sexta-feira, agosto 04, 2017

um medo particular(miniconto)





por Rafael Belo

Sinto-me uma cidade turística com seus picos de altas temporadas e suas ausências no restante do ano. Andando pela Rua do Comércio há silêncio, mas é como se cada pedra deste lugar falasse e eu não escuto. Não sinto nada. Estou bloqueada como as cantadas insolentes, invasivas e baratas me alcançando diretamente das redes sociais. Falta vontade e disposição para sentir de verdade. Minha empatia era extrema e eu a condenei a inatividade. Ela me esgotava. Mal conseguia me ser quem dirá ser muitas outras... É como se eu fosse uma praia inexplorada e de repente alguém me divulgasse com patrocínio no Facebook e Instagram. Nunca mais soube se eram meus sentimentos ou das outras...

Consideraram-me louca e realmente eu enlouqueci. Se já é difícil lidar com os próprios sentimentos imagine com uma enxurrada sentimental mundial? Quem pode me entender? Em nenhum momento da minha vida eu me tive para mim. Era obrigada a ter uma concentração impossível para descobrir se me pertencia o que sentia ou a outrem. Não descobri antes e ainda nada sei. Mas, eu não aguentava mais, sabe? Desconhecia a sensação de sentir sono. Eu sentia angústia, ira, fúria, ódio, dor, sofrimento, alegria, tristeza, decepção... Esta Era da decepção, da depressão me fez um abismo tão profundo a ponto de no outro lado ter um buraco negro esperando em looping...

Talvez eu seja uma mulher vazia hoje, mas já fui A Recebedora. Talvez quando era assim fosse também cheia de tudo e isso significava ser cheia de nada... Sai vagando e vi alguém como eu fui. Teria sido eu? Quase cedi a um impulso desconhecido de acolhê-la e dizer que tudo ficaria bem. Ah, ta! Até parece! Ficaria pior na medida em que... Ela se contorcia de dor... Eu cheguei a começar a sentí-la, mas rejeitei de imediato e corri. Sim. Eu corri para longe. Eu estou no fundo de mim, sei disso, repleta de toda a empatia bloqueada inata em todos nós. Rá! Eu digo bloquei, mas não é bem assim, sabe? Eu ainda tento não dormir porque não tenho controle...

Assim, descontrolada, sinto tudo aquilo guardado no meu eu no fundo de mim... Sonho com cada pessoa deste meu mundo. Todas têm uma cor diferente referente ao sentimento delas e, no caso, meu sentimento. Eventualmente eu durmo e irei dormir de novo. Tenho medo. Pode até ser esta minha missão neste mundo: ajudar quem não consegue lidar consigo mesma sozinha, mas não achei não poder ser obrigada. Mas, parece ser a única forma de passar, de entender, de continuar... Quero só andar sem sentir nada além da brisa marítima e meus pés descalços nestas pedras deslocadas. Porém, eu temo o logo mais e tenho um medo em particular... Tenho medo de sonhar.

quinta-feira, agosto 03, 2017

imperativo bicho-grilo




essa tal de sanidade sorria a adorável timidez
na vez de olhar se encolhia vestindo toda simpatia da lucidez
insensatez era sair da rotina uma tina cheia de água gelada no corpo nu do inverno
só solidariedade sensibilizava algo fraterno era moderno com um quê de solidez

estupidez este êxtase absoluto em um país de luto pela mortalha da seletiva surdez
a palidez mostra a insuficiência de provas palavras pronunciada pelo povo vivendo em morbidez
hibridez de ideais e valores dando ideias deturpadas do sentimento de invalidez

fez toda a vontade vinda veloz sem nem passar pela mente e de repente dói o coração
em uma rapidez presente pela visão imponente de tudo aquilo possível de ser

verdes vós mesmos este infinitivo pessoal infinito engolido pela sordidez do eu imperativo motivo que  vê a empatia como um distante bicho- grilo.


+ Rafael Belo, 09H, quinta-feira, 09 de agosto de 2017 +

quarta-feira, agosto 02, 2017

Muitas outras (miniconto)





por Rafael Belo

Acordei com aquela dor na rua. Olhava para as pedras desconjuntadas não diferenciando a calçada e não entendia. Nunca tive dores de cólica, gástrite ou quaisquer desconfortos estomacais. Mesmo assim meu estômago imanava um sofrimento a parte e realmente eu gostaria de estar aparteada dele. Esta intervenção interior não me pertencia. Tinha certeza. Neste momento me recordo de vir de outra ou outras – este sentimento - me atingindo como se fosse meu e era. Aí pensei se aquelas vias feitas daquele jeito sem nunca pensar em calçadas, quando havia desnível, provavelmente era pensando em alagamentos e inundações...

Eu preciso achar meu desnível. Emanar-me de mim. Nãonãonão. Eu preciso lidar com isso. Eu vim até aqui fora para respirar, mas este fora não existe – eu insisto – é furto do meu olhar, fruto do desviar. Talvez até esta brisa do mar seja minha imaginação me distraindo. Desacredito eu querer me enganar. Há sim esta brisa marítima. Mas aqui, respirando com dificuldade, é o comércio o comandante de tudo. Todo este planejamento universal é minha sincronicidade com esta cidade. Não se engane! Estamos sitiados. Manipulados há um nível difícil de definir. Há uma subvoz usando um subtom bloqueando a empatia... Continuo em dúvida se é dádiva ou maldição. Quero acreditar ser um dom...

Então, assumo esta dor. Ei! De supetão ela mudou. O sentimento não é mais o mesmo. O meu sentimento de libertação se sobressai agora. Ou a dor desta pessoa passou ou a minha libertação a afetou... Vamos lá! Você também tem empatia. Comece com a simpatia... Não somos obrigados, mas ser antipático é bem pior. Não é, não? Lembro como era ensandecidamente intensa quando permitia minha empatia me explorar por completo. Usei o medo disso tudo de forma errada. Fiquei lacrada por muito tempo como o suprimento intacto de um navio afundado em um lugar inexplorado do fundo do oceano.


Não serei menos intensa, menos sorridente, menos presente... Só tentarei ser menos egoísta. Ter tantos mundos sentimentais completos dentro de mim me faz tantas mulheres. É como ser única e especial sem contrastar com ser comum. Pode sentir isso? Somos elo sim. Precisamos nos libertar. Sem esteriótipos, sem protótipos, sem empoderamento porque nós somos o próprio Poder. A empatia se aconchega melhor nos nosso deixar ser. Vou identificar a origem deste meu sentir você e chegarei aí onde esta fisicamente. Não só conectada a sua mente e aos seus sentimentos. Também habitaremos a pele uma da outra e ainda sim seremos nós mesmas, individuais e cheias de personalidades. 

terça-feira, agosto 01, 2017

esta tal de sanidade



 cada um de nós tem parte de toda a verdade
mas inteira se tratando de quem somos nós
não nos falta pedaços muito menos metades
a humanidade só é completa quando vive o outro sem deixar de se viver em nós

somos desatados quando empatia e ela nos veste de dentro pra fora
não há nada fora encontre a sintonia os ruídos fazem parte do caminho
entre ilhas e ruínas somos a construção itinerante do desalinho

andorinho querendo andorinhar um instante vivendo a mesma dor amor intensidade
não há como estar sozinho a solidão é uma forte ilusão para se perder a sincronicidade

sinto cada parte de ser você porque você sou eu quando entrega esta tal de sanidade.


+às 21h20, Rafael Belo, segunda-feira, 31 de julho de 2017+

segunda-feira, julho 31, 2017

Demasiadamente poder ser




por  Rafael Belo

Amanhece mais um dia e ele vem cheio de empatia para a gente conquistar a liberdade. Esta conexão de um sentimento total dentro de nós transpassando a solidariedade instantaneamente é como tirar férias das coisas materiais e, finalmente, ser humano. Sentir não só o próximo, mas o sentimento dele. Não apenas curtir, compartilhar, fazer um novo post e textão, mas pertencer também a uma dor, a uma preocupação e a uma alegria. Um coletivo movimento verdadeiro como a natureza. Veja o mar. Ele beija em ondas pelo impulso dos ventos toda a praia, molda as pedras, se arrebenta e todo este entorno vai com ele...

Não percebeu? Se o mar está agitado tudo ao redor também está. Nunca sentiu isso? Aquela mudança no ar indicando chuva, perigo, alguém se aproximando ou alguma coisa prestes a acontecer chamados por nós de intuição? Com certeza em algum momento da tua vida já. Então, isto é empatia. Intuição é uma simplificação desta nossa sinergia e sincronização, mas aos poucos vamos avançando em direção da idade e ela vem nos encarando até o inevitável encontro. Ao nos misturarmos nos afastamos deste nosso sentimento original capaz de sacramentar o pertencimento e culpamos o tempo ou alguma faixa etária a qual passamos.

Pertencemos a tudo sem ser propriedade de nada. Feche os olhos e respire bem devagar e saberá sobre isso de imediato. Nós multiplicamos, dividimos, somamos, mas aprendemos menos a diminuir de forma grossa, pejorativa e de afastamento. Estamos enganando quem? Este corpo acaba a cada novo dia e se não estamos em sintonia com nossa divisão... Caímos na repetição. O telefone toca e sem ver o identificador ou qualquer razão plausível você sabe quem está ligando... Bem, já sabe. Mas temos medo de dividir e de somar e ficamos só olhando sem sequer ter argumentos ou saber de onde vem este discurso usado ou pior, sem sequer pensar no significado real dele.


Está em nossas mãos este elo inquebrável nos igualando diferentemente uns aos outros de não estar e se colocar ali naquele sentimento e situação, mas viver aquilo. Estamos psicologicamente, emocionalmente e espiritualmente sentindo porque somos espíritos perdidos em uma competição por vazios, por belezas, por troféus, por relacionamentos falidos, por dinheiro e poder. Você sentir algo pertencente a outrem não é um fardo é realmente entendê-lo tornando tudo mais leve, célebre e divino em um pulsar tão humano quanto demasiadamente se pode ser como as ondas, raízes e conexões em nossas palmas, só olhe e deixe. 

sexta-feira, julho 28, 2017

Terei uma chance de tentar? (miniconto)





por Rafael Belo

Violência era meu canto. Havia êxtase, alegria… Talvez um filosofia de mosca sem asas de bar deturpada. Batia embevecida pelo meu pranto. Não eram minhas as lágrimas. Eram páginas não escritas do livro do agora de outrem. Quem sabe estímulo de Whey Protein ou alguma fórmula exaltada da forma do corpo vazio. Ok! Há algo preenchendo, mas me esvazia quando arrebento quem considero mal. Meu julgamento anormal destilação muita movimentação.

De antemão lanço meu braço. Todos dão um passo para trás. Antes um impulso por um espaço aberto para saltar com impacto o estardalhaço desta falência social. Está tudo tão desigual que a única forma de extravasar é a extravagância de matar. Lutar uma reforma em forma militar. Quando a contenção inclui ruins e bons pelo único motivo de um não excluir o outro. A dualidade é uma rivalidade inexistente persistente para facilitar marcar, sacramentar e demonizar. Militalizar é a força e organização estratégica de retomada. É função. Nada de democracia. São eles ou nós.

Sós seguindo o efeito manada. Subindo e descendo escadas da maneira mais popular. Não falta ar até chegar ao mar e ver o primeiro albatroz pousar. Vítimas e algozes de uma guerra civil. Esta também faliu antes mesmo de estrear. Sou Estrela tentando brilhar como meu nome, mas já inexisto há mil anos-luz. De imediato sou um sentimento afogado, um suicídio da evolução que eu preciso. Há exatos tempos incontáveis tudo era o mesmo e eu era um beijo a cada tacape. Hoje o homem continua sem nada de sapiens e muito de das pedras ainda pensando em ser neandertal.

Estou aqui quebrando tudo achando absurdo ter que ouvir estas pedras atiradas como pétalas. São pérolas raivosas as quais a gente não releva. Por isso, o quebra-quebra é pouco. Mas, quem me vê de fora acha que por dentro sou lago, não este mar agitado predicado do pretérito-mais-que-perfeito estereótipo do próprio defeito. Rótulo de etiquetas equivocadas sujeito mineiro catalogado por Drummond. Sou o som contrário deste articulado “tenha calma”. Sou sujeita, sujeita à irritação. Quem sabe não seja esta a purificação...

Não há como apaziguar uma multidão tentando encontrar a paz libertando mais de cinco mil anos de escravidão. Sei, de antemão, a necessidade de guerra pela minha paz. A antecipação é apenas estratégia. Sou palco e plateia vendo e atuando ao mesmo tempo a interpretação desta paz, mas quais materiais derivam do capaz para a conjugação do faz para a gente despertar? Esta sensação deve arrepiar só quando a gente começar a cansar. Aí vem a pergunta: terei uma chance de tentar?

quinta-feira, julho 27, 2017

deixar paz



todo o mundo molha os meus pés no caos das ondas tentando me puxar para o profundo
sou do tamanho do infinito violento me atingindo quando estou ainda mais fundo
seco ao vento caminhando na praia de ninguém
o som das águas chama um frenesi em vai e vem

a luminosidade foi engolida pelas brumas do horizonte
amanhã hoje neste momento cada movimento se comporta como ontem
não há desatar neste nós a nos atar no confinamento de um diferente mar minguante

falam da lua cheia do feito agora pouco pelas sereias
tudo conto destas mulheres-anfíbio em seu canto para nos carregar em uma iludida deixar paz

vultos passam correndo iluminam meu silêncio com seus incômodos trazem as brumas para dentro de mim e já não me deixam mais em paz.

+Rafael Belo, às 11h30, quinta-feira, 27 de julho de 2017+

quarta-feira, julho 26, 2017

A desperte comigo (miniconto)




por Rafael Belo

Eu sabia. Tinha certeza da perturbação. O racismo, o machismo e a quantidade de ismos vindo tentar me abalar. Não. Não importa eu ter 17 anos. Eu já sei o que eu não quero. Nunca é possível ter certeza da idade de ninguém nem a mentalidade. Podemos sim saber da falta de paz em qualquer um. É impossível esconder. Sou jovem em aparência e idade, mas minha alma é o lago mais antigo deste planeta. Quero dizer: sou calma. Estou em paz. Não diria finalmente. Afinal, eu sou jovem. Mas, emana daqui das minhas entranhas esta sensação leve e clara.

Sou Líria. Branca como um lírio alvo. É… Meus pais costumavam dizer isso com uma felicidade. Eles diziam: “Esta é nossa paz, Líria.” E eu me apresentava:  “Sou Líria.” Eu sentia dar paz a eles. Talvez seja esta minha missão. Eu me emocionou fácil, mas faz um ano hoje já. Um ano sem perder a calma, sem me descontrolar. São dois anos sem meus pais. Fui obrigada a me virar, a amadurecer. Posso quase dizer: amadurecer é despertar a paz. Vou invisível neste mundo anonimamente chegando até vocês. Imperceptivelmente pronta para te fazer sentir a paz e está habita em você.

Nunca me questionam ou proíbem minha entrada em algum lugar. Eu pareço familiar para todos e consigo fazê-los sorrir de volta para mim. Não tem a ver com branco, nada disso há no silêncio, no mar, na natureza em geral, só na crença, fé ou no Deus de cada um. Temos muito de divino. A alma habita a mente e liga tudo ao coração. O corpo sente a partir desta conexão e, muitas vezes, precisamos de formatação. Sabe, eu estava com meus pais durante o acidente e no momento deles deixarem esta realidade. Eles me olharam além da dor ali se intensificando e eu vi incentivo, alegria e paz.

Foi o meu clique. A minha pedra fundamental. Um explosão vibrou em mim. Eu me liberei, chorei e logo sorri. Foi tragicamente lindo. Beijei cada um nos olhos naqueles corpos pela última vez e logo a explosão física aconteceu. Acordei distante quando os socorristas chegavam. Não havia mais corpos me disseram mais tarde. Agradeci silenciosamente por isso e eles interpretam como trauma. Não haveria lápides para levar flores, cuidar e lamentar. Não! Minha memória deles era de paz e eles estavam assim porque eu estava bem e viva. Eu compreendia. Viveria em paz. Busco tocar agora com minha paz saudando a paz em você. A desperte comigo.

terça-feira, julho 25, 2017

a cada desatar



um silêncio de pássaros amanhecidos nos amanhecendo
do vento no lago nenhuma marolinha fazendo
nossas peças alvorecendo refazendo nossa alma original
uma curva meia lua para cima nos flutuando elevando todo peso ao um nada igual
é a paz inominável para não ser perturbada

gravidade zero no elo da alma com o corpo
estamos soltos de quaisquer amarras sociais
há necessidade de ser um tanto louco no meio desta quantidade de seres normais

de perto já sabemos mas por dentro vamos morrendo
desconhecendo a calma necessária para gritar

há tantos infinitos entrelaçados no nosso interior que vamos nos aquecendo libertando a paz a cada desatar

+às 09h17, Rafael Belo, terça-feira, 25 de julho de 2017+

segunda-feira, julho 24, 2017

cair em si





por Rafael Belo

Vivemos em busca de algo. Queremos nos sentir bem e, às vezes, reviver aquele momento onde tivemos paz. Só de lembrar os olhos brilham e lacrimejam de alegria, quando não escorre uma lágrima abusada, não é? Mas, por melhor ser recordar, importante mesmo é viver neste agora. Infelizmente, queremos acreditar nas propagandas, no capitalismo selvagem e saímos comprando coisas, vendendo imagens, querendo possuir pessoas e katabum: eis a felicidade. Opa! Não! É o avesso disso.

Tudo isso, consequentemente, cria um ciclo de vícios de erros e infelicidade. Violentamos nossa mente, nosso coração, nossa alma e nos afastamos do lugar onde mais deveríamos estar. Chegamos e partimos achando estarmos vivendo com tudo culpando os outros e o mundo. Geramos violência e nos machucamos, mas não há culpa nisso. Culpa só causa mais violência. E agredindo a nós mesmos deixamos de assumir quaisquer coisas e só queremos dormir. Temos de assumir nossos atos e acordar. Ah, e a felicidade? Só podemos ser felizes se despertamos a paz.

Então, pedimos, rezamos,  oramos, nos anestesiamos de todas as formas e, claro, mentimos. Não agimos e queremos barganhar com a natureza, com o tempo, com nossa religião… E nos religamos por acaso? Embriagamos-nos das ilusões mais perdidas nesta nossa inabilidade  compartilhando responsabilidade e fraudes acabando por desistir ficando com uma falsa estabilidade e paz. Pedimos paz, exigimos paz, berramos por paz, ordenamos paz sem saber o significado, mas onde está a paz?


 Deus, na sua fé, na sua crença, em um lugar, em uma pessoa, em um animal, em um livro, em uma canção, no seu trabalho, na sua família, na sua habilidade, mas não está só nisso nem apenas Nele. A paz não nos invade ou está acessível fisicamente, virtualmente… Ela é uma busca dentro de nós. Não paramos de procurar a paz, mas ela está em nosso coração, na quietude da mente, no sossego da alma… É preciso calma para alcançá-los. Respirar fundo e sorrir para fechar os olhos e mergulhar no tal cair em si. Aí nasce a paz.

sexta-feira, julho 21, 2017

Naturalmente (miniconto)





por Rafael Belo

Aparentemente ela não se movia. Mas era difícil perceber à distância. Fui me aproximando e agradeci pelo frio não a ter matado. Era para ela ter congelado. Envolta daquelas flores... Bem! Pensando bem... Não deveria ter nenhuma flor aberta, mas aquela ali no rosto dela... Estranho. Está brilhando, vibrando enquanto todas as outras fechadinhas... Não entendo.  Sempre me disseram para não sair: “O inverno mata”. Eu queria saber como e o motivo. Diziam sermos descendentes do inverno original e nossa frieza vir daí, da mesma maneira este jeito seco de tratar o outro... Quero saber o motivo e esta sobrevivente vai me contar.

Mal dei um passo e os olhos dela se abriram. Havia pouco branco neles. Era de um azul gelo de uma tonalidade indefinida como se houvesse um vento soprando para sempre naquele espaço cintilante. Ao invés de medo, senti uma familiaridade e uma conexão apertando meu coração instantaneamente. Todas as flores se abriram quando a olhei nos olhos. Ela me chamou de irmã, mas não disse nada. Ainda permitindo um aquecer na minha frieza, da mesma forma silenciosa disse seu nome: Nivis Cristal e me chamou de uma forma ainda nova para mim: Flori Petali.

Tudo, até então disperdiçado e disperso, se concentrou e valorizou a ponto de eu me sentir um campo florido com um aroma inebriante e incentivador. Muda, ela me explicou preferir não falar. Se o fizesse as temperaturas voltariam ao negativo como estavam enquanto ela dormia... Tentei juntar estes pensamentos na minha mente, mas pareciam pétalas em um vendaval. Fiz mais força e ela simplesmente balançou a cabeça reforçando não ter motivo para pressa desde que já havia um entendimento no coração. Haveria o tempo de entender totalmente, mas por enquanto precisávamos juntar toda A Família, afinal nos separaram pensando ser possível controlar alguma coisa.


Nivis explicou, então, o significado de todas aquelas folhas e flores estarem no chão há tanto tempo e todos os animais hibernando. Todos precisavam aprender a mais antiga lição: tudo tem seu tempo e é preciso passar por todas as estações. Mas, não só passar. É preciso viver, sentir, estar lá inteiro, pois, só dessa maneira é possível ir adiante e entender algumas coisas. Eu percebi nunca ter sido seca ou fria de verdade. O desconhecido é frio e seco até o conhecermos sem julgar. O inverno tinha tinah sua porção em tudo da natureza, naturalmente e juntas íamos contar a boa nova.

quinta-feira, julho 20, 2017

para de acabar




aquele sopro frio do tempo foi aquecido no exato momento do calor amigo
perigo jamais existia neste saboroso prato envolvido palato nosso abrigo
nos ingerindo interino viva poesia por este contar comigo sem fim

em quantos invernos tu não foi fogueira e seta na minha direção?

esta chama infinita aquece tanto o coração a congelar sorrisos em qualquer menção tua
nem na lua há dispersão e desperdício já que somos proprícios a melhor imaginação
ação real na atuação dividindo a vida sem distância nos damos esperança somos irmãos

sãos somos nada mas na insanidade do outro somos estrada vamos jornada verdadeira amizade itinerante lar
rimos até do ar estamos prontos para doar nossa força e fantasia ombros todo o precisar

caímos folhas hibernamos ursos somos fogo e úmidos caminhamos juntos e o mundo para de acabar.


+ às 08h43, Rafael Belo, quinta-feira, 20 de julho de 2017 +

quarta-feira, julho 19, 2017

Até o próximo (miniconto)





por Rafael Belo

Nevou pela primeira vez durante minha existência. De repente a densidade daquele branco pareceu nos transportar. Foi como um sonho que tive durante boa parte da minha curta vida. Éramos sobreviventes sem memória. Eu ia à frente e ele da metade para trás. Eu corri quando a brisa fria marítima trouxe a maresia aos meus cabelos. Terminei não só pelo inverno tenso, mas pela liberdade. Decidi que a verdadeira liberdade começa com esta frieza por falta de reconhecimento. É como um fechamento a vácuo, um passeio no limbo ou queimar o chuveiro sem a gente perceber e a temperatura está negativa...

Quando corri ninguém me seguiu, a temperatura estava muito baixa e pesou em todos. Ninguém sabia de nomes ou lugares. Éramos os caminhantes. Vestidos iguais. Andando iguais. Mas não. Isso me incomodava. Eu precisava sair dali com muita pressa. Por isso, ainda estou correndo e já não há frieza. Eu reconheço está liberdade.   Eu sei o que não sou. Já é muita coisa, não é? Ainda é 2017? Não vejo torres, prédios, barcos, carros nem ruas ou postes... Espere! É um poste lá entre as pedras e a areia cinzenta?! Este vento me açoitando não me deixa entender o motivo das minhas lágrimas... Ainda esta frio aqui dentro!

Eu corria sem olhar para trás. Mas não precisava. Sabia que ainda desciam aquela estranha escadaria, seguiam em direção as pedras arredondadas para as areias cinzentas e aquele mar agitado avançando sobre a fila. Não viriam atrás de mim. Não hoje. Não agora... Talvez amanhã se o houvesse... Mas é bem provável não haver nada mais até o fim do dia. Veja! O mar está avançando metros em minutos. Tudo vai voltar a ser mar. Tudo não! Esta sobra por aí... Seremos lavados, as energias limpas, renovadas e então... Descobriremos. Nós somos o passado e nem sabemos disso.


Olhei para cima e vi os pássaros migrando. Era isso não? Mas eles estavam atrasados. Alguns caíam como folhas soltas pelo tempo seco. Outros viraram cinzas, mas dois... Aqueles dois... Pousaram! Pousaram exatamente na minha dúvida. Era um poste. É um poste e tem fiação... Eles parecem saber de muita coisa. Eles esperam algo... São o mesmo, não são? Outono, Inverno, Primavera e Verão... São estes dois e no fim são um só. Eles são as estações... Não se pode atrasar as estações. Uma hora a gente entende a necessidade de passar por cada uma delas, por isso não posso me atrasar. Vou continuar correndo até me lembrar o motivo porque ou você vive como ela vem ou fica como está até o próximo inverno chegar.

terça-feira, julho 18, 2017

deixe o inverno ser



migram pássaros para quentes espaços no silencioso estardalhaço de sobreviver
instigam o abraço de cada mulher de aço oferecendo ninhos temporários para quem precisa crescer
florescer pequenos invernos fraternos direto do poro solo do conviver
vir ver viver cada caída temperatura do topo das alturas de quem não sabe querer

rompe na pele toda uma floresta de galhos no entreter intrigam quem não pode ser ilusão e é multidão fria secando ao estremecer
entortam os trens polares formados no verão com tanta solidão no arroxear do close das flores abertas sozinhas enquantos outras vão fechadas sem saber
com a própria leveza congelam o olhar do extremo alvo alvorecer e algo dentro de nós passa a aquecer

é preciso dar o primeiro passo até para as asas ascenderem e deixarem de manter
o sopro frio do inverno na nuca nua tentando tremer toda a rua começando por você

caminhante esquecido desfavorecido pelos temperamentos caindo como folhas no seco tempo a nos perder

quando o inverno fica desperdiça todo o fogo dispersa a friaca apaga quem atiça a fornalha com a brasa coronária da chama divina detalhando decididamente a hibernação do nosso ocorrer.


+ às 10h43, Rafael Belo, terça-feira, 18 de julho de 2017+

segunda-feira, julho 17, 2017

aparentemente parados



por Rafael Belo

As horas passam e as temperaturas despencam, afinal estamos no inverno e é sempre incerto o quão frio fará. O corpo funciona melhor porque a qualidade de sono é maior e qualquer coisa a gente esquenta. Com os dias mais curtos, as temperaturas menores, as noites mais longas, os temperamentos moderados...  A preocupação mesmo nem é o vento gelado é o clima seco por aqui – onde a má-fama é exatamente as pessoas serem secas e frias. A frieza também mata, não só o descaso com os moradores de rua sem abrigo e roupas suficientes para esquentar. Basta ver os caminhantes vivendo em seu próprio mundo e deixando de hibernar seus desvios sociais, perder “folhas” para desperdiçar e dispersar.

Talvez por vir antes da primavera e depois do outono esta seja a estação adequada para maturar. Pensar melhor e amadurecer. As noites são mais longas para descansar e pensar. Ver as folhas caindo, ou já no chão, não nos leva a refletir? Caem as folhas para as árvores manterem o pouco de água ainda existente nelas, hibernam plantas e animais para conservar energia e a gente faz as máscaras permanecem sem permitir o ciclo natural do envelhecimento e adubo do nosso solo. O inverno é a incubadora do recomeçar, do renascimento e precisamos deixar as sementes plantadas já serem vistas florestas e campos imensuráveis de buquês.

Mas, ao invés disso há um grande campo de nós vestidos de passado, ultrapassados em comportamentos de antepassados apenas mantendo o já possuído contaminando no toque gelado com medos e este olhar superficial de única forma, ao invés da visão em todos os ângulos, todos os jeitos, todos os seres... Somos sujeitos seguidores de conceitos formando multidões de leigos e caos. Os dias passam cada vez mais rápidos e os vemos mais lentos, as noites mais longas e as vemos mais curtas... Nossos invernos estão mais longos para quem sabe a gente possa aprender, aliás, estão à prazo para não esquecermos o motivo do inverno.


Neste período a luz do sol é distribuída desigual: é o solstício. Significa sol parado (do latim sol + sistere= solstitius), ou melhor: ponto onde a trajetória do sol parece não se deslocar. Aparentemente a gente não se move, mas aduba com nossa caminhada até onde chegamos para termos flores para oferecer, aromas para compartilhar, uma trajetória para ser lembrada e a evolução necessária para deixarmos de caminharmos frios e secos para a divisão, distanciamento e o isolamento. Não podemos caminhar em vão até o próximo longo inverno. Deixe as folhas caírem e a hibernação fazer o seu papel ou o passado morto continua a ser seco e frio em cada um de nós.

sexta-feira, julho 14, 2017

Síndrome da Liberdade (miniconto)





por Rafael Belo


Levei um susto. Já estava para derrubar o celular de novo. Veja só esta tela rachada. Está vendo? Parece moda, mas é modo pobre mesmo... Compensa comprar outro a trocar a tela... Anham... Então, por que tem tantas telas parecendo ter levado uma pedrada?!! Onde eu estava? Ah, sim. Lembrei. O susto... Era a notificação do babaca do meu ex, aquele... Solicitando minha amizade. Amizade? AMIZADE? Fala sério. Agora? Na minha vez de ser livre?!  NÃO! Passou é passado. Acabou está acabado. Eu tenho pressa de viver agora. Seria total burrice e voltar para a bolha agora? Nunca. Eu acabei de estourá-la.

Pronto. Por que as pessoas acham saber os reais acontecimentos dentro de um relacionamento? Fofinhos?! Tão bonitos juntos? Cara! Frase de efeito não. A vida já não vai tão clichê... Não vou falar nada. Não vou prejudicar minha liberdade... Olha isso! Todo mundo ressurgindo das cinzas para dar opinião. Eu mereço! Mereço sair deste aplicativo. Pronto! Pôxa!! Véi! Nem deu tempo... Não vou atender ninguém. Nem adianta. Pode parar! No messenger? Na na ni na não! Sai fora povo! Vão escolher um rolê longe de mim... Se começarem a ligar o desespero dele de ficar sozinho já extrapolou... Poutz! Não devia ter falado... Não vou atender!

Se a pessoa não sabe ficar só, não vai saber ficar de outro jeito. Caraca! Wow! Sai daqui! Gente! Mas... ! Quantas prisões me cercando. Deve ser assim o sentimento do passarinho cercado só tendo o canto triste sem saber sobre as asas cortadas terem crescido... Além disso, apanhou tanto a ponto de enxergar a gaiola aberta a porta direta para a dor. Meu! Na boa! Sai dessa vida! Olha quem está falando! Honestamente. Tudo isso aí é balela! Eu sofri da Síndrome da Liberdade! Bodei por meses sem saber sobre qualquer coisa sobre mim! Esta tudo miado! Aquele miado rasgado de abandono...


Mas, isso é passado. Passado! Desculpe! Eu revivo fácil as coisas... Isso aconteceu há doze meses. Estou na última etapa. Está estilhaçando mesmo e esta tela não vai me permitir aproveitar este lugar! Bom esta Live esta acabando. Se quiserem me ver ao vivo... Bem! Fiquem querendo! Não devo nada a ninguém! Quem precisa saber como estou sabe... Espera! Não! Esta é a ultima etapa. Nada! Nada! Nada! Nada pode me prender! Ninguém precisa ter vínculo se não quiser. Esta é a palavra clichê: ninguém é obrigado! Bom pessoas! Chega de dependências a não ser de mim mesma! Aqui é Laíne Boatrilha direto do meu topo do mundo dando adeus as ultimas prisões e a este celular! Uuuuhuuuuu!! E lá se foi o celular se abrir na estrada e ficar irreconhecível de tantos atropelamentos.

quinta-feira, julho 13, 2017

dez vezes além




não sei se a liberdade seria livre sem o rock’n’roll
suas misturas metálicas simplificam tudo que já se criou
arrebenta as portas da censura nos faz novas criaturas
jaz correntes dedilhadas pelo vento acabam com o status quo

toca rimas sem rimar dá razão as desrazões nos ensinam a lição de libertar
na melodia invasiva desaharmoniza para harmonizar dá voz a exclusão
atitude rock’n’rol é extravazar não deixar preciosismos macular é derrotar o Grande Irmão

desafio questionar a vida de ovelha a balir e saltitar
quem de fato é livre sem se posicionar? vamos proferir o pensar

escute a batida da bateria do coração capaz de carregar dez vezes além de qualquer peso da mais fértil imaginação.


+ às 09h34, Rafael Belo, quinta-feira, 13 de julho de 2017 +

quarta-feira, julho 12, 2017

Acumulado de nada




por Rafael Belo

Lá estava ela. Mesmo ponto, mesmo jeito, mesma fala como um reloginho. Ela achava ter caído de amores. Mariara tinha caído sim, caído em uma forma de escravidão sentimental. Caiu e não levantou. Bem até ser rejeitada por mais um canalha. Aí levantou. Quando estava aparentemente sem marcas, livre… Aprisionou-se novamente. Caiu e esqueceu de usar as mãos. Mas já era outra Mariara…

Quando percebeu os sinais. Gritou: não quero mais. Mas, o novo canalha tentou de todo jeito. Ela pensou: talvez este sujeito tenha solução. Qual nada! Queria vingança pela rejeição! Mais uma vez Mariara estava estatelada… Lá do chão jurou ao coração não ser mais pisada. Levantou era a própria Liberdade. Mostrou todo o poder lá dentro dela esperando até ela ser acordada. Mariara adotará o sobrenome Liberdade.

Mariara Liberdade agora era feliz sozinha. Não era impossível. Era necessário. Comprou um aquário… Achava ser assim a vida destes homens otários: fazendo nada pra lá e pra cá… Ainda arrastando os outros para afundar. Quando se apaixonou novamente era diferente. Ela via a frente todas às possibilidades. Não era só ele. Não era só ela. Cada um tinha sua individualidade toda a própria aquarela.


Ela parou na janela e já não escutava os gritos de socorro do coração. Só via liberdade e nunca tinha se sentido tão livre. Hoje ia sair sozinha. Não era obrigada a nada. Veria as amigas, contaria as novidades e sairia andando pela cidade. Nem precisaria ser sozinha como nunca foi, mas achou ser. Andava com ela tatuada uma série de lembranças minimizadas. Uma corrente prendendo um aquário em um acumulado de nada.

terça-feira, julho 11, 2017

semeados



não penso nem tento cercar a liberdade
o vento me cheira e eu o tento respirar
sobra ar me engasgo em tanto espaço livre
abro todo minha pele me rasgo nada mais me agride

convive todo o possível olhar com tanto invisível em saudade
minha promiscuidade é inocente como dente de leite arrancado
pingos aturdidos soam no telhado com a chuva sonhando cair neste tempo seco

eco da desapropriação avive o despertencimento
cativo a Verdade todo o momento no cultivo do vento

somos semeados salvamentos até na soltura das gotas das torneiras noturnas na temperatura do temperamento.


+ às 09h07, Rafael Belo, terça-feira, 11 de julho de 2017 +

segunda-feira, julho 10, 2017

O vento na face



por Rafael Belo

Eu olho pelas janelas e não vejo prédios, casas, limitações... Não! Eu vejo possibilidades e imensidão. Não consigo ser periférico, ficar olhando enviesado, obliquamente, pelos cantos... Encaro. Olho nos olhos da vida. Vou ao centro. Estou no meio. Minha liberdade não me permite rodeios, ficar cercando enquanto os acontecimentos são centrais. Quero participar. Fazer parte. Modificar, evoluir, continuar... Abrir os braços e abraçar os riscos, abrir as gaiolas onde os cantos não alcançam seus limites e dão palpites ocasionais capazes de amarrar cordas invisíveis cerceando a si mesmo sem nem saber por quê.

Quem não sabe ter a liberdade acaba com as nuances da solidão cultivando uma variedade tão vasta de solidões para uma fazer companhia à outra e se alimentando deste plantio doente. No meio destas solidões contamina outros e espalha o sentimento de pertencimento do outro para quem já aprisiona sua liberdade. Neste ciclo de desconhecimento pensa ser possível perder o imperdível.  Não há como perder a liberdade. Ela é a essência de quem somos. O máximo permitido é uma hibernação neste inverno devastador criado por nós incapaz de semear sentimentos, pois há o medo da colheita. Mal sabemos ser a liberdade um estado de graça, uma força do espírito habitando a mente e o coração.

Se a liberdade é parte fundamental de quem somos realmente não a perdemos e, portanto, não nos perdemos. Acontece de nos afastarmos de quem somos. Tentar silenciar aquela voz clamando por mais quando só damos menos e até absolutamente nada, é tarefa inglória responsável por noites mal dormidas e pesadelos sem fim. Consequentemente quem vive nesta autoprivação acaba por desrespeitar o espaço do outro porque desconhece esta forma de viver. Em um mundo machista qualquer indício de liberdade é propositalmente confundido com libertinagem e distorcido para os demônios pessoais de cada um faça o trabalho sujo de nos arrastar de novo para nossos porões de tortura.


Torturamos assim o outro e a nós mesmos. Fazemos nossas ditaduras manipulando as situações para nosso benefício quase sempre em detrimento de um ser humano cheio de desejos, anseios e... Sobra ficar assombrando as pessoas e o nosso próprio espelho...! Não! Nada disso! Ouça seus gritos de socorro! Preste atenção ao chamamento! A liberdade é tão imensa chegando a ser capaz de libertar o outro. Liberdade é respeitar. Não é diminuir. Ela não recua nem diminui o passo. Ela vai diante do vento para sentir seu sopro e fechar os olhos para enxergar melhor ao invés de reclamar da temperatura. Ela dá as mãos para nós e amplia ainda mais esta desapropriação de tudo. Venha ser livre! Escute o ranger das portas se abrindo!