quarta-feira, março 25, 2009


Estava lá

Uma direção direcionada, guiava
Os rumos de alguns passos meus
Mas eu, me impedia de não os seguir
Caminhando contradição, faltando um pedaço
Deixando a perdição diante das opções dos caminhos

Rumores me enchiam a cabeça, eu nada sabia
Queria me libertar, mas voar para onde?
Seria qualquer coisa melhor, que a própria prisão?
Dissabores me tiram os gostos da boca, qual o gosto de gostar de si?
Minha cabeça gira, parodia tantos pensamentos soltos

Sinto o gosto de se gostar, é uma música derretida no paladar
Pensar com os próprios pés, contrariar autoridades, cantarolar
A direção em minhas mãos sem habilitação para guiar, mas quem tem afinal?!
Rebeldes estão aqui, na mente, não querem estar assim por mais tempo
A rebeldia, sempre estava lá, impaciente

14h35 – (Rafael Belo) 25.03.09 - (para Lore)




Rei de mim

Quando as portas abrirem
me leve para dentro
com um movimento
que só eu veja sem olhar

Na natural natureza de rosnares libertos
No verde do concreto a pedir devastar
O trancar alheio das portas de vidro sem lar

Serei o leão morto todos os dias
Disfarçado de mitologias em cinzas
Para no outro dia voltar a rosnar

(Rafael Belo) 11h42 – 25.03.09

segunda-feira, março 23, 2009

Dias de chuva...

Por Rafael Belo

Quantas dores há no mundo? Começando de nós mesmos, vejo muitas. A dor da fome, da ignorância, da desilusão... Mas, a mais dolorida é a da perda. É desta dor a se falar. Viva e deixe morrer... Viva e deixe viver... Quando alguém próximo - e muito próximo – morre, não é como acabar um relacionamento, mudar de cidade ou manter um segredo devastador (às vezes é)... Toda aquela rotina onde a pessoa (agora morta) se infiltrara está vazia dela. Perder pessoas é um termo forte demais, não se perde ninguém. As pessoas não nos pertencem, nem nós nos pertencemos. Há algumas semanas, a revista eletrônica dominical daquela rede sinônimo de planeta, mostrou a dor de quem ficou após a calamidade “natural” de Santa Catarina. A alguns deles, vestidos de dor, me pareceu a própria morte mais fácil, a agüentar a morte de um filho, ou de um ente amado. Orfandade de diversas maneiras na televisão.

É triste, de diversas maneiras, assistir sem poder assistir a dor alheia jogada da tela para informar (?) e entreter (?). Infelizmente eu tinha esquecido a proporção das chuvas catarinenses. Não, bem esquecido, mas me desligado do efeito em longo prazo. Casas e famílias afogadas. Os sobreviventes mostrando claramente uma dor aguda na televisão. Qual a necessidade de contar a cicatriz aberta de novo e de novo. Foi bom e foi ruim, digo. Não precisava mostrar tanto a dramaticidade, de um drama tão triste. Os “sobreviventes” poderiam ser poupados de reviver os dias de chuva e os de desolação conseqüentes. Quantas dores custa uma informação? É dor, medo e violência nas cores iluminando da velha caixa, no escuro da sala a receber exclamações indignadas e de cautela das famílias diante da tela. Dias de chuva são preocupação para o país de uma maneira mais dolorosa, agora.

Terminei de ler um livro onde guardião de memórias (título do livro de Kim Edwards) ficou sinônimo de segredo imenso e devastador. Lugar onde uma floresta densa e impenetrável cresce no centro do coração e ninguém entra de fato. O livro prendedor conecta-se diretamente com as dores de Santa Catarina pela dor causada pelo silêncio e o vazio posterior. A dor de um pai, uma mãe, um filho, uma diversidade genética, decisões, desastres naturais onde a culpa envolve todos e aponta caminhos longos e tortuosos caminhados sozinho. Algumas pessoas vestem a dor com um número a menos, pensando ser apropriado o aperto. Deixam a vestimenta apropriada por pouco tempo ser inapropriada por tempo demais e as dores próprias do mundo não são tidas como aprendizado, mas como castigo supérfluo a ensinar apenas quem regeu o castigo. O que sei de dor, afinal?

segunda-feira, março 09, 2009

Ficou na curva

Veio a dor
Feito um rio seco
Onde as pedras não se acomodam

Rolam sobre o peito
Sem arredondar as pontas
Rasgando os gritos com ecos

Represa a sequidão do rio
Onde rola a dor em pedras
A empilhando no leito vazio

Rio de pedras
A me atirar primeira
Hipocrisia como a gota d’água

Há um desvio no rio
Rio que continua a doer
Dor que ficou na curva

22h14 (Rafael Belo) 08.03.09

sexta-feira, março 06, 2009


Mente paranóica _____
Por Rafael Belo

O mesmo som a noite inteira na festa do pijama com roupas curtas e sorrisos longos. É festa íntima até de repente aos gritos de no chão no chão, a diversão parece acabar. Curiosas, às mulheres tentam olhar pela sacada. Dois objetos não identificados foram arremessados e vistos como granadas. Pânico da dona do apartamento que ao perceber ser o ex-namorado policial desce. Alêgrea ainda tentou descer mais o carro saiu em disparada com o som mais alto do que o ensurdecedor som da festa.

Por precaução todos permaneceram soldados. Rastejando sobre os cotovelos, braços, mãos, joelhos, pernas, pés feitos calangos no deserto escaldande diante da iminência da guerra entre iguais. Já eram ouvidos barulhos de bombas estourando ao redor, seqüências ininterruptas de balas, gritos – bem estes eram reais demais – e um sangue jorrado de uma imaginação paranóica. O medo orquestrava tudo com sua pose petulante de necessário.

Mas, a mente humana não deixa nada sem associação. Alêgrea não sabe disso e cultiva suas conspirações contra si mesma. Assim dias depois da guerra imaginária, Alêgrea estava envolta de uma dessas associações, que não tem sentido algum fora da mente dela. Descendo umas e outras e se divertindo mais uma vez - será um padrão – ela presencia a briga violenta dos vizinhos “por acaso” também no posto. Abastecendo a mente com algumas sandices ela guarda a cena cotidiana na memória.

A rotina de brigas do casal de vizinhos é brutal com gritos já desvendados pelo ouvido de plantão. Certa noite, próxima ao dia do posto, Alêgrea olha atenta pela janela e vê o homem do casal descer do carro. Ele volta pega uma imensa faca quase do tamanho de uma foice ceifadeira, a esconde por toda a extensão do braço e do corpo e segue até o apartamento. A confusão está acelerada. Em Pânico, Alêgrea aciona todos os próximos e espalha a nóia. Em rede no telefone, não quer ficar só.

Com um policial a tiracolo em casa - sem ninguém ver o que ela enxerga – conta toda a história, que nem nós sabemos. Ela é cúmplice da briga do casal e imagina ser uma queima de arquivo. Será assassinada e a vinda do homem com o imenso facão prova tudo. O casal nem sabia da existência dela, mas quando o policial vê o facão e revista à casa do casal a história do homem da janela da frente é confirmada. Eram os preparativos de um churrasco do casal entre o amor e o ódio. Agora todos conhecem Alêgrea.

quarta-feira, março 04, 2009

Páginas tremidas


Presente na ausência as ruas vazias preenchem as lacunas
Entre temer e estar só pela vastidão de um beco sem saída
Onde enxergam além dos muros pela visão tremida de não querer sair
Enquanto da janela as sombras acompanham a vida olhando pelos cantos
Dos olhos desconfiados os passos apressados temidos assombram

A si mesmos porque tudo passa onde nada passa enfim, ausente
E a presença da ausência vai parte por parte se tornando lembrança
Nas desertas pessoas que não estão lá nem aqui por tremer estar
No pânico estranho do mundo estranho de paranóia
Com a obsessão de uma perseguição inexistente

Ausente na presença de ninguém, esvaziam corpos de medo
Com copos cheios de alterações bebidos com água e açúcar
Nos cantos onde pessoas encolhidas usam o toque de recolher
“Às custas” da covardia da alegoria da caverna ambulante
Distante da luz mesmo sob o temido sol ardente
Sombreando páginas em branco


09h38 (Rafael Belo) 04 de março 2009.

segunda-feira, março 02, 2009

Temor da vida


por Rafael Belo

Com os olhos vidrados em cada som produzido aos arredores algumas pessoas estão em pânico constante. Já perceberam? Os efeitos às vezes, ou muitas delas, não são de traumas, experiências alheias ou alguma pré-morte. São de ouvir falar, de assistir ou do nada mesmo. É uma angústia constante “viver” assim, imagino. Não dormir para não ser assaltado em casa e ainda assim não ter qualquer arma diferente de uma faquinha cega de pão. Luzes acesas, olhos vidrados, coração disparado e a porta de casa cheia de apetrechos Magaiver do Paraguai que só assustam quem chega tarde em casa. Se houver o assalto, qual a reação? “Parado ou te... Passo manteiga! Não estou brincando! Se afaste ou vou te lambuzar até você não conseguir ficar mais em pé”. Que obsessão absurda... Redundante! Qual não é? Há pessoas que não saem de casa por puro medo de ser abordada... Que horas são, por favor? Ahhhh...

Observo bem as pessoas antes de perguntar e fico pensando se vão me responder me ignorar me esfaquear... Aí sim - ainda pensando tudo - pergunto local de tal rua, as horas quando o celular descarrega. Às vezes obtenho boas informações, sabe, com detalhes e referências, outras as pessoas dão aquela paradinha involuntária já se preparando para correr, falam muito rápido e antes de você agradecer, somem. O medo vive no canto dos olhos. Você ouve passos e aperta os seus, você vê alguém com quem não se familiariza e muda de calçada, o sinal fecha e você olha para todos os lados implorando para abrir logo, você faz de tudo para não ter que andar sozinho e confia em quase ninguém. Que tristeza! Viver com o coração não garganta não ajuda ninguém a respirar e por que pensar que isso é “normal”? Porque é o comportamento padrão da nossa sociedade. Ah, bom! Agora sim!

Na ponta da língua. Ter medo é normal, mas viver com medo... Aliás, esqueça o “normal”. Já não é palavra confiável! Está é a palavra chave, não é?! Confiança! É aquela história de tentar se suicidar e levar o milagre da vida para outras argumentações. Quem quer tirar a própria vida, o faz. Há filmes e livros sobre este ato obsceno e medonho. Mas a “falha” desta tentativa indica o medo de seguir em frente, de estar sozinho, de enfrentar a vida, de pedir e aceitar a necessidade de ajuda, de achar que agüenta o que o caminho seguido lhe proporciona ou proporcionou sem ninguém, então, a palavra solta a alguma linhas volta: Confiança. Coragem não é o antônimo de medo. Antônimo de medo é confiança, porque coragem não é ausência de medo. Confiança sim.se você confia em Algo maior e m sim mesmo, não há porque evitar a vida a temendo. Caso contrário, é hora de aprender a confiar.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Desculpe, estou eu

Por Rafael Belo

Chove um mar de egoísmo na minha alma. Logo eu, Nélio Basta, que sempre pensei realizar ações altruístas sem beneficio. Estou espalhando um ego egoísta de proporções gritantes. Deixe eu gritar aaaaaaaaaaa. Não olho ninguém sem tédio, sem pensar no que poderia estar fazendo se não estivesse perdendo tempo dando atenção a outra pessoa. Vou passando por cima soltando sarcasmo pelos cantos da boca para não engolir minhas palavras asperamente cruéis.

Estou indigesto como jaca com açaí na soja. Minha mediocridade virótica se espalha e cria pandemia. Ninguém sai ileso da minha presença inútil. Sou nocivo. Sou um veneno de vias aéreas. Não me respiram estou intragável. Não percam tempo me mastigando para morrer de indigestão. Minhas palavras cortam peles de aço e ferem ferinas qualquer ouvido próximo. Quem me vê hoje enxerga tempestades que levam vidas com as casa inteiras. Mas, não sou assim... Pelo menos não era!

Estou letal e era manso. De uma mansidão que águas serenas sem vento jamais tiveram. Fiquei no limite de tudo: da consciência, da paciência, da emoção, da tolerância, do equilíbrio, da sanidade... Caí em um poço de egocentrismo tão denso a deixar Narciso repleto de inveja de mim. Sou uma cabeça vazia agindo por estímulos e instintos rosnando ferozes em constante insaciedade, em uma sede de destruição de dar vergonha aos sem vergonhas.

Mas, DESCULPE, estou eu! Não creio que meu eu manso exista ou de fato tenha existido. Sou egoísta e de fato é minha essência. Passei minha vida recheado de máscaras e, aliás, DEVOLVA MINHAS DESCULPAS. As pessoas não diziam e não dizem o que pensam e eu as poupava das minhas palavras. Não mais! Este é o meu Basta. Sou mal e praticarei quem sou. Se é que ser mal é fazer o que quer e for quem é. Posso dizer que sou.

Não encoste em mim, não me diga o que fazer. Não me olhe por muito tempo e se olhar que seja nos olhos e se for nos olhos sorria. Eu recomendo. Não quero saber de ninguém, quero saber de mim e somente eu me interesso. As pessoas são tão chatas e enfadonhas que devo ser algum anjo caído, um demônio ou um arcanjo empunhando uma espada de fogo. Só que engoli a espada e a lanço pela língua e às vezes pelo punho. Se afaste, se aproximar-se virará um mar de egoísmo feito da minha chuva.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Pegada

Fui pisar já tinha um passo
Evitei pisar no pé
Continuei caminhando encolhido
Fui trombado como ambulante errado
Olhando as pessoas mudas nos carros gesticulando
Invisíveis nas ruas ninguém via ninguém
Não havia um olhar nos olhos também

Pisei em um pé irritado com desculpas
Não havia desculpar no vocabulário
Não havia tudo bem nos lábios cerrados
Nenhuma presença real nos avatares da vida
A não ser os grupos parados observando passantes

Pessoas obstáculos nos caminhos pisados
Pedras atiradas no silêncio briga de ratos
Passos escorregadios sons de macacos
Marcas apagadas antes de serem feitas
Caminhantes do asfalto feito de areia
Pegadas misturadas sem a gente pegar

15h48 (Rafael Belo) 28 de janeiro de 2009.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

O próximo é egoísta?

Por Rafael Belo

Dias de chuva em Ribeirão Preto. Ainda! Gosto de chuva. Sério mesmo. Caindo serena quase sem molhar. Diariamente. Bom para dormir, ruim para acordar. Enfim... Ontem sai cedo com o guarda-chuva me protegendo. Enorme, daqueles parentes dos guarda-sóis. Andei o dia inteiro sob ele e acabei o esquecendo depois que a chuva deu um intervalo na tarde. Desviei e me preocupei o tempo todo em não acerta meu teto ambulante em nada, em ninguém. Não reparei se o oposto era verdadeiro, mas gostei do malabarismo da antecipação dos próximos passos para posicionamento adequado de passagem. Só hoje na garoa paulista sem o teto esquecido, tive que torcer para não ser degolado. Passos rápidos em corpos encolhidos se aproximavam com as hastes próximas da minha garganta e nem me olhavam. A preocupação era a própria “proteção”. Nada de próximo.

Parece que há bolhas espalhadas nas calçadas ao redor das pessoas esperando um “bom dia” para olharem surpresas com um meio sorriso. Tenho mais de 1,80m, portanto não sou difícil de enxergar e mesmo assim corria riscos me aventurando com guarda-chuvas acusados de tentativa de homicídio. Próximo dos próximos observava a distância generalizada. Procurava fachadas com qualquer cobertura para me molhar menos e me incomodava à falta de senso daqueles tetos ambulantes debaixo de outra proteção. Cadê o espaço? Não há respeito ao próximo do próximo? Até na fila do famoso ônibus do ponto coberto até a porta uma dupla debaixo daquela imensa proteção gotejante rodando e mexendo na altura dos meus olhos. Derreteremos todos se pensarmos próximos, não iguais... É difícil pensar chove para todos aqui e que podemos pensar em algo... Assim... Além de nós mesmos...?

Há uma pregação tamanha do egoísmo e não falo só da presença dos guarda-chuvas invasivos. Com sol há aquela disputa por espaço na calçada. Imagine, ou melhor, lembre. Você está indo por um caminho estreito e do outro lado há alguém vindo em sua direção. De repente ambos aceleram para passar primeiro... Um doce para o felizardo que conseguiu...! É proibido ceder. É contra as regras (não me pergunte quais). É você e você e ninguém mais. Satisfação, carência, satisfação, carência, impulsividades, falta de raciocínio, satisfação carência... Sintomas da grave doença do século: Depressão. Vamos abrindo buracos e de repente (depois de dias, meses, anos...) estamos sem chão, sem nós mesmos, estamos ligados às névoas passageiras de felicidade em comprimidos vendidos sem receitas nas propagandas da vida. O resto que se molhe... (?) Para merecer espaço é necessário ceder lugares!

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

___________________________________Luz acesa 

Por Rafael Belo

Foi dormir e acordou com o coração disparado. Não havia ninguém em casa. A Escuridão mais uma vez tenta afastá-lo da Luz. É com freqüência esta repetição. Uma tentativa de trabalhar em conjunto com o medo. Um pesadelo e tanto o deixou tremendo. De longe, sob a luz da tevê, ele vê os objetos da cozinha rodarem no ar como uma dança macabra. Sons ininteligíveis viam. Ele sabia a direção de tudo aquilo: ele mesmo.

Diogo se afastou muito desta vez. Lá fora ele via a escuridão se aproximar, o pressionar. Mas, também estava no pé do ouvido tagarelando. Ele ouvia como pensamentos e cavava mais a ilha de desilusão e desespero se arruinando na solidão dolorida de talvez não existir. Uma depressão o anulou, o deixou com vontade de suicídio e sua ilha era engolida mais e mais para a escuridão chamada para entrar. Seus olhos tremiam na cozinha. 

Decidiu ir até lá com uma respiração pesada e um medo absurdo como se não tivesse ninguém como se fosse abandonado. No dia anterior ele se sentia manipulado e com maus pensamentos de todo o tipo de morte e destruição. No decorrer de um domingo ele sentiu uma paz imensa que dizia confiar nele.  Sem precisar de mais ele imediatamente sem sequer perceber parou com os maus pensamentos. Descobria ali um a um os motivos da falta de vontade e descaso próprio.

Viu o abandono dos dons e a obsessão por desejos vazios. Mudara com um sentimento. Mas, quando à noite veio ele quase clamou pela volta. O pesadelo durou horas e ninguém presente (pais e sobrinha) ouvia nada, via coisa alguma. A sobrinha arrumava as malas, os pais vidrados na televisão... E toda aquela Escuridão o danando como um caldeirão de cozidos dele mesmo. Acordado olhou para os vazios da casa e voltou a deitar ainda tremendo o pesadelo. 

Havia abandonado suas crenças e seus dons. Ao voltar se deparou com uma barreira. Poderia ter “voltado atrás”, mas não agüentava mais tanta escuridão. Tudo como uma metáfora mais elaborada do que apenas o Bem e o Mal. É o aviso de maldade. Da má influência. De como somos mais carne e obscurecemos o espírito para satisfações e nossas luxúrias. Como podemos ser fracos sendo tão fortes? Nossa Alma é tão maior e ainda fingimos termos outras necessidades... Acenda a Luz!

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quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Se Foi

Hoje eu não sou um bom dia

Não levanto não acordo estou no mesmo lugar

Meu corpo treme em agonia depressiva da dor

De uma janela chove cinza do meu corpo ido

Foi lavar a alma na esquina vazia

 

Com o sentimento de abandono espumando

Nos cantos da boca redonda

Mas alguém sorri para minhas lágrimas sedentárias

Uma luz ao meu lado de passagem

Passando para deixar a auto-piedade no ponto

 

Um sopro de palavras na tempestade feita de vida

Lança-me de volta para levantar com um suspiro

De retorno para o hoje que continua por mais que amanhã chegue

Olhares tristes se vão sobem e descem

Param na esquina, e a preenchem.

 

13h53 (Rafael Belo) 26 de janeiro de 2009.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Sem pensar

Por Rafael Belo

Dia chuvoso. Não estava animado para sair debaixo da coberta, soltar o travesseiro. Tudo cinza. Mas, amanhã tenho dentista já faltarei. Segunda-feira é o dia da preguiça e assim o dia que mais faltam ao trabalho. Quem não tem seus momentos de dúvidas? Eu me escondi este fim de semana já que meus planos haviam sido alterados desnecessariamente. Precisava pensar só. Me senti triste. Poucas vezes admito, mas depois de uma sessão rápida de acupuntura praticamente terapêutica, percebi algumas coisas me entristecendo. Minha liberdade estava sendo cerceada pelo meu silêncio. Acomodei minhas palavras, meus anseios, sentimentos e pensamentos em algum canto de mim esquecido. Não percebia minha tristeza. Mesmo pouca... Por quê? Bom eu não admitia que me faltassem “coisas”! Falta meu espaço, meus amigos e falei calado, pela metade. ( Mas, já faz algumas semanas)

Gosto de escrever, cantar, tocar e ler mais do que tudo e pouco tenho feito. Gosto de fazer matérias que façam diferença, de estar com as pessoas e algo se perdeu. Fiquei preso no que tenho que fazer, pagar... Não do meu gostar, do meu sentir, do meu dom... Criamos uma bolha, às vezes. Olho para frente e não para agora. Nunca fiz isso, me entristece avançar assim. O bom é analisar o caminho tomado até. Fiz isso e voltei alegremente a fabrica criativa atemporal da poesia, da música, do violão. Tive raiva e vi a direção dela: a minha. Homer Simpson diz que a culpa é dele e põe em que ele quiser. Também o digo e é justo mea culpa. Procuramos culpados e exemplos todo o tempo. Sempre procurei justamente ao contrário. Todo bom ombro precisa de ombros bons... Dia cinza. Tudo chuvoso. A animação veio, mas passou. É um processo solitário, mas, não precisa ser. 

É difícil admitirmos nossos atos e quando não o é, escondemos até de nós mesmos certas coisas. Nos aprisionamos e confundimos a liberdade. Então as pequenas coisas nos prendem. Eu acredito em Deus! Quando quem não acredita me pergunta: por que você acredita e respondo por que não? Falam de coisas racionais, de ciências... Podemos acreditar no que quisermos e podemos ser livres se esta for nossa opção. Não há perdas neste relacionamento de alto padrão. Neste relacionamento com a alma. Não é um negócio, então não falemos de vantagens... “Engraçado” como sem “perceber” queremos tirá-la (a vantagem) de tudo. Assim vive chovendo muito forte ou fazendo sóis abrasadores individuais. Não quero ficar pensando em querer deixar marcas. Vou ser eu mesmo, mesmo me perdendo em alguma mancha na minha alma apenas para limpá-la e sem pensar deixarei.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Leveza de

Somos feitos de pequenas tristezas
Mas as alegrias não padecem
Enaltecem tanto que acreditamos
Que só rir nos apetece

Até a tristeza vestir o coração
Na balança da alma
E tudo pesa
Mas tristezas não duram
São águas marcadas para um futuro

O que acredito ser deixa de ser um dia
E o vento engrossa a chuva pós garoa benta
Então o coração queima ao se redescobrir
Liberdade não é profissão é Alma
Nada pesa mais que a leveza de ser

13h16 (Rafael Belo) 25.01.09

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Por aonde vamos?

Morreu a morte está na hora de viver os dias eternos
Que nada são perante o enfileirar de ventres
Na psicodelia da psiquê do vidro por onde nos vêem
Vindos do olhar da Presença segura. Por onde vamos?
Seja você silêncio, sons, boca ouvido, respirar tocar olhar,

O Contemplar o insignificante significado maior que tudo
Menor que nada na vida do absoluto inspirar
Nos respirando sem esforço para todo o espaço a preencher
Seja a inspiração de ser autêntico no grão de areia infinito
da tua grandeza enfileirada eternidades ante eternidades

No caminho de fechar os olhos e deixar a confiança guiar
Não morra para o infinito com atalhos malditos da longa caminhada
Altos e baixos são destinos de um meio não visto mais um fim deslumbrado
Vá, há Quem segure tua mão há Quem encha teu coração
Não há morte há tempos. Estamos vivendo para a Eternidade

13h06 (Rafael Belo) 25.01.09

segunda-feira, janeiro 26, 2009

S de solidão

Solidões prolongadas não me são mais

São um tristeza de três dias até aparecer alguém

Estar só é o limite de algo e coisa alguma

Esta solitude é o tédio enclausurado na prisão

Voluntária do jejum de fim de semana

Faminto e sedento de ser sozinho de outras maneiras

 

Há solidão nos pontos de encontro esculpidos nas ladeiras

Da alegria brilhando de repente por olhos contentes

Antes se abandonados ao seu desequilíbrio

Ardente da inexistente perfeição racional

 

Na irracional necessidade solitária de estar

Ausente qualquer presença gera o óbvio

Sóbrio de aglomerações prolongadas

Pelas estadias contínuas das monotonias desta vida

Adoecida pela agonização

 

Das entranhas das estradas para o mesmo destino

Falsificado pelas previsões imprevisíveis dos teus planos eternos

Rascunhados em uma ambição alheia afastada dos outros insistentes

Pela sua solidão onipresente

 

(Rafael Belo) 21h05 – 11.01.09

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Por Rafael Belo
Não era como antes e antes foi ontem. Plena manhã ônibus lotado, mas, havia algo diferente. Nada místico, bastava olhar com atenção. Mais pessoas em pé do que sentadas... Ahá... E daí, certo? Errado. Haviam lugares e não eram poucos. Eu estava em pé até a quantidade de bancos livres ultrapassar de pessoas não sentadas. Como “andaria” muito até meu destino sentei. O ar cheira psicologia. Psicologia de ônibus.
Psicologia de ônibus

Benditos sejam os celulares e a consciência. Nem sempre se encontram. Certo... Poucas vezes. Olhando bem pelo ônibus costumam ser companhia para quem está sozinho – e quem não está? – na viagem de um ponto a outro da cidade. Ontem sentei atrás de uma psicóloga de coletivo fazendo terapia de casal com a parte feminina do assunto, bem a mulher para ficar bem claro. Tinha jeito e cara de estudante poderia ser, mas pela altura que falava tratava da amiga.

Muito bem vestida. Um vestido verde grama de noite com alguns belos decotes nas costas e nos seios. Bonita também com belas pernas e um sapato preto aberto com um grande salto. Sentada de lado com o cabelo caído na testa sobre um dos olhos castanhos claros, ela gesticulava e jogava para trás os cabelos a todo instante. “Esqueça o que passou. Passou! Agora que vocês voltaram não adianta ficar jogando o que um fez o que outro fez na cara.”

Bom argumento (?). “Se for assim é melhor nem voltar. Vai acabar de novo! Traição é sério, mas, vocês se gostam e isso tem que ser mais forte. Vocês merecem esta chance que estão se dando.” Traição? Será a psicóloga de coletivo acadêmica? Ela me parece com medo de ficar sozinha – é um complexo feminino? Não os homens também têm – há algo de experiência pessoal nestes conselhos. Hum... Nenhuma aliança... Pode ser... É, é possível sim. Como vou saber?!

Distanciei-me um pouco do divã alheio e penso comigo que a base de um relacionamento – seja ele qual for – é confiança. Mas, o mais importante não é perdão ou seria tudo Amor? “Ele traiu só isso? Uau! Não! Não faça isso. Não diga quantas vezes você o traiu... Bom diga isso. Ele não sabe quase nenhum fica na sua. Se ele souber vocês não vão conseguir voltar...!” Mudaram de assunto. Namoro, promiscuidade... O que eu tenho a ver com isso.

Desliga e tenta ligar para várias pessoas o restante do tempo que permanece no ônibus. Para a amiga havia dito estar perto de casa e já estar descendo, o que aconteceu mais de meia-hora depois. O que eu tenho com isso?!

- Oi!, digo o mais simpático possível. Recebo um sorriso gostoso de volta e desconfiado. Ela se levanta para descer.

- Como está sua agenda amanhã?, Pergunto e ela me dá um outro sorriso com a diferença deste ser interrogativo.

Ela desce. Eu me penduro na janela e falo alto sorridente: - Amanhã na mesma hora e quase no mesmo lugar. Só com a diferença de eu sentar no divã. Foi um prazer! – ela fica parada me olhando como se não tivesse acontecido e o coletivo segue.



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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Coleta do silêncio

O quê há na cabeça? Dentro destes olhos
Me deixe e esqueça de me deixar entrar
Nos pensamentos provisórios esperando
Para permanecer em abandonar a mente
Subserviente a inquestionável mudança
Outrora azeda no rosto torcido a pensar

Na sua cabeça fica aquele silêncio impossível
Possível na minha questionável mente ausente
De apenas momentos constantes de alguém
Chorando o suportável visto na morte das coisas
Além do visto latente continuado de luta

Com a mente intacta de tatos quentes
Mãos frias apertam os pensamentos
Em cactos áridos por fora do charco
Do quê há na sua cabeça coletiva
Coletando passagens dentro daqueles olhos

13h25 (Rafael Belo) 15.01.08

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Adoráveis transportes

Por Rafael Belo

Pegar ônibus é invasivo. Para deixar claro é agressivo. Ainda bem que nem todas às vezes. As pessoas olham e olham de novo e repetem o olhar. Pensam algo que com certeza dificilmente é o quê você pensou que elas pensaram. Percebe? Um belo sorriso para ti pode ser de você, um “olá” pode ser um “sai daqui”... Também pode não ser nada disso, pena que tudo é possível, mas as pessoas são previsíveis? Se pegarem ônibus no mesmo horário frequentemente, se portarem da mesma maneira e descerem no mesmo lugar... Talvez! A mim incomoda mundo as rádios no último volume. Sem preconceito, mas, da repetidas vezes que infelizmente vem acontecendo nos ônibus onde estou são mulheres. É divertido por um certo tempo... Por um certo tempo. Mas é uma metralhadora gaga de volume estridente causando tiques de tartaruga. Aqueles que quando parece acontecer algo ruim tentamos colocar a cabeça dentro do peito.

Gargalhadas escandalosas engolidas pelo coletivo de olhos repreensivos à parte, os assuntos que são indigestos. Certo os tempos são outros, mas, ouvir de bebedeiras, de loucuras, transar e beijar geral é triste. Hoje de manhã ainda ouvia dizer que as garotas do BBB têm que beijar todo mundo porque não sabem quando vão sair... Infelizmente o comentário condizia com as histórias pessoais da mesma. Dizendo ter ficado louca estes dias de tanto beber e de outro dia estar tão alcoolizada a ponto de ser arrastada para casa sem saber como e ter ido direto para o trabalho. Uau! Ouvi muitos malas masculinos dizerem tais, mas não sabia que a igualdade feminina também beirava a promiscuidade de nós, “homens”. A contradição vinha acompanhada também. Ouvi de palavras de um “ficante” (de uma única vez) o coração da tal derreter pelas palavras que disse. Está tudo igual, que pena!

Dia anterior à conversa produtiva do ônibus era amantes. Voltava eu para uma noite de treino depois do trabalho e as caras tortas de senhoras e palavras de “meu Deus” dominavam toda a área inaudível do ônibus, porque a imagem e semelhança desta manhã parecia um encontro de minas falando do dia-a-dia. Diziam de maridos que traiam as esposas com elas e dos coroas que as sustentavam babando por elas. Uma tinha (segundo dizia) três: um para pagar água, outro para pagar luz e o terceiro para pagar o telefone. Nossa, grande conquistas destas mulheres. Não estou julgando (sempre dizem isso quando julgam) mas falar tais cosias de boca cheia e para todos invejarem... Então você presta atenção no trânsito pela janela para dispersar e vê (des)motoristas dirigindo sem as mãos, porque afinal precisam comer, falando no celular, não dá para esperar, agarrando a namorada, sem parar é inevitável, e várias repetições da desatenção e egoísmo em trânsito. Adoro ônibus!

sexta-feira, janeiro 16, 2009




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Muros de vento
As areias cobrem o meu desamparo nas sobras da minha terra, do meu espaço desconhecido. Um pedaço de terra chamado meu sem ninguém além de eu reconhecer. Vago por elas inóspito e elas sem água. Sou sombra deste sol retaliador arrebatando minhas costas com o calor infernal cercado de deserto. Me arrebenta a boca seca rachada de desidratação dolorida. Sou pó deste chão de areia escaldante me engolindo. Sou ninguém.

Venho daqui. Deste pedaço de nada que é tudo pra mim. Sem ele me sinto perdido como estou. Como se não existisse sem um lugar para me orgulhar e chamar meu. Mesmo que vivam me dizendo que meu lar está no meu coração, não sinto assim. Sinto meu coração vazio. Vazio diferente deste vazio desta terra de areia. Meu sangue foi derramado aqui e das minhas gerações passadas é uma herança que dizem ser de todos, mas todos não se sentem como eu.

Estou em cima do meu castelo de areia e começa a ventar muito. É uma tempestade. Às vezes acho que só uma grande guerra me devolverá este pedaço de chão e outras não agüento ver tantas mortes intermináveis. Não desejo dinheiro, carros, luxos... Só o meu lugar e não deixo de me perguntar por que aqui? Mas me contento silenciosamente com o que Deus me deu mesmo que tenha que conquistar, mesmo que tenha que pegar em armas. Quero um futuro para os meus.

Por que me perguntam se sei quais são palavras só minhas e de Deus? Não me torturem com o inexplicável. Não me justifico através Dele nem por meio de nada. Como um ser humano pode viver sem um lugar. Quero minhas raízes de volta. Sem elas não sou livre para ir e vir. Não tenho de onde sair. Não tenho direito de julgar e de matar... E se tivesse não conseguiria conviver comigo mesmo pela feitura de tais coisas além de minhas mãos.

Irmãos brigam entre si desde o ventre. Caim e Abel revelados na briga bíblica. Esaú e Jacó não só bíblico como também machadiano. Pedro e Paulo do livro de Machado de Assis se batem ainda na barriga da mãe. Somos bem e mal só temos escolhas e caminhos. Porém algo ainda me diz que todos estes infindáveis caminhos levam ao mesmo destino a diferença está na absorção das experiências e dos erros praticados. Minha terra está no fim desta trilha de tempestades desérticas, mesmo que as areias cubram o meu desamparo nas sobras da minha terra.

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

Forjar libertos

Pele morta sobre viva pele
Descama o câncer do humor
no tumor da alma maculada
Atrás do sorriso da fome canibal
Rosnando o animal escondido a pastar
Um deus de barro e metal feito falsa fortaleza

Diante dos espelhos invisíveis afastando aos gritos, próximos
Aos olhos impossíveis foscos lógicos mergulhando em abismos sórdidos
Sobre atalhos inexistentes imprecisos espelhados sobre nada
Na visão criada ao queimar ao sol

Enquanto uiva à lua prateando um Universo
Versado em ser o mesmo para todos os meros
Despertos a inclinar a cabeça para o brilho noturno
Libertos das prisões forjadas nas nossas fraquezas cordeiras em lobos cercando

11h34 - 08 de janeiro de 2009.
(Foto que tirei no mosteiro em RIbeirão)

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Pastores da presença

Mais uma guerra! Não sabemos de nada mesmo. É a mesma guerra. Depois de atentados de palestinos bombas por morarem em uma faixa (não justifico)- ou seria ao contrário? -, isso foi agora ou em outra época? , Israel resolveu (?) guerrear de novo (dizem estar no seu direito). Tirar vidas é o direito de alguém? Decidir quem vive e quem morre? Não temos este direito, não! Não há jornalistas estrangeiros. São de Tel Aviv e Jerusalém que os jornalistas correspondentes fazem as “matérias” por meio de imagens da Al Jazira e jornalistas locais é que sabemos da guerra. Não há uma solução milenar que satisfaça as partes. Estados Unidos como sempre ao lado dos mais fortes e dos próprios interesses. Palestinos querem seu Estado, Israel... Não quer que tenham... Na antiguidade Roma interferia aonde bem quisesse (certo, nem tanto) hoje são os estadunidenses no poder que darão 30 bilhões ao Estado de Israel. Como se Israel precisasse desta ajuda com um dos maiores poderios bélicos e ainda em investimento do mundo.

Corpos transportados em pilhas, bombeiros lavando o chão de sangue. Terra de conflitos milenares por espaço, liberdade e opinião, terra fértil em sangue. Banhos de sangue pelo domínio da religião. Não é Deus a favor da guerra? Não. São os homens a favor da guerra? Alguns. Guerra é política é hierarquia, não igualdade. É de cima pra baixo e bombas. E vidas estilhaçadas ao fim precoce. O obvio é que violência gera violência. Não é uma questão de escolha de lados. Trinta quilômetros de uma faixa nada inocente atacando e sendo atacada em proporções extremas e maiores. Desde que a morte foi banalizada poucas imagens chocam. Agora é matar ou morrer. Agora? Quantas mortes valem uma vida? O estopim vem do início dos tempos e não pára de queimar. Estamos tão afastados assim que nem gritos adiantam mais? Precisamos usar palavras armadas no começo indo armas brancas passando por balas perfuradoras até chegarmos a tanques e mísseis... Nossas necessidades não são nossas!

Lembrem Thomas Hobbes: "Homo homini lupus", o homem é o lobo do homem; "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos. É o medo e os sentimentos mesquinhos preservados e prosperados habitando onde não devia: No coração das pessoas. Uma paixão pelo poder que não permite sermos libertos. Desconfiança, solidão e ansiedade assolam o mundo de dentro das pessoas para fora. A paz vem de nós é frase feita de efeito, porém, verdadeira. Temos aquilo que buscamos e nossas guerras diárias não são de sangue alheio, é nosso próprio sangue suado nos mantendo melhores a cada dia que acreditamos. Não é mais uma guerra que vivemos e vemos, é uma continuação daqueles obstáculos que nos crescem nos tornando nossos próprios pastores afugentando lobos apenas com nossa presença.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

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Secas brasas

Espreitado segundo a segundo. Observado. Algo mal queria me tocar. Aquelas formigas instantâneas apareciam. Eram formigas inusitadas que surgiam sorrateiramente de lugar nenhum. Estavam em mim e eu me perguntava de onde vinham sem resposta. Às vezes caminhavam em meu corpo e certa me despertaram e não estavam lá. Picaram meu corpo em diversas partes e me marcaram por tempos. Depois sumiram de mim, mas ainda rondavam a casa.

Depois meus transportes particulares e coletivos sumiram. Não sonhava mais. Tudo escurecia quando descansava o corpo e eu estava brilhando no meu escuro. Então, veio este momento. As formigas ainda apareceram de repente e não há buracos ou qualquer fresta para elas entrarem e saírem. O que chamamos de lagartas de fogo – aquelas peludas que queimam – começaram a aparecer, mas uma voz de fé e confiança não permitia minha hesitação nem queimaduras. Elas começaram a virar aranhas vermelhas. Tarântulas que nunca havia visto.

Eram sangue calamitoso manchado de revolta de prisão. Não chegavam a mim. Mas arrepiavam minha alma como se a própria Escuridão das pessoas quisesse me tomar e me induzir a ela. Me beber me derrubar me separar... Batalha longa onde mãos me seguravam. Corpo fraco espírito renovado em força não necessária de compreensão. O brilho em mim reluziu brilhos desconhecidos até o Sol incendiar meu coração em ardências de fé.

Como brasas meus olhos enfumaçaram uma pureza neblinante para o redor. Devia a partir de, fortalecer minhas relações e convicções. Ouvir, sentir, pensar, tocar e falar... Não havia planos vindos de mim, mas eles existiam. Eles elaboravam as brasas pisadas pelo caminho, as pausas surgidas, os passos passados. Havia a espreita e sempre haverá tentando enfraquecer quem sou, que me fizestes. Estarão rondando, mas estou sondado a soldas de estrelas.

Sou tu, tu me és! E tantas patas querendo nos alcançar mostra a fraqueza da carne que queremos devorar como canibais. Como tribos isoladas batalhando para ter o melhor do guerreiro de outra tribo. Pata nos convencionar a sermos e termos troféus de ostentação vazia e inglória. Somos observados e tentados a sermos irracionais e apenas passionais por demais. Minha árvore seca alastrou o incêndio do meu coração e é hora de descer.


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terça-feira, janeiro 06, 2009

Um segundo a mais

Acordei pensando no invisível. Como ele é veloz! Quando a gente pensa vê-lo, ele não está e quando pensamos estar, não o vemos. Estes são os meus dias. Como o invisível é veloz, me cerca por toda parte. Está à minha frente, atrás de mim e me passa desapercebido. Quando estou despercebido ele me percebe, me segue e pesa no estômago! Me diz para dormir! Só porque estou sem horas? Me pesa a cabeça e é janeiro. É 2009! Tudo bem... Logo volto a descansar direito e sonhar com as construções invisíveis. Com este preenchimento achado inodoro, incolor, inaudível, insípido, impalpável fora ele ser invisível... Ele é este vácuo me dizendo algo incompreensível que de alguma forma sexta-feira entendo. Mas não pretendo ser veloz o tempo todo, nem todo o tempo. Deixe meus olhos abertos do avesso!

Não vêem o invisível por aí! Pare um pouco porque eu não paro de vê-lo! Ele me desenha nas dunas do deserto quando me atento a praia contraditória tocando o céu nas mutações descolores do fim de tarde. Assim descanso e me canso com a cabeça nas dunas. Outro ano começou. Este sem promessas. Estive, estou com minha família, mesmo nos momentos sozinhos. Depois da virada familiar e da partida para a balada do século, dormindo pela manhã vi este deserto sendo praia de um mar contínuo de céu e meus pés – após breve vôo – pousaram no meio de tudo com as ondas me movimentando. Não as pulei só ouvi as águas, as areias, o vento e o canto do pôr-do-sol enquadrando as imagens natureza em um infinito som do céu. Veio os cheiros de mundo felicitando uns aos outros pelo ano virado.

Me sinto diferente já neste começo. Não sei o quê falta e o quê sobra, sei que não quero saber ainda. Não é o momento. Digo porque sinto isso, seja lá o que isso for... São sensações ainda codificadas, conhecimentos ainda soltos, frases ainda inacabadas. É assim: o ano começou, mas o ano ainda não acabou. Mas, passada a família foi o primeiro ano virado em rock and roll gostoso, puro, clássico e rebelde com causa. Foi querido e alcançado, foi simples e é feliz. Todos cantando as músicas... Nossa que sensação! Me senti mais músico, mais compositor, mais “cantor”, mais violão e cordas. Quando voltei para a família toquei por horas e ria e ria. Era dia 1º de janeiro de 2009. Como o invisível é veloz! E no último dia do último ano passado ganhamos um segundo... Um segundo para cultivar amigos, para aprendermos, para errarmos, para cantarmos, para valorizarmos a família colher pessoas, para respirar, para pensar, para mudar de direção, para sermos, para irmos um segundo além e depois ir.

(foto que tirei na Torre dos sinos)

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Duna (foto kami)

 Sopro-me no vazio avistado frente aos olhos

Preenchendo meus vazios desérticos de beleza

Como namoros das palavras incrédulas que me saem

Com certezas impensadas nas costuras de experiências

Da minha ciência inexata de sentimentos deixados soltos

 

Soprando desertos nos desenhos falados de esperança

Em um oásis infinito de ti por toda parte de areia fria ao sol

Mar de vento arenoso no limite do pensamento viajante

De tempos em tempos com pequenos passos distantes marcados

Nas instâncias vistas nos ciscos incômodos nas pupilas fraquejantes

 

Longes nos caminhos movediços por momentos ventados

Pelo meu sopro engolido nas areias tempestivas chovendo na pele

Sem tristeza na seqüência da colisão das conjugações idas vindas presentes

Na minha primeira pessoa sem posses o descanso conversa

Hoje estou cansado

Meu sono me chama para uma duna aconchegante de sonhos em construção

 

16h15 (Rafael Belo) 05 de janeiro de 2009.