada em suspiros musicais sensoriais de senso som,
profundo toque auditivo percorrido no corpo em baterias espásmicas
da leveza da canção da multidão do fluxo sanguíneo em nirvana zen.

além das sensações de apego desafinadas, há afinação, mesmo momentânea
da liberação de ruídos promocionais bagunçados de repetições refrônicas,
desajustadas de filarmônicas improvisadas tocando o sentimento perdido na última esquina.

20 de fevereiro de 2010, folha de outono (rafael belo), às 15h11. *e é foto meio reveladora meio escondida que tirei sem questionar a queda da harmonia ontem.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Nosso local na cidade

Não chove aonde vou. Chove na cidade, mas nem uma gota me molha onde estou,
vagando em mim vago de um Amor concreto repleto do abstrato Amor, não gasto
de gosto colorido de um toque refinado de intensidade envolta a delicadeza sinuosa
de querer se molhar. É dolorido andar aonde a chuva não vai caminhando ao avesso,
perdido no tropeço estabacante de quicar no chão seco, do deserto da poeira alérgica
ao pó estético da desolação onde secam as lágrimas presas pela grades do orgulho,
entulho da liberdade publicitária de comprar ilusões superficiais dos consumos consumidos pelo caminhos atropelados da gente a querer mudar as mudanças empilhadas no upgrade da imaginação totalitária da enchente, escaldada de encher indigentes feito eu e você, vazando ares heróicos de mobílias preservadas no nosso local na cidade.

18 de fevereiro de 2010, Folha de Outono (Rafael Belo), 17h34. * foto que tirei da proximidade daquela planta definhando ilustrando o miniconto do último post.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Paradoxos mentais

*foto tirada enquanto esperava para trabalhar na última quinta
Por Rafael Belo

Devaneios com os pés no chão... Não! Não é um paradoxo passível da minha realidade de uma mente além. Não posso usar este paradoxo! Seria uma quebra dos meus paradigmas quebrantáveis. Posso voar sem asas, enxergar através da neblina e até por meio dela, mas preciso delirar minhas razões de ser com pés impossíveis de copiar em qualquer realidade física-virtual morta de overdose de desinformação pelas limitações impostas a artes sem limites.

Arterium Intensus... Meu nome registrado na pele em marcas de nascença. Composto e único de complexidade...! Não é assim o ser humano?! Por que negar tal dádiva da digital da alma?! Não! Leave me alone... For now... No momento quero me sentir sozinho. Há algum problema nisso?! Minhas multidões podem me encarar como querem. Se querem ser homônimos parônimos heterônimos anônimos... Serão. São implanejáveis. Vêem em linhas tênues incontroláveis paridas em qualquer hora e lugar sem preocupação com impacto ou regras literárias.

Jorro meus eus por aqui, por aí em toda parte no mesmo momento numa sensação onipresente de estar na mente de outros diferentes dos meus eus. Qual a importância do meu nascimento se não minha liberdade e o meu fazer dela. Sou paradoxo de mim, paradoxo do reflexo, paradoxo da reflexão do espelho... Enjôos do meu refluxo mundano saem em incômodos vômitos mareantes de ordens orais, manuais, mentais do meu caos.

Sou meu incomodo sendo você por dentro manifestado em berros de liberdade de sinceridade de máscaras depostas do devaneio da humanidade caminhando com as mãos, para mantê-las limpas. Minha mente paradoxal cabe na sua intensa artéria latejante pronta para uma AVC inexistente já pelo nosso olhar freudiano de Sófocles da realidade conforme nossos olhos insanos sanados da criação familiar. Deixo este lugar para viver no meu hospício banido onde só caminho com meu coração liderado pela alma consultora da mente imaginária. Vou para sempre, volto em seguida, logo.

sábado, fevereiro 20, 2010

Incômodo profundo (um surto necessário)

Por Rafael Belo * a foto de quinta(feira), tirei logo nas útlimas gotas de chuva.

Ando enjoado com refluxo do mundo, regurgitando controles a virem sobre mim em ordens mareantes. São ondas virtuais, sociais e toda a tempestade do mar invadindo a distância de léguas e léguas do litoral. Não me sinto parte e já ouvi tantas vezes minha futura descoberta de eu ser alienígena. Mas, não somos todos invasores?! Invadimos privacidades, espaços e vivemos tentando controlar algum mundo, começando do nosso. Não há controle de nada o tempo todo (se houver em algum tempo...). É impossível controlar as coisas, somos tão ilusórios iludidos.

Somos uma irritação provisória na alergia do mundo. Quanto pessimismo, não?! É a necessidade de mudar, de sair de um círculo infrutífero, mas penso nos dizeres direcionados "a mim" ontem, como fonte deste meu incômodo notório. Foi um elogio, um bom elogio. “Artista completo” foi um dos compostos de qualidade atribuída (o qual agradeço imensamente). Não me sinto completo e não me sentirei porque não quero ser. Sou incompleto e provável eterno insatisfeito com a atitude das pessoas e a minha.

Não há satisfação em rotina. Simplesmente acordar e fazer o mesmo do dia anterior me desloca de mim profundamente. Somos mais. Podemos fazer aquilo pelo qual trabalhamos e nos dedicamos. Sinto-me no Bee Movie, como o protagonista Barry B. Benson (com características e Voz de Jerry Seinfeld) percebendo não ter nascido para repetir, repetir e repetir a mesma função o resto da vida. O RESTO DA VIDA!? Nãoooooo!!

Ele sai da colméia e descobre os humanos os roubando, levando todo o mel deles para casa sem nenhuma participação das abelhas. Lá pelo desfecho do filme ele se depara com o possível fim de tudo caso as abelhas não voltem a polinizar o mundo... Estamos polinizando pelo menos nossos jardins? Não Incomoda não agir não falar normalizar tal verdadeira loucura noticiada banalmente na televisão...? Não incomoda (assim como a proibição de surtar vez ou outra?)?

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

patifes

* tirei do equilíbrio das gotas da chuva a se juntarem e formarem poças em algum momento para cairem em outro
Balança meu chão parado, improvisado de meus pés
de um equilíbrio qualquer, a nos crescer e nos matar sem querer
em dias bem quistos no mal-me-quer, enjoado dos tremores inexistentes
das ações inconsequentes de afundar, corpos programados para continuar

sem sentidos, anestesiados pelo circo itinerante da mente dopada
apagada dos sensores de reação, definhando um silêncio tagarela
no labirinto perdido do pensamento, com as mãos na nuca, aclara
escurecida pelo sentimento de nunca saber diferenciar os limites

entre cair e levantar, em meio a tempestade sem fim a despencar
patifes intenções de superar o insalubre cume movimentado de impassíveis.

20h09, Rafael Belo (Folha de Outono), 07 de fevereiro de 2010.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Fascínio

*olhando pela janela real de casa, logo atrás do mundo virtual
Um sopro engarrafado do aberto invadiu o espaço fechado
em um trânsito discreto de almas para fora do lugar dramático
de corpos erráticos bruxuleantes fortalecidos pela ausente janela abstrata
marcada pela respiração sensata daqueles a deixarem os corpos sem vagar

tudo deslocado para o estranho lado do movimento de devagar divagações
dilaceradas, diluídas nos caminhos com mais corações, menos mentes
adstringentes em toda aquela insolução diante das faces espontâneas,
das soluções momentâneas constantes a esvaziar garrafas areadas,

dos ares soprados nas bocas e ouvidos das oficinas falidas do diabo,
mantidas longe da verdadeira falência do diálogo, mantendo distante uma mente faiscante domadora do fascínio de ser, mais que reticências.

20h55, 06 de fevereiro 2010, Folha de Outono (Rafael Belo).

domingo, fevereiro 14, 2010

Colisões aparentes

Por Rafael Belo
* Foto tirada do lugar onde mais gosto de passar: na estrada em viagem
Sabe quando tudo parece normal, mas é só aparência. Dentro de si há alertas e mais alertas. E é com razão. Estou vagando desde os primeiros raios solares e não ouvi um barulho, não vi uma pessoa e ainda nem lembro como vim parar aqui. Uma cidade qualquer como as outras, no entanto tão desolada como o deserto ao meio-dia. Opa... É meio dia! Por que não cheira comida? Onde estão os carros superengarrafados? Os gritos?

Tem algo errado... E como eu sei disso?! Enlouquece não falar com ninguém, mas não ver viva alma uuuu é assustador. Não são possíveis as histórias de zumbis e de vampiros, certo? Nenhuma vida à vista, porém as coisas e lugares não estão abandonados. Humm, sem teias de aranha sem lixo sem entulhos... Quem está aí? Ouço vocês conversarem! Apareçam já!! Meu coração vai sair correndo assim. Espere...! Este... Este som... Está na minha cabeça. Esquizofrenia nãooooo!

Calm down, boy! Bread, Bread... I’m so confused. Caraca! Eu falo outras línguas?! Preciso me concentrar. Não faz sentido tantas vozes na minha cabeça... É como uma multidão falando ao mesmo tempo... Eu... Eu... Tem algo de mim... Eu não sei algo sobre... Aaaaa... Sou eu no espelho?! Quando foi... Esta barba eu não reconheço. A tarde vem caindo. Vou continuar andando. Próxima cidade... Devo ter caído de algum último sanatório! Por que diabos este sol parece estar dentro dos meus olhos?

Se bem... Desde... Não vi uma planta sequer ou água por aí. Como posso não ter sentido sede ou calor ou... Apenas solidão. Meu nome é... É... Lá está a noite, porém não escurece. É possível? Preciso alcançar a ausência de luz... Preciso... Uau! Corro muito rápido. Comparado a quem mesmo...?! Havia uma placa ali indicando perigo e raios... Por que uma seta apontada para o... Chãoooo! Uou. Produzo um som seco e indolor.

Aqui estão todos. Digam-me como faço para tirá-los da minha maldita cabeça?! Alienígena?! Supernova?! Ãn?! Três mil e quantos depois de quem? Lugar... Errado... Não? Tempo... Errado... Voltar... Mas... Mas... Ninguém! Silêncio! De novo desolado, mais uma vez deserto. Outros mundos se parecem iguais e outros iguais se parecem mundos... Qual a atitude diante de tantos mundos colidindo? Aparências...!

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Estranho do próprio ninho

*Foto tirada do ninho de sabiá a meia altura em casa

Por Rafael Belo

Deslocamento de ar, deslocamento de gente, deslocamento de informações, deslocamento de alma, desloca mente... E eu na certeza de estar de mudança completa. Afinal, já são pouco mais de cinco meses de retorno. Ainda me sinto, e nem sabia, fora de eixo. Alguns dirão “é assim mesmo, normal”. Mas, eu sou a mudança em pessoa e em nenhuma circunstância dos meus deslocamentos pelo país senti-me estrangeiro. Agora sou o próprio... Pensando bem, não é bem isso.

Montamos situações na nossa mente fantasiosa a nos deixar assim sem entender qualquer contexto ou pior, interpretando livremente sem base. As relações acabam por ser assim. Queremos fazer nossa parte e gritar para todos “eu fiz”, “eu doei” “eu sou solidário”... É uma tirania da “bondade”, mas estou tirando o foco da minha pessoa. A força doada por nós a segundos e terceiros é tamanha, a nos pesar certas horas. Porém, continuando a enrolar, porque nos achamos referência para alguma coisa. OO Prepotência. Pensamos ter sido agradáveis, sendo nós mesmos, com as pessoas e de repente mal se trocam palavras. Há um constrangimento...

Costumo tratar a todos da mesma forma e no mínimo espero honestidade. No entanto, nada se deve esperar. Ultimamente fico pensando: “onde estão as vidas inteligentes deste planeta? Ainda é possível manter uma conversa sem mencionar reality shows, contas bancárias, status e a vida alheia? Há mais franco-pensadores orais por aí?” Então, eu sento, visto um sorriso e exalo arrepios para começar a escrever. É um alívio poder reunir as palavras em algum sentido.

Nada de compactuar com as expectativas inquiridoras sociais. Quero mais originalidade ou então fica aquela expressão da boca espremida, a sobrancelha esquerda levantada, a testa “dobrada” e a respiração quase estática a encarar. Quero ouvir “não gostei de você”, “te acho arrogante...” e poder saber por que da onde. Chega da inquisição velada no banco sem pernas do júri.

Não me entendam mal, adoro socializar, extrair e trocar com as pessoas. Contudo, ando tão anti-social e a música é a companhia perfeita, é a expressão percorrendo a alma, mas quando sento é silêncio até nascer algo, até meus olhos brilharem e eu sorrir. Olhar para o som, para as consoantes e vogais juntas e saber ter sido um parto. Sou horas solitário e horas multidão. Minhas partes são assim e sinceras ao extremo. Pari sentimentos no ar empático e ganhei minha nacionalidade de novo, até voltar a ser estranho no meu próprio ninho.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Corpos estranhos

*Foto tirada com a chuva ainda moldada em gotas na beleza de um quintal

Corpos estranhos levantam as línguas em duelos
tortos pelo entender da fala tórrida estrangeira
ligeira no seu arrastar de consoantes vagas na vogais
estendidas na expressão a mais, insólita presença de nós mesmos
como estranhos corpos tomados em vazios copos dáguas
caídos transbordando o silêncio do nada módico
para um complexo sórdido de devorados devoradores de almas e mentes
em sons onipresentes de adorados adoradores adoráveis de um velho mundo em essências, de todas as língua afiadas desafiadas a adoção em corpos estranhos a própria estranheza da aldeia, presente, da pequena grandeza de falar igual e entender diferente, as diferenças.

23h12, Folha de Outono (Rafael Belo), 02 de fevereiro de 2010.

sábado, fevereiro 06, 2010

Na pele

*foto de ontem enquanto queimava o calor me queimando
Vejo sete céus em teu olhar quando fecho os olhos

então, duvido se faltam céus ou há ausência de nuvens
o celeste está na tua boca molhada suave em teu ar insinuado

chocado pela agressividade mansa domada pelo tocar, dos colos
solos das línguas acariciadas, conectam calor pelo corpo em margens
não há todo, somos reféns de mordidas invasivas, suspiros transpirados

atados, a evasivas falas do diálogo dos poros hormonais
exalados pela eternidade de sentir contornos labiais fantasmas,
camas imaginadas em um tempo de dois, em fugazes pazes selvagens
da natureza oposta suada dos sexos extasiados um pelo outro, na pele.

30 de janeiro de 2010, Rafael Belo (Folha de Outono), 23h30.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Dia óbvio

Por Rafael Belo * quem disse que o reflexo das poças nos azulejos não são reflexíveis?! Foto desta semana depois da chuva no quintal de casa.

“É um dia óbvio”. Pensou assim que acordou. As mesmas perguntas, tarefas iguais as de sempre, pessoas com as mesmas atitudes, as mesmas piadas, a velha homofobia enrustida, a malícia incrustada e o cuidado minucioso com a vida alheia. Ah! Claro! Como esquecer dos fingimentos...?! Aquela rotina enfadonha lhe fazia suspirar por algo a fazer antes do surto.

Sim, porque era óbvio, hora ou outra ia surtar. Ora ora... Nada de chacinas norte-americanas ou crise de abstinência de um viciado em maus lençóis tornando-se psicopata e matando a própria mãe. Também porque seu vício era dizer o seu enxergar e mais, o seu sentir sentia. No entanto, tudo ele passava em um resumo de acúmulo. Ele acumulava todas as gracinhas infames e todos os moinhos de ventos serpenteando para o atacar. Todo aquele vazio puxava sua alma.

Havia uma sensação de inutilidade. “Não sou inútil, mas também não possuo ausência de medo, porém sigo em frente.” Ele olhava com desprezo e ria da mediocridade o tomando e ao redor onde tinha se metido por tanto tempo. “Quanto tempo mais até eu destravar a língua e jorrar observações?” Era um fim do mundo diário. Angustiante a levá-lo a se levantar toda hora da frente do computador. Ele ouvia a trilha sonora de “Psicose” cada vez que ignorava, a cada ignorância. “Tam tam tam tam, tamdamramdamramdamramdamram...”

Era óbvio sua ineficácia com o ser deixado no seu lugar perante o espelho. Era óbvio a não continuidade de tudo isso. E começou bem cedo. Despertou com um sorriso largado de confiança pela primeira vez em tempos. Levantou com bom dia para todo lado e disse para cada uma “personas non gratas’ não devem falar se nada querem ouvir”. Respondeu cada gracinha com uma observação peculiar e sincera sobre a particularidade de cada. Foi silêncio. Só seus passos e o som de olhos estatelando.

Disse sobre a vulgaridade de uma, sobre a homossexualidade enrustida psicótica tocada diariamente de outro, sobre a carência de um terceiro, sobre a frieza e o egoísmo manipulador de uma quarta, sobre a mentalidade retrógrada e constantemente infantil da maioria, da pequenez “recompensada” com augúrios de poder fadado a não existir de um fardo...

E, foi falando a todos os seus devidos mereceres. Depois bateu palmas por meia hora pra si, diante de uma plateia envergonhada. Estava aliviado, satifeito era óbvio. Óbvio também era o fato de, em breve, se sentir contraditório consigo, pois não deveria expor a particularidade observada das pessoas em público em alto e ensurdecedor som independente da quantidade de “vergonha” a lhe querer, certo?! Certo?!

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Poetry

*Foto tirada também na estrada (treelife?)
Conexão do olhar trocado, emanando ondas incendiárias no peito
toda vez que tocado, despido de corpo e de preceitos
na jornada de bagagens escaldadas, imaginárias do que seria perfeito
em imperfeições arbitrárias daquilo que dizemos “por direito”
sujeitos as intempéries do tempo e do temporal de temperamentos
temperados de temperos sofisticados, calados à simplicidade
do jeito vibrante de eternizar uma vida de momentos
tendo a sinceridade aberta nos olhos fechados, tamborilados
pelo coração pulsante, pretenso a sempre se entregar
a missão de viver completo, nunca, decerto, em si somente.

(Rafael Belo)

domingo, janeiro 31, 2010

Imperialismo

*foto tirada na estrada em "movimento"


A mão pesada cai como ferro nas cabeças de um severo sentimento manso
sacada com punhos fechados de uma raiva adulterada no chão de atalhos
humanos falhos, na ganância de um império faminto sem satisfação
na opressão velada em um riso enfadonho sempre risonho em destruição
sobre a beleza natural das coisas criadas em feridas abertas sem cicatrização
mercenários com mais sangue quente na cara que no corpo entorpecido de capital
estupidez, de proporções enveredadas na cegueira fabricada de vantagem
encapada com a couraça normal de um tecido vigilante diante da imagem da certeza
de posse, na terra de ninguém.


Rafael Belo (Folha de Outono) 11h54, 24 de janeiro de 2010.

sábado, janeiro 30, 2010

Nuvens Vertentes

* foto tirada exatamente assim, enquanto virava omundo de ponta cabeça

Chora chuva pelas lágrimas vertidas das nuvens coloridas de outrora
Chova guardada na nascente de um dia novo cavalgando pelo lume da aurora
Chore até um outro alvorecer, até ser orvalho do sereno do luar

Uma manha limpa vertendo dos olhos,
que revigorem,
o olhar,
Guardarei tuas pérolas choradas como uma praia de seus grãos de areia
Onde ateia a flâmula ardente e repousa a vida contínua

Toda dor chove um dia por fora ou vive a chover por dentro
Um sofrimento

Natureza humana de sentir e esconder o que sempre está lá
A incomodar tantos fingimentos, nos labirintos dos esconderijos lamacentos

Até raiar uma luz, rolando das nuvens nubladas do coração.

17 de janeiro de 2010, Folha de Outono (Rafael Belo) 19h52.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Receio da certeza

Por Rafael Belo
*foto tirada na volta pra casa enquanto o dia nascia


Estava tudo certo, mesmo não combinado consigo e com ninguém. Surgem em pensamentos era isso, era essa. Nem precisava a conversa. A certeza estava lá antes da gente. Precedeu o momento, precedeu a pessoa. Há uma magnitude levando a mente e a alma a se atrair por aquela força magnética percorrendo. Mas, há um medo de comparações próprias. Há um medo de insegurança constrangedora. E na nossa sapiência descomunal, decidimos não errar não se ferir. E o momento passa e a pessoa continua.

Penso neste receio da certeza dentro da nossa mente, a contradizer a certeza repleta de todos os sentidos do corpo. E ainda dizem não sermos loucos. Nossa! Deixamos tantas vidas para trás e muitas vezes ficamos na mesma. Como se não houvesse evolução. Como se universo não fosse uma conspiração silenciosa voltando no momento certo, para o não combinado, para as precedências involuntárias a baterem e acelerarem o coração sem tempo.

Quantas vezes não foi vista “aquela pessoa” e houve uma pausa no mundo. Se foram poucas ou nenhuma há bons amigos e psicólogos que podem ajudar... É como se tivéssemos algo faltando uma peça “do nada a perder” a impulsionar a engrenagem sem receio. Poucos se arriscam na vida e é tão arriscado viver. Me parece ser esta a tal liberdade. Seguir em frente, saber “voltar atrás” e saber aceitar os erros. Seria esta a perfeição? A perfeição é algo infundado, já que errar é que nos faz tão humanos.

Receio ter de dizer isto, mas receios devem ser recheios feitos trocadilhos para aceitar o convite de adentrar aquele olhar. Não é preciso dizer se apaixonar até que reticências tragam um ponto final e não venha a se transformar em Amor, afinal. Sem desespero. As certezas são temporárias, menos a final, mas até lá não é são duvidar de nós mesmos. Que o receio recheie, mas não seja o sabor.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Rostos sofridos


*A foto eu tirei no meu retorno enquanto o sol nascia para dar luz a um novo dia. Alvorada aquarela!

Por Rafael Belo

Crianças nas ruas. Descalças, algumas sem camisetas. Há algo diferente nos olhares. Um vazio, uma necessidade desconhecida para elas. Seus pais têm rostos sofridos, às vezes reclamam da vida, mas por hábito dizem estar “tudo bem”. É uma situação de vida onde falta cidadania, esta tão distante como o bairro asfaltado ao lado ou o centro há alguns ônibus dali.

Eles estão acostumados, assim como muitos de nós, a viver à margem de tudo. Privados de direitos. Olhados com olhos tortos e caminhos desviados pelos mais “abastados”. São rostos velhos salientes cheios de marcas profundas feitas pela navalha cega da vida, antes da juventude chegar. Parecem fadados a viver sempre, nas situações precárias limites onde estão.

Dizem ser futuros marginais aqueles pequenos. Mas, alguns infelizmente já o são. Vejo marginalizados, isto sim. E neste ano atravessadores para políticos vestidos de caráter duvidoso e lascas de madeira e promessas e pão e circo e entretenimento vazio e assim se atrofia a humanidade.

Nas primeiras vezes, fui até as margens da cidade para tratar de tiroteio, brigas de gangue, violência, descaso, buracos, crateras, alagamentos... E há sempre um traço de sofrimento nos rostos curtidos. Enganamos-nos ao comparar: “São iguais mulheres bonitas. São invisíveis. Ninguém vê ou se importa se há vida inteligente por ali”. Já na região central ou com mero abastecimento adequado de água, luz, esgoto e coleta de lixo a face dos assaltados é de ofendidos e alheios a este mundo. No entanto quem tem culpa da dores e alegrias do mundo?! Heim?

Mas, o mais triste é ver as crianças vivendo e sobrevivendo no meio e do lixo. Para quem, como nós, não está largado a própria sorte. Respirar ali é sinônimo de passar mal, de ânsias, de lágrimas... Os menores agressivos feitos animais selvagens sem contato com a civilidade, sem carinho, sem qualquer afeto, vivendo no desamor, usados e abusados já estampam na testa, conforme a visão de muitos, a palavra “perdido”, “drogado” “aprendiz de criminoso”. Palavras cruéis de crianças mostrando os dentes e avançando nos carros ousados ao passar por onde não “lhes diz respeito”.

Vi esta realidade nos poucos lugares em que trabalhei e fotografei nesta minah apaixonada vida jornalística, depois voltei e volto pra casa sem esquecer mais daqueles rostos sofridos. Já no caminho penso um pouco como Carlos Heitor Cony: “E ninguém toma nenhuma providência!?”. Mas eu é que não vou desistir e fechar os olhos e esquecer. Vou insistir para que tomem - não cicuta ou o veneno do trágico amor de Romeu e Julieta, mas as providências.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Retornos


(foto tirada da saúva no meu novo velho quintal)
por Rafael Belo

       Veio um momento silencioso há alguns meses do fim deste último ano. Era hora de voltar como um experimento eternamente inacabado. Mas, o instante preciso ainda rodava pela estrada para propor meu retorno. Vinha ao meu encontro. Mal sabia ter eu a decisão tomada, àqueles que vinham. Já era hora, algo me dizia. Eu balançava a cabeça e imaginava as pessoas voltando ao meu círculo tão amplo. Mais uma vez a estrada me chamava. Foram dois anos. Silenciosamente pensava. Seria esta minha casa? Sim... Minhas raízes aéreas sempre voltavam para “o” lugar.
     Mais alguns pontos seguidos de reticências na minha vida se reiniciando constantemente. Sorria com a certeza da decisão tragada feita um copo de aguardente envelhecida. A arder em uma mistura de calor e frescor, acendendo os olhos como um ânimo injetado de vida sem qualquer rotina. Minha vida. Passando pelas entradas para mais adiante fazer retornos. Tantos livros lidos e tanto tempo longe da “vida inteligente” refugiada nos campos da blogsfera.
     Começar do zero é o refrão da minha balada mais tocada. Mas, desta vez permiti enfim, a adoção legal da minha pátria regional e uma ligeira troca de música. Mesmo dizendo aos ventos não ser de lugar nenhum e ser de todo lugar, meu coração insiste em ser desta Cidade Morena. O meu refúgio negligente com o mundo de costas, porém com mãos estendidas. Esta Campo Grande, neste Mato Groso do Sul acaba por ser para onde volto.
     Agora é 2010. Neste momento quando volto a postar meus olhares do avesso. Quando deixo a mudez completamente falando pelos cotovelos. Minha virada sem posses a não ser as palavras aleatórias por acaso formando algo compreensível, depois de tantos livros empilhados na ponta da mente. Após uma nova evolução, nem sempre dar um passo para trás significa o mesmo retorno. Estou de volta.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Um Vários

(tirei esta da espetacular janela do meu amanhecer de um apê)


Há mundos colidindo em mim e me formando, formações
evoluções desequilibradas para o cachorro existente dentro
querendo roer ossos da fidelidade de se expressar quando
na imaginação tem gente, diria demais, mas não é

sem se levar a sério na seriedade de não ser se lembrando de esquecer

nas mudanças ranços enteiados das partes sempre chuvosas
umedecendo as partes secas, esfriando as partes quentes
parando no ar nas mediadoras folhas do tempo marrom
diria dos imaginários amigos mas são eu de mãos dadas personalizadas
todos esperando sua vez de se expressar na própria evolução partilhada

Daí vão dizendo ais no tempo molhado escorrido compartilhado
alguns cheios de sais outros adocicados demais, uns falta até tempero
Como um exagero gastronômico, mas literário na altura dos olhos que pode ser um galho
Pronto para quebrar, partir ficar, mas pretende sentir,
para me formar um, são necessárias várias multidões de mim.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h, 23 de agosto de 2009.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Volte outra hora

(deitado em um chão antigo tirei)


Aquelas horas estavam enrugadas
na banheira de rugas expressivas
ao redor das olheiras espalhadas pelo corpo
despercebidas no desaperceber daquele sal nas águas
fazendo da profundidade superfície flutuante do pilar

de uma liquidez liquidada na voracidade devorada sem constituição
uma repartição não repartida para fora do bando uivando seus balires
matizes pastorais da maioria, rebanho, respondendo os sinos babando
falas shakespearianas nos lugares-comuns, comunamente se esgueirando
pelas beiras das sombras matreiras

Quem diria o dizer mastigado com pedaços de engasgo
faltando o ar nos neurônios de últimos suspiros
suspirando
garganta tapada tapando o ouvido ao fechar dos olhos
três macacos
não há vagas.


Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h28, 16 de agosto de 2009.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Somos.

(tirei foto dos candangos )



Páginas em branco escritas, Vão ao vento voar
Soltas em elos existenciais sem espaço nem cálculos
Toda distância é proximidade calorosa de uma batida
Amores de um coração imenso de essências glórias
Não há tempo na amizade nascida de um reconhecimento
são circunstâncias necessárias da vida para poder inalar ar
em retumbâncias ecoadas na alma em eternidades laçadas
de sentimentos descritos justiçados depois de uma olhar mareado
Na única maré cheia sempre, de perdas de fôlego
Persistente em ser toda uma extensão de apoio de mãos
Sustentação de brilhos no olhar, de sorrisos cegantes, de corpos em pé...
Passos adiante, triunfantes abraços, ombros presentes, raízes ascendentes, fé
Todas as promessas em pessoas imperfeitas, a melhor das perfeições feitas vários
O Santo Graal, verdadeiro relicário reluzente
Está em nossa gente vista mesmo fora da proximidade
A maior profundidade de quem somos, Amizade.

10h55 (Rafael Belo) Folha, 10 de setembro de 2009.

terça-feira, setembro 08, 2009

Interpretação textual

(tirei da onde mesmo hehehe ee estrada ainda bem que estava deserta)



Chocaram-se em perdição
naquele caminho obstruído
só havia dúvidas e joelhos abraçados
até a cabeça martelar a parede do atalho
e rachar enfim de um talho interno de bolor

entalho na pele enquanto célebre árvore
de pernas que perdem a noção do equilíbrio
forjado da queda estreia vazia, naquela floresta deserta
de gritos e aplausos chocados de superação concreta de caos
inverso no avesso contrário averso ao paradoxo imaginário de acertos

foi um raio de um céu limpo
chocando o cume esverdeado de galhos secos
partindo o tronco em dois na multidão de engarrafados
no fluxo corrente corrido de falsos independentes
surdos aos estrondo brutal nos aplausos gritados dos invisíveis.

Folha de Outono (Rafael Belo) às 13h13, 16 de agosto de 2009.

domingo, setembro 06, 2009

quarta-feira, setembro 02, 2009

Liza Vazi

(tirei esta em um trabalho com três amigos, me chamou a atenção a maestria do reflexo e do convite)

por Rafael Belo

Vazaram os sentimentos em uma nascente de liberdade. E ela estava vazando todos de uma vez sem preconceito sem rejeição. Era preciso. Soltou as amarras da sua vida. Era território completamente desconhecido. Tirar o dentro pra fora. Nada de fugas desta vez. Enfrentaria e não voltaria atrás. Pelo menos era o pensamento fixo que a tomara. Liza Vazi andava só com seus papéis e a cada passo sorria mais e chorava mais. Era um misto sentimental inexpressível em palavras mas super claro.

Quem passava via uma jovem sem juventude com vários livros, HQ’s e cadernos de anotações fortemente pressionados sobre o peito, o rosto vazado dos olhos de mel escuro com uma sombra prateada manchada pelas várias horas de caminhada sob o frio daquele domingo primeiro, os dentes superiores para fora mordendo os lábios inferiores e muita determinação naqueles 16 centímetros a mais de meio metro de pessoa de pele amarelada. Magrinha que só pena do vento para ela não decolar. Quem disse que esta não era a vontade dela? E se a medisse por dentro... Bem, veriam ser impossível usar de medição!

Quero decolar. Tenho antes de encontrar minha pista de voo. Minhas manobras começaram. Como um salto do vigésimo andar para perder minhas asas forçadas da paternidade. Cara, eu não sou um ideal de gente. Nem quero poder ser. Mãe, pai me desculpem ais a filhinha queridinha aqui sabe quem é antes de vocês aos 30 e muitos. Cansei de ser tratada pela minha idade e vocês dizerem: “madura demais, criança!” Criança?! Pelo amor! Escolham palavras melhores. Espero saberem da minha partida, não fuga, ser necessária. Posso ter 15, mas meus 15 valem o 21 de vocês e olha que vocês nem chagaram lá ainda. Podia ter deixado uma carta assim. Não quis. Fui clara “um dia eu volto. Amo vocês. Smack smack , smack smack. Uma bela olhada nos dois esmagador abraço, outra olhada e até. “Vocês fizeram o possível. Agora é comigo!”

Sou Liza Vazi. LIZA VAZI. Grande coisa para mim. Posso não viver do meu sonho, mas tentarei até o fim. Houve sempre algo me atraindo para isto. Este momento. Agora nele não tenho pressa. Não mais. Cadê meu espelho? Aí está você sua monstrinha bela! Espero não aparecer na tevê. Nada de muita maturidade. Isto seria mostrar que sou totalmente madura. Pode ser pra minha idade até demais. Idade não é problema eu sei segurar minha mente. Mesmo pesada.

Minha liberdade chora. Como se fosse o doutor Frankenstein, mas com quase as próprias palavras. “I’m alive! Finally!” Pouco pretensiosa no linguajar estrangeiro como se fosse “ás” das línguas. Passando as mãos nas capas das minhas outras liberdades escreverei estas histórias com minha aquarela. As mulheres têm de criar seus próprios personagens nos quadrinhos. “Vazante”, dona das lágrimas da vida, da força e da leveza pra voar. Agora, onde está minha pista de manobras?!

terça-feira, setembro 01, 2009

Dias chuvosos

(tirei esta ao lado do supermercado há dois anos)

Por Rafael Belo

Dia chuvosos são caóticos para o caos das cidades... Fora sábados e domingos onde se nota a úmida ausência de pessoas nos lugares. Os outros cinco dias parecem forçados por trabalho de servidão - às vezes os seis, até os sete. Há a milenar robótica de atos conduzidos por repetição. São 24 horas de branco, como se fôssemos ideias abandonadas. Bem, 12 horas na verdade, as outras 12 são o apagão no fechar dos olhos, só há escuro na mente. Como indicado por aquele médico obsceno e monstruoso.

Por indicação arrumamos rumos nas nossas direções. E no fim da linha algo ajuda a deitarmos nos trilhos para viver outra vida, mas os trens não passam mais. Um desperdício a menos, um trabalho pesado para os corações que nos querem a menos. Ufa. Chova chuva, chove porque viver para trabalhar não é vida, bem, é vida de inseto. É ser operário, zangão de colméia em função da monarquia, mas vivemos uma aristocracia. Nossos nobres detêm o total ou pelo menos dois terços da riqueza brasileira ou/e propriedade. Seria democracia se fosse, nós, plebeus o povo possuidor destes terços.

Mas, esperem... Não... Continuem... É só papel oficial e nossa falta de atitude. Afinal, nossa pessoa é nossa maior propriedade, sinal de liberdade O Estado então é o único livre destituidor. Quem está contando a minoria burga dos aristocratas usurpadores do platô o poder de lacuna interina?

Dias chuvosos são caóticos para o nosso caos... Fora quando nos permitimos reanestesiar durante a semana onde nota-se nossa úmida ausência como pessoas. Nos lugares. Os outros dois dias parecem forçados por trabalho de servidão já presente na mente e na programação – às vezes três ou quatro quando se prolongam as emendas. Há a milenar máscara do pão e circo separando bons e maus a parecer haver só eles definidos. Ah, sim, claro! Nas áreas cinza estão os lagartos e os largados.

Carros abandonados aos pedaços longe dos centros são suficientes para proteção do vento, portanto boas moradias. Pelo nosso abandono me sinto como um morador sortudo de um carro ao relento. Nele há os despossuídos. Nos despossuídos há o quê senão a esperança de um pão amanhã? Não sei dizer, mas não parecem querem muito como se não pudessem. Parecem sentir-se diminuídos diante dos abastados comedores de pães diários.

O sol não aparece. Seus raios invadem as brechas do céu para os brechós em nós. Assim se sabe haver uma luz acima de nós para nos aquecer e ela se descobre dentro também. Mas açucares, aspartames e adoçantes em geral não saem na chuva, porém dão um adocicado sabor ao amargo café da vida como ela é para alguns. Dias chuvosos são tempo de reflexão como se o clima se alterasse para ver se o mesmo acontece com a consciência do coletivo, coletiva e de cada qual. Derreter na chuva só é obra de alguns a saber a ordem no caos, mas pode ser de todos.