quinta-feira, junho 08, 2017

preferências



joguei pela janela do carro minha coleção de dores insinceras
não fico a espera de alvos em ações de dissabores sendo plateia
sou novo todo dia na minha estreia infinita esticando a língua
extinta de quaisquer doses de venenos e apelos respirando na pele

fere só o permitido assistido pela culpa inexistente mordendo a gente
estridente como o grito da noite quando dormimos cheios da mente
e quem mente para si deve parar de cavar este buraco sem fim

volta a si volte ao pronome obliquo tônico mim conjuga-me
toma-me como aquela água inundando o manto dos elos me cobrindo

saio do canto como raio caído caindo ao contrário sincero do destino páreo

prefiro me ter ao meu lado vazio e cheio de nada a molestar a ostentação freguesa da incerteza de uma relação bugada.


+ às 10h24, Rafael Belo, quarta-feira, 08 de maio de 2017 +

Um comentário:

Maria Belo disse...

Parabéns! Muito bom!