por Rafael Belo
Era a
terceira identidade de Colibri . Há tempos não houve seu próprio nome. Uma
presa política em uma época de afirmação de liberdade e democracia era uma
aberração temporal. Era como ser transportada direto da Segunda Guerra Mundial
para 2017. Precisamente, para ela a confusão social seguia e a perseguia. Ela
carregava o fardo de morte e de ter sido torturada brutalmente, mas sua alma e
coração seguem intactos. Um pacto consigo mesma da necessidade de conseguir e
prosseguir.
Agora se
perguntava se já não havia morrido em uma época na qual nem nasceu. Como muitos
parecidos com ela andando solitários na contramão chamava atenção. Havia uma
beleza silenciosa tocando a todos onde passasse. Os olhares a alcançaram,
sorrisos se abriam, mas nela inexistia a beleza imposta. Mesmo assim, a palavra
linda ricocheteava nas mentes surpreendidas por tal força existir. Não se
lembra de andar jamais de cabeça baixa, porém, vontade não faltava.
Chamava
muita atenção ao natural, apesar de não querer. Hoje começava a se lembrar quem
era e como seria lembrada. Tentando disfarçar, ouvia a notícia da televisão de
um ponto de táxi. Estava entre assustada e admirada. Primeiro pela ausência de o que?! Seis horas?! Como podia ser
meio-dia já? Mas era…! Segundo por causa de ela passar de jornalista para
manchete. Procurada jornalista Kamira
Colina, pivô da renúncia do ex-presidente da República…
Não
sabia como mais uma vez conseguira aquele fardo de foragida e mais uma vez
estava tudo errado. Não havia sido o pivô de nada, apenas… Apenas… Bom, fez o
trabalho dela. Foi atrás de diversas fontes montou os links, as sonoras, fez o
mínimo de edição possível e quando vendeu seu trabalho freelancer uma reedição
totalmente ressignificada estava no ar e bombando nas redes sociais. De anônima
orgulhosa de suas contribuições para a sociedade, para pária, para uma mistura
a mais no saco de corrupção do país e o pior era o resultado… Não será o
resultado de tanta manipulação. A Terceira Guerra Mundial finalmente ia
acontecer.
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