terça-feira, abril 10, 2018

Imaginária areia





mediana criatura meio humana metade lua
inteira incompreensão ao levar do caos
media em média seus conflitos sem harmonia
paus e pedras imperativos de casa a rua

escorraça a carcaça bebendo água da cabaça enquanto sua
no próprio deserto intempestivo sem meditação
só na imensidão de areia imaginária da insolação

não acha chão perde o próprio centro já na introdução
aviária desencontrando as asas vai viária moldando massas

mas antes que se desfaça rejeita a carapaça veste a carapuça e pulsa pulsa pulsa pulsa…

+às 13h18, Rafael Belo, terça-feira, 11 de abril de 2018+

segunda-feira, abril 09, 2018

Respire fundo




por Rafael Belo

Já pensou em fechar os olhos e pensar em nada? Depois de pouco tempo disse ser impossível. Em algum momento da nossa vida dissemos isso, ou diremos, sobre meditar. A própria palavra significa preparar, amadurecer, estudar o pensamento… Especificamente é ponderar, se vier do latim meditatum. Porém, focamos naquela que se origina do latim meditare (voltar-se para o centro). Qual a possibilidade de nos voltarmos para o autoconhecimento? Passamos tanto tempo alegando conhecer o outro e nem sequer sabemos respirar da melhor forma.

Há várias maneiras de se escutar. Focar no som dos passos, no som da respiração, no som do coração… Mas, como ouvir o coração com tanta sobrecarga física e sentimental que o forçamos a trabalhar diariamente? Emocionalmente estamos falidos e esta outra palavra que rima também… Somos escravos paradoxais do trabalho escravo ao qual nos matamos e da popularidade fabricada das redes digitais. Precisamos admitir estes vícios de querer se sentir querido por toda parte e a jornada ingrata da labuta. É o primeiro passo.

Liberar a mente de conflitos desnecessários e inúteis segue no caminho. Mas, experimente fechar os olhos agora e se apegar a uma palavra, um som ou uma imagem. Quanto tempo você esteve neste teu momento? Estamos pesados e desesperadamente necessitados de momentos de paz e silêncio, ao invés, de nos enganar perdidos no meio de som alto e conversas ao gritos para relaxar. Vivemos em um caos constante lidando com uma urgência que não deveria existir. Então, no fim não ouvimos nada à sério. Tudo fica em recortes como uma colagem infantil de rascunhos. É um emaranhado de ruídos táteis com odores confusos e fortes.

Assim, meditar é uma necessidade. Busque sua paz, acalme seu coração… Desculpe-se, perdoe-se e faça o mesmo pelo outro. Respire fundo uma, duas, três, dez, quantas vezes forem necessárias. Pare de se violentar. O mundo já consegue fazer muita violência com a gente, mas não sozinho… De-sa-ce-le-re. Não há um jeito só para fazer nada e com a meditação esta liberdade variada também é válida. Procure a sua maneira para chegar ao seu centro. Não é uma jornada curta e sempre podemos recomeçar.

sexta-feira, abril 06, 2018

Duvido se estou enganada (miniconto)






por Rafael Belo

Havia um poder no meu olhar enquanto eu caia. Foi neste momento que decidi ficar no chão. Isto não é desistir. Era uma opção. Eu chorava sem controle, mas não era pelo descontrole que chorava. Era a primeira vez que vivia a solidão. Aliás, a admitia. Até bater com tudo no chão. Há quanto tempo eu não dormia? Eu vivia a mesma relação pulando de uma para outra assim que uma chegava ao fim. Um sem sentido ensaiado com a boca fechada, os dentes mordendo os lábios e as bochechas... Bem sentida eu estava naquele momento quando pensei em superação, mas era coisa superada...

Havia sido roubada e me abalava mesmo a demora para a superação. Então, depois da queda, eu enxergava melhor. Tudo bem são só bens... Eu tentava me convencer. Supera essa... Não conseguia. Eu dizendo assim parece distante o tempo de onde aconteceu, mas foi agora pouco e vem acontecendo de novo e de novo, mas só porque estou atenta senão aconteceria de novo e de novo e eu acharia ser novidade porque estaria desatenta, desligada...  A gente é tudo fachada ou somos? Não exijo mais muito do meu português... Há quanto tempo eu não durmo direito? Estou tentando dizer isto há tanto tempo...

É sempre o tempo, não é? Talvez ele nem exista como a ironia de detestar os poderes e ao mesmo tempo fazer de tudo para ficar “estável” em um concurso e ser funcionário público ou seria engraçado...? Não acho que... Paradoxo? Sarcasmo? Já sei eufemismo? Deixa esta loteria para lá. Não jogo, não tenho chance de ganhar... E quem entende de figura de linguagem hoje em dia? Deve ter o mesmo problema para interpretação... Quer dizer, com interpretação. Até que esta coisa de não superar não faz mal. Sentir tudo, respirar, não evitar, confrontar e sei lá... Não cheguei lá ainda. Alguém sabe me dizer se já chegaram lá? Estes já voltaram para dizer algo?

Até onde somos fachada, aparência...? Onde começamos de fato? Nossa! Quanta filosofia para pouca fala de uma mulher bugada...! Faz horas que escrevo uma palavra e aí... Aconteceu de novo. Dormi e acordei. Quem consegue dormir direito ou o suficiente? É isso! Era o que eu queria dizer...! Nós não estamos vivendo, estamos morrendo mais rápido. Queremos fazer tanta coisa, ser tanta coisa, ir a tantos lugares que nos esquecemos de ser nós mesmos. Somos reféns duplos. De nós mesmos e daquele que damos o controle do indivíduo que somos! Se nossa felicidade custa nossa liberdade, seria mesmo liberdade? Agora acho que isso é superação... Digo eu me superei e... Não, espera?!

quinta-feira, abril 05, 2018

desenvolver



esqueça esta sensação vazia
deixe a pele arrepia o pressentimento
predestinados não ficam parados esperando consentimento
a conduta fria logo tem do corpo aquecimento

na condução da superação há um novo movimento
deixando cada grão no próprio momento no tempo
e a velocidade do deslocamento depende do nosso viver

ver ventar visões de um futuro próximo
próspero se soubermos do mérito possível de se obter

ao amanhecer podemos pensar por partes e deixar o sentimento desenvolver.

+às 09h55, Rafael Belo, quinta-feira, 05 de abril den2018+

quarta-feira, abril 04, 2018

Discurso (miniconto)





por Rafael Belo
Aquela dor ainda continua lá. Esta dor, aliás, é o que me levanta. Ela piora diariamente bem aqui. Você vê? É aí onde sempre caio e o motivo pelo qual levanto. É meu orgulho sempre ferido. Quero mostrar a minha capacidade e não vou parar. Nada vai me parar. Você sente isso também? Se bem que… Não, não! Eu preciso ser positiva. Isso não me causa lesão alguma. Não é teimosia, é superação… Vou sofrer e atingir a meta para dobrar a meta e depois triplicar e… Isso é sacrifício, certo? Não é uma outra forma de escravidão! Afasta de mim este pensamento.

Recuso-me a viver um momento ruim. Onde está escrito esta necessidade de vivenciar dor? Isto não é sofrimento? Não?! Mais ou menos?! Como assim?! Experiência? Eu não sou você, não sou coletiva, sou individual, sou única e o que acontece comigo me afeta diferente mesmo se acontecer o mesmo com você e… Como não é isso? Eu me movo diferente e entendo diferente mesmo soando igual. Quero me superar e superar você e todo mundo, aí me esforço mais mesmo, mas…

Acontece um vazio bem aqui que, às vezes, se transforma em azia. Há uma ausência em mim. Pareço me limitar neste foco e… Sei lá… Você entende isso?!  Isso dói e eu nego focando ainda mais nisso que chamo de superação. É um ciclo e eu gostaria que fosse uma estrada… Agora estou pensando se esta rotina que criei também não é acomodação. Meu Deus!  Eu estou acomodada na minha zona de conforto? Não pode ser… Eu sempre vou adiante e nunca posto estar pago porque sempre sinto estar devendo. Você não sente?

Vou enlouquecer assim… Nem sei mais se gosto mesmo disso. Vou me afastar desta versão de mim antes que meu coração sofra uma lesão permanente. Espera! Não! Eu não tenho versões. Sou eu mesma reagindo ao momento todo o momento. Não vou cair nessa e se cair não será derrota é só para eu enxergar de um outro ângulo e voltar mais forte, mais autoajuda, mais mais… Nada de ficar de aparências, ficar pagando ou devendo e vou ser a referência da superação. Pronto! Terminei meu discurso… Alguém me ajuda a levantar do chão ?

terça-feira, abril 03, 2018

pós-pago




há de vir restauração na superação
advir da claridade de todos os feitos
sujeitos a todas as falhas e só se atrapalha sozinho
enfrentando falsos moinhos sem vento nem alimento

onde nenhum documento diz quem é
só enfileira em números os dados
ratos eletrônicos de sonhos elétricos apagados

circunspectos dos adventos páreos das novas quedas
criando paraquedas fracos que nada aparam

só parecem em apareceres diários na luta de todos os amanheceres vagos que se emaranham em mais um treino pago.

+às 11h41, Rafael Belo, terça-feira, 03 de abril de 2018+

segunda-feira, abril 02, 2018

A superação



por Rafael Belo
Uma palavra pode ter tanto impacto na nossa vida, abalar nosso emocional ou fortalecer nossa mente, não é? Uma ação extrema pode ser um exagero ou um simples superlativo, que de simples nada tem. Mas, a palavra mais gasta e, ainda assim, forte no nosso cotidiano é a tal superação. Podemos ver como a separação da palavra em super e ação: Uma super ação. Não deixa de ser, certo? Sairmos de uma situação difícil em vários sentidos, senão em todos, e dar a tal volta por cima é uma ação e tanto. A origem desta palavra não está tão longe disso. Vem do latim  superatio - ato de elevar-se; de passar por cima. É o nosso cotidiano.

Somos preparados para uma constante superação. Tanto a ponto de tudo ser competição e não aceitamos derrotas. Transformamos a derrota, a perda, o insucesso em um caminho para a vitória. Queremos sempre ser melhor, superar, nos superar, ser superior a ou melhor do que… Bem diz o dicionário. Pensando assim podemos mudar a espécie Homo Sapiens para  Homo Superatio, pois superamos tudo, não é mesmo? Estamos quase alçando a alcunha de superseres… Ao menos tecnologicamente, imaginariamente estamos indo longe. Mas e quanto nossas migalhas caindo no caminho?

Não somos preparados emocionalmente para nada nesta vida. Porém, nos enganamos tomando tal atitude. Treinamos, estudamos, escutamos (quase nada), mas quando caímos derrotados nem sequer temos a chance de sentir algo diferente da derrota como se a vida fosse um esporte esperando a gente no mais alto pódio… Por isso, nossa maturidade emocional está a alguns abismos de distância da mental. Esta também podemos esquartejar e concluir que ainda engatinhamos em muitas áreas mentais. Apenas porque assim que caímos brotam do limbo da vida dezenas de soluções imediatas normalmente substitutivas ou medicinais.

Penso ser tão paliativo que quando nos deparamos sozinhos até sabemos o que fazer, mas lidar com o turbilhão de sentimentos emoções em guerra no nosso peito causa um desequilíbrio evidente. Queremos tomar a pílula da alegria diariamente com a receita tarja preta do sucesso e até o momento ainda somos seres dissociativos repletos de distúrbios devido a este distanciamento da razão e da emoção. Vivemos em confusão e carência porque queremos superar desesperadamente quaisquer coisas taxadas de derrotas e isto cobra o preço no imposto diário da vida que poderia exigir nossa simples presença, mas exige o mínimo: nossa atenção. Você sente esta superação?

sexta-feira, março 30, 2018

Atração (miniconto)







por Rafael Belo

Sinto-me o vento. Soprando e sendo soprada. Livre de tudo que possa me prender e o que já me prendeu nem existe mais para mim. Já odiei, pratiquei o desamor… Fui tão indiferente que eu era referência para antipatia e quaisquer sintomas de frieza. Era uma prisão e aprisionava. Hoje eu liberto. Sou só energia boa. Nada de mal quero transmitir. Aí sou brisa quando te toco e me desloco dentro de ti. Neste momento não há dor nenhuma, só relaxamento. Deste desprendimento renasce um Amor imortal sem contradição. Sou incondicional.

Ando amando tanto. Ando dançando no sol, na chuva e como anda chovendo… Ando cantando como se fosse cantora e precisasse estar sempre com as cordas vocais aquecidas para alcançar todas as notas. Sinto-me sublime em uma independência conquistada diariamente, mas ainda tenho que ouvir cobranças veladas de estar em um relacionamento custo o que custar. Já nem me dou o trabalho de responder. Eu forço um sorriso e uma respiração curta mas profunda e já puxo um assunto polêmico impossível de ninguém conversar para na primeira oportunidade eu me afastar deste ar oprimido.

Não entendo porque tudo precisa terminar em estar pelo menos namorando ou transando… Sou mais minha paz e assim que me desconecto das bobagens e barras forçadas alheias eu me conecto comigo. De mim única barreira de proteção é contra energia negativa e a preocupação com o fazer do outro. Lógico que me preocupo com meus amigos, mas não os julgo. Apenas exponho o que estou sentindo e pensando… Parece ser meu dever se vejo algo aparentemente os atrapalhando a serem que são, mas enfim... É quase engraçada a imaturidade que eu disseminava com ódio antes até para eles…

Era tão pesado. Eu só pensava em dormir e comer e reclamar e tudo era negativo e difícil… Bem, não deixou de ser, mas eu não me enveneno mais. Eu me espalho feito livre vento, sou brisa quando preciso, ventania quando necessário, mas sem me perturbar por isso… Respeitar fundo e olhar nos olhos parece um remédio milagroso capaz de semear e fazer brotar o amor continuamente, incondicionalmente. É, hoje eu sou incondicional. Meu coração está saudável, tão livre e minha mente voa como se fosse minha alma. Não sou mais indiferente, mas não significa eu deixar todo mundo entrar e ficar até porque amor só atrai amor. E se você está lendo isso é porque você atraiu.

quinta-feira, março 29, 2018

águas de vento



não há ódio que fique por aqui
tudo se dissipa rumo ao inexistir
estou a partir a todo instante daqui
mas volto culpado de não querer ir

inspiro de olhos fechados expiro maus-olhados a me perseguir
fico abismado com a quantidade de abismos criados a seguir
de lado me sorri sincera simpatia do porvir

uma alegria floresce todo meu jardim
borboletas voam suas asas pousam eu me amo distribuindo estas flores em festim

escolho amar todos os dias sem fim em um mar de motivação deixo navegar meu coração nas águas de vento provocando a sensação de pertencimento com cada emoção a nos reunir em desprendimento
cada momento estende um infinito atrás do outro por pouco não fico pendurado eu caio e começo de novo.

+às 13h47, Rafael Belo, quinta-feira, 29 de março de 2018+

quarta-feira, março 28, 2018

poucos dias




por Rafael Belo

Presa na chuva. Maravilha. Tanto lugar pra chover na cidade e justo na minha região acontece o dilúvio. Todo um feriado irritado para aproveitar e eu devo é ficar dormindo sonhando com ovos de Páscoa não ganhos. Queria estar indiferente e cheia de ódio para descontar em algo ou alguém, mas não! Estou miseravelmente em autopiedade. Nem bobagens consigo falar para me distrair e os rolês estão tão irritantes… Nem saio no meio, às vezes, já chego indo embora. Aí tem horas que o ódio vem indiferente e eu finjo não ser de mim mesma…

Queria uma sobremesa gratuita da vida. Destas para saborear sem parar e não engordar. Existe isso? Será que um coração tão partido pode se juntar de novo ou ele se espalha de tal maneira a ponto de cada parte partida virar um coração novo? Se for este último eu posso distribuir sem me machucar de novo. Também nem sei nada sobre este assunto. Amor… Será possível alguém saber? No fim tudo parece vingança, ranço, ódio, indiferença e se terminou assim… Tenho certeza não ter sido amor. Talvez uma fagulha capaz de se alimentada ter toda a potência de se transformar nesta criatura rara chamada religiosamente de verbo vivo, mas tão banal nas bocas por aí…

Eu vivo de colecionar talvez, de não é o momento, de fins de semana, feriados e festas do fim do ano… Pelo visto vivo pouco porque são os que menos acontecem… Se eu contar dará ao menos um mês? Todo este ódio e indiferença que quero ter, já tive… Não quero nostalgia, voltar no tempo… Ou quero? A questão desta enrolação toda é o desânimo. Está me ouvindo? Estes montes de montanhas de promessas falsas não me movem mais e eu não movo mais estas montanhas… Sou uma menina imatura em um corpo de mulher desde a adolescência… Não poderiam os hormônios esperar eu crescer mentalmente, sentimentalmente também? Ou terei que ser uma eterna criança como os homens?

Não entendo como consegui deixar o ódio e a indiferença se transformarem em desânimo. Realmente agora nada me move. Nem me comove… Acredita que eu nem rio de memes mais? Ei! Volta aqui! É sério, viado! Vai mesmo? Traz um chocolate na volta, vai… Não queira ressuscitar meu ódio, reviver minha indiferença… Sabe, estas conquistas infinitas são de um despropósito… Não, não nos conhecemos e com certeza não te aceitei nas redes digitais. Oi? Conversando? Eu só estou falando com você porque poderia estar te matando com esta chuva sem fim me frustrando para variar, este alagamento virando um rio me isolando para não sair do lugar-comum e a total ausência de um conhecido para justificar minha agressão mortal. Exagerei de novo?

terça-feira, março 27, 2018

piras glaciais



há labirintos na desconhecida pele
a me cercar totalmente de todos toques
não é calor nem qualquer sensação elétrica
é muito além do choque

são sons de Alok em reboques  carnais
raves de inexistentes carnavais de retoques
confusões por onde não passo mais

elaborados dramas sentimentais os quais sou autor ator
ódios conjugais de verbos divorciados neandertais do meu eu usurpador

nas piras glaciais em chamas gélidas das pontes da indiferença ignorando a presença do amor ao escolher a dor sendo distribuidor de feridas abertas com sais.

+Rafael Belo, às 13h34, terça-feira, 27 de março de 2018+

segunda-feira, março 26, 2018

Estado do coração




por Rafael Belo

Eu olho para o mundo e o mundo me olha de volta. Não há um abismo entre nós, não há ódio nem rancor. Nem sei se há desperdício. Esta questão da dependência também... Assim, não depende apenas da forma que olhamos, não é?! Este tal de copo meio cheio ou meio vazio... Parece mais uma negação do equilíbrio das coisas, mas há tantos tipos de poder com o mesmo objetivo nesta politicagem onde somos protagonistas... Enfim, esta divagação é porque toda forma de poder também pode ser levada a uma interpretação de amor e ódio, sabe? “Eu presto atenção ao que eles dizem, mas eles não dizem nada”... Nós andamos assim, vazios. Achando semelhanças entre ódio e amor quando nem opostos são.

O oposto de amor é o desamor e do ódio, a simpatia. É fácil sentir ódio de alguém, de alguma coisa… Basta darmos a importância que não tem. Formularmos culpas e desculpas. Eu vejo o amor como algo transcendental, sem necessidade de motivos, prisões, retorno, cobranças…  É a extrema liberdade com o a mais de nos fazer feliz pelo outro. Nos faz sentir extremamente bem em relação a tudo independente de sermos motivo do bem-estar da pessoa amada. Infelizmente, eu não vejo nem percebo este sentimento encarnado por aí. Já desamor tem de sobra. A ausência de afeto e a total indiferença ao próximo ou até, a ação disfarçada de atenção e afeto movida apenas por interesses pessoais.

Assim, parece uma antiga conspiração para nos fazer desacreditar no amor, na esperança, no outro e no afeto gratuito. Já o ódio é disseminado e plantado com muita discórdia por toda parte. Distorce o melhor em pior. É um óculos negativo nos fazendo enxergar o que queremos e o que não está lá. Para tentar justificar este veneno nos adoecendo aos poucos e matando aos montes. Estamos sendo enganados e convertidos a um isolamento ao mesmo tempo agrupados com pessoas pensando da mesma forma. Pensamentos iguais somam de que forma além de um massagem no ego coletiva?

Aquele balançar de cabeça do rebanho tilintando o posicionamento de ideia fixo e a geolocalização constante para lançarmos as justificativas injustificáveis com aa frases de efeito: eu amo porque ou eu odeio porque...  E no fim acabamos não dizendo nada só procurando motivação para amar ou odiar. Eu penso que não fomos enganados como gostamos de pensar e dizer. Apenas não ouvimos nosso coração, nós nos enganamos. Peça desculpas a si mesmo, se perdoe, acredite ainda haver todas as possibilidades do mundo para quem sabe ainda descobrirmos o que é o amor… Aliás, como está seu coração?

sexta-feira, março 23, 2018

Invasão domiciliar (miniconto)






Por Rafael Belo
Tenho certeza não ser amor e isso não vai mudar. Eu olho para tantos homens com acessórios a mais faltando ou  e no fim realmente são todos iguais. Só não querem dormir sozinhos, ou melhor, sequer dormir querem... Fazem de tudo para conseguir isso. Podemos não ser tão diferentes e ter um coração mais exposto – grande parte de nós pelo menos – mas a fraqueza deles é negar chorar, chorar escondido... Este machismo que nos afeta mortalmente, ainda pior quando demorarmos para admitir sermos machistas também e como somos.

Eu não olho para ninguém com expectativas, bom, eu não idealizo mais as pessoas... Sei só eu ser responsável pela minha felicidade. E esta busca constante me trouxe até aqui. Livre quase como um pássaro selvagem. Muda aí o fato de eu não ficar arredia com a presença de ninguém, nem me intimidar. Ah, não. Não faço mais silêncio, nem reverencio ninguém. Não vou ser guardada na estante para observar e agradar. Quero flores, chocolate, mas muito mais respeito e uma cerveja bem gelada, faz favor. Mas, ninguém nem nada me compra com qualquer um destes itens e comportamentos. Nem diria procedimento legal, mas sim, procedimento normal.

Meu ideal não é encontrar um boy e reproduzir. É me divertir, evoluir... Melhor ainda: desidealizar. Aí eu quero matéria... Matéria física, presença, cheiro, toque, gosto, olho no olho, pele na pele... Não é um ideal isso é um materialismo conceitual, é um desejo, algo como ser embalado por uma animada música emotiva a me fazer sorrir e se eu fosse acusada de algum crime seria invasão domiciliar. Ah, porque eu iria invadir cada segundo da minha vida e daqueles próximos do meu limite domiciliar... Até não ter mais limites. Eu trabalho diariamente para tirar férias deste amontoado de ideais pesando as pessoas.

Não fujo mais de nada. Se tenho dúvidas, esclareço. Hesitar? Até esqueço da existência. Minha aparência vive brilhando ultimamente bem diferente de antes quando eu idealizava... Era tanta dor escondida que quando eu queria resolver já não era mais possível e a fila andava a uma velocidade moderada porque eu insistia em buscar aquele meu ideal de pessoa que jamais existiu. Agora, eu não postei isso para aparecer, viralizar... Não! Nem dê o seu like, nem post seu comentário e, por favor, não compartilhe. Inspire-se, inspire e, então respire... Para postar como você está se livrando dos ideais. Publique algo útil desta vez. Tenho certeza que o que precisa virá até você se você se mexer. Agora se mexa! Vá!

quinta-feira, março 22, 2018

eu desperto



eu acredito em dotes
isso que estamos fazendo é intenção
eu existo você existe não há ideais nem invenções
trocamos ideias dividimos beijos

indivíduos coletivos em uma relação
não nos perdemos só nos encontramos
quem está perdido é o tempo entre uma hora e outra da nossa desconstrução

ela é uma novidade diária
descoberta multifacetária da libertação

totalmente completa e eu integrado
estou desperto e ela me faz ainda mais acordado.

+às 11h38, Rafael Belo, quinta-feira, 22 de março de 2018+

quarta-feira, março 21, 2018

Seria ideal (miniconto)







por Rafael Belo

Achei que era amor e ainda acho. Sempre aprendi que era preciso ter recompensa, retribuição e acabei tentando certo controle no outro, na relação… Ainda achando, talvez sabendo ter algo errado… Sei estar confusa neste meio. Não sei mais se existo, se existe este outro que me beija, que quer que eu mude… Eu fico muda. É muita coisa para mim. Não é como imaginei. Não é como quero. Mas, não me imagino só, eu preciso ficar sozinha para me entender e no fim me envolvo tão fácil com quem me dá carinho.

Não fico só. É difícil sair desta imposição, desta incorporação, desta acomodação e todo este idealismo me destrói. Mas eu nego. Visto um sorriso e conto vantagem para as amigas. É involuntário porque, na verdade, estou tentando continuamente me convencer que é isso, que estou bem! Que está tudo saudável e existe mesmo. O que realmente sinto é que somos dois personagens de filmes bem B precisando atuar da melhor forma para manter os papéis e sobreviver com esta linha arrebentando.

O ideal seria… Olha aí!? O ideal seria não haver ideais. Às vezes sinto que somos marginais perigosos e se nos descobrirem seremos presos no mínimo por falsidade ideológica. Aliás, se tivéssemos ideia do que estamos fazendo e se houvesse alguma lógica… Seria ideal… Não, não seria. Isto tudo é muito material, egoísta, então penso que não existe o amor ou não aceitamos dar sem receber sob nenhuma hipótese, mas fingimos tão bem…

Este sofrimento silencioso mata. Agora não sei se posto isso buscando solidariedade, apoio, reconhecimento, incentivo para continuar, exemplo de como fazer, vitimismo, heroísmo, já sabias, só desabafo… Não tenho coragem de mandar para você no direct, no privado… Não quero demonstrar dúvida, não quero hesitar, mostrar fraqueza, já preciso me provar o tempo todo, não vou admitir o fracasso na minha relação… O ideal era… O ideal seria… Será que vale à pena conhecer o outro de verdade? E a mim mesma? Não quero descobrir!

terça-feira, março 20, 2018

inexistia ela




não acredito em posses
então a resposta da pergunta que você não fez é não
eu nunca tive ninguém
quando estive tentando dividir me perdi
mas nada a ver com ela era eu
eu era perdição
não me ouvia  não ouvia o coração nem minha suposta razão
e ela? Ela não existia nunca existiu mas não era fantasia
eu a sentia eu a tocava ela estava na minha mente e bem na minha frente
ela era o que eu acreditava estava errada
eu sabia mas o ideal parecia tão mais real
e toda vez quando eu estava para despertar
eu de novo adormecia
a bela era ela mas eu que dormia.

+Rafael Belo, às 10h, sexta-feira, 16 de março de 2018+

segunda-feira, março 19, 2018

idealizando o outro



por Rafael Belo

A gente vive fora da realidade. Normal. Até porque os pequenos fatos acabam parecendo imensos e únicos representantes de uma crise sem fim que acabou de começar. Quando são consequências de uma série de fatores incluindo muito a omissão. No nosso mundinho imaginário, seria hilário se não fosse trágico, nossa mania de idealizar. Sabe? Criar uma sobreposição a partir da nossa suposição de alguém ou algo. Quem nunca viveu ou está vivendo um relacionamento ideal está mentindo.

É praticamente parte de nós criar pessoas inexistentes, fabricar mudanças e expectativas sobressalentes para vestir alguém que dizemos amar. Como se o ser humano fosse um lego incompleto, desmontado e necessitasse de um outro lego incompleto e desmontado para fazer sentido… Esse calor desértico deve levar com o suor o que nos resta de bom-senso, autoestima e amor-próprio junto com as sinapses das experiências… Sei lá… A gente só fala porque na hora de tirar a prova, na prática, faz tudo de novo cheios de medinhos. A gente não pensa direito, não sente direito, se bem que alguém pode dizer o que é direito?!

Posso dizer que estou indo para três anos do fim deste ciclo de criar coisas e pessoas ideais. Alguém a fim de fundar o Idealismo Anônimo? A sigla ia parecer inteligência artificial, poderia estar certa desde que o significado fosse dissimulado, fingido, postiço, afetado… Não negue que agimos assim para manter uma relação. Deixamos de ser  saudáveis há muito tempo… Nós vivemos o momento. Vamos alimentando carências, trocando idealismo por materialismo e vestindo uma série de roupas que jamais couberam em nós de verdade.

Quem sabe não seguimos no faz de conta. Faz de conta que estamos bem, faz de conta que estou bem, faz de conta que você está bem também e a vida é uma maravilha o tempo todo com unicórnios para todo lado… No final vemos que nunca houve um início porque a pessoa que você se relacionava, no fundo, era você mesmo. O outro no relacionamento é mais um desconhecido e até agora não admitimos isso. Somos orgulhosos, seguimos padrões e falamos demais. Podemos exercitar entender isso primeiro admitindo o que fazemos e nossos erros deixando o outro fazer o mesmo se for da vontade dele.

sexta-feira, março 16, 2018

A contagem regressiva (miniconto)







por Rafael Belo

O mundo lá fora não importava. Eu escutava minha música, tentava me livrar da minha dor e se possível sair ilesa sem causar nenhuma morte no caminho. Minha boca vivia amarga, meu corpo sempre ardia e, às vezes, eu nem respirava. Não sabia como parar de me comportar assim. Era uma má-selvagem capaz de morder alguém só por me olhar... Tinha o desejo de não me preocupar, de ter paz... Queria saber se aguentaria todo este oposto imposto à mim. Eu batia palmas e ouvia palmas irônicas ecoarem por aí. Eu conversava sozinha, brigava sozinha... Eu passei dos limites sociais. Era uma foragida e agora, calma, livre da raiva, eu deveria me entregar...?

Seria justo dizer ser injusto? Justo agora que finalmente percebi ainda ser um ser humano, minha vida chegaria ao fim? Eu que era fria como água gelada no chuveiro em um inverno de 50 graus negativos. Era cortante e mortal, não mais. Mas, todas as vidas que transformei em morte precocemente serão cobradas. Sentir muito, pedir desculpas são só palavras... Minha consciência desperta, alerta é masoquista. Eu quero incomodar as pessoas, mas não quero ser incomodada... Esta gente se acha inteligente e eu me sinto equivocada quando dou a chance de provarem... É como querer água calma jogando milhões de pastilhas efervescentes.

Viro as costas e vou embora. Grosseira mesmo... Este é o menor dos meus problemas... Serei eu má e toda esta definição de mal caricato equivocada? Eu serei merecidamente enjaulada, humilhada, a escória da sociedade... Todo mundo julga, ojeriza, me chama de monstro e no final sou uma mulher como as outras. Elas só não admitem e nem têm coragem de agir como eu... A ideia da música absurdamente alta era eu não escutar sequer meus pensamentos, mas estou aqui sendo cercada por populares e policiais brigando por jurisdição. Se eu tivesse nascido em outra época eu teria o demônio em mim ou seria uma bruxa... Queimada ou exorcizada e só por quem está à frente dos religiosos...

Pelo visto serei executada e o problema será eliminado como se não existisse. Não sou a única. Só criei uma consciência. Assassinas com consciência se sobrevivem enlouquecem. Terei paz se estou arrependida de verdade? Minha raiva me abandonou, agora não posso nem odiar ninguém e a culpa vem como um conta-gotas com ácido aplicado direto na garganta. Sinto que minha hora vai chegar e passar sem eu nem perceber... Será que como Caim e Judas um plano me trouxe até aqui ignorando meu livre-arbítrio? Ou meu livre-arbítrio me levou a escolhas e independente de quais fossem ainda assim eu acabaria no fim de um plano? Ironia ou não enquanto os tiros me tiram desta existência eu sorrio ouvindo a música mais conhecida da banda Europe: The Final Countdown... Melhor assim!

quinta-feira, março 15, 2018

de repentes




a morte não aconteceu
a vida venceu de lavada
a calma sutilmente prevaleceu
toda raiva testemunhada foi aplacada

nada ardia mais no corpo leve
a temperatura foi em queda livre breve
libertar tanta angústia guardada

as horas se foram não mais amarguradas
tantas travas tentaram retroceder

mas o tempo não volta mais vai sentindo a pele tocando em série sabores sorridentes forjando de repentes e agora dorme tranquilo a sonhar.
+às 09h35, Rafael Belo, quinta-feira, 15 de março de 2018+

quarta-feira, março 14, 2018

Minha máscara cairá (miniconto)


por Rafael Belo
Não sou agradável. Talvez seja desagradável. Ninguém me disse. Eu vejo na reação das pessoas, na expressão facial delas… Não me dizem por medo. Eu posso ver também… Não sou mulher de muitos sentidos. Tenho os normais, mas presto atenção a cada detalhe. Eu não entendia o porquê. Hoje, sozinha, pela primeira vez há não sei quantas relações… Enfim, eu tenho raiva crônica. Diagnóstico próprio. Sou especialista em mim, então, eu sei o que sinto. Sinto muito pelo que fiz há tanto tempo, aquele atropelamento fatal...

Nao fui presa nem julgada, não estava estava errada, mas seria possível evitar...? Bem ontem, eu estava dirigindo quando me dei conta. Percebi que eu gritava para os outros motoristas. Estava bufando como um touro faminto sedento por sangue. Comecei a pensar na minha sinceridade, na minha honestidade e do respeito que tenho..  Mas fazia tempo que nem isso mostrava. Estava silenciosa e distribuía patadas ainda sem saber o motivo. Eu sou algo nocivo a mim mesma. Estava me descontrolando, quase babava… Buzinava como se não houvesse amanhã…

Mas houve. Sobrevivi a mais um dia dirigindo como louca nas vias egoístas e de outros motoristas igualmente loucos. Pilotos também são insanos. Parei para pensar… Quer dizer, não parei… Fiquei pensando o motivo de eu estar agitada, o coração doendo, a respiração alterada… Era infarto? Não! É raiva aguda. É porque quero ser totalmente moral, todo o tempo ética e a maioria, dita burra como unanimidade, só quando convém, apenas quando a envolve. Não, não sou melhor que ninguém. É mais provável que eu seja um vaso ruim…

E você sabe… Vaso ruim não quebra!  Eu… Eu… Não tinha raiva deles não estarem respeitando as regras nem os sinais ou que isso também significava arriscar ainda mais minha vida… Eu tenho inveja e não consigo fazer igual. Quero trocar de faixa sem dar sinal, colar na traseira dos veículos, fechar motos, carros, ônibus e caminhões, furar o sinal vermelho, simplesmente correr como se tivesse atrasado para sempre, não parar antes das travessias de pedestres, estacionar na faixa de pedestres, na vaga de idosos, grávidas e deficientes… Aí minha máscara cairá. Será que terei coragem de me revelar?