domingo, março 22, 2015

Escalando montanhas (resenha)


por Rafael Belo

Nossa vida é um conto diante de seus inevitáveis sintomas. Na nossa inevitabilidade pensamos gostar de coisas curtas, líquidas, mas talvez seja apenas nossa maneira de lidar com tudo prolongando ou encurtando o mais rápido possível. Por isso, há muitos caminhos para a verdade dentro da retornável caverna de Platão e suas alegorias feitas das nossas sombras e das sombras de tudo que acontece fora de nós. A Verdade É uma Caverna nas Montanhas Negras traz à tona a família, a confiança, a jornada, a sobrevivência e o que está no fim do caminho.

Neil Gaiman conta seu conto levemente com Eddie Campbell nos pintando os traços da aventura com sobras e cor. Adentramos na história imaginando como é perdoar a si mesmo somente e as consequências dos julgamentos sobre nós. Seguimos esta trilha desconhecida pelo caminho escolhido na velocidade empreitada pela nossa consciência e ouvimos quem já esteve lá antes.

Mas a verdade pode não ser a que precisamos e ao sair da caverna onde voltamos a entrar constantemente nossa vida pode estar no fim ou no começo porque tudo é feito de possibilidade, mas é preciso sair das sombras, se afastar da água fresca, deixar o conforto de lado e ser a próxima possibilidade íntegra e próspera que há em ti mesmo. O conto nos leva a diversas parábolas e nos conecta há muitas histórias que já lemos.

É o que esperamos de Gaiman e sua literatura fantástica nos atentar para detalhes grandiosos fundamentais para escalarmos a montanha desconhecida dos nossos sentimentos e do movimento constante do nosso universo sem ser cruel, civilizado ou condescendente é justamente o reflexo criado por nós e àqueles a nossa volta. Vamos explorar esta montanha em nós e desta aventura repleta de consciência e metáforas para chegarmos a um local mais iluminado.
Editora: Intrínseca
páginas : 80
categoria: conto

Publicada incialmente em uma coletânea de contos do autor, A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras é uma história fascinante sobre família, a busca por um tesouro e a descoberta de um mundo invisível. Em uma colaboração inédita, os personagens e as paisagens de Gaiman ganham forma com um traçado sombrio e impreciso do artista Eddie Campbell, e o resultado é uma obra que passeia entre o livro ilustrado e o graphic novel, desafiando os limites entre texto e imagem em uma explosão de cor e sombra, memória e arrependimento, vingança e, principalmente, amor.

2 comentários:

Nataly Lopez disse...

Tua letra parece muito com a minha.

Nataly Lopez disse...

Tua letra parece muito com a minha.